Um grupo de engenheiros do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) apresentaram recentemente o primeiro protótipo de um caminhão autônomo totalmente desenvolvido por estudiosos brasileiros. Implantada em um modelo Scania G360 6x4, a tecnologia de “piloto automático” é fruto da cooperação entre a fabricante sueca do veículo, a Escola de Engenharia de São Carlos e o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação.

Para que o sistema autônomo pudesse controlar os movimentos do caminhão, a máquina recebeu uma série de itens especiais. Enquanto os volantes e freios receberam servomotores, o acelerador passou a contar com um circuito eletrônico de controle capaz de regular a velocidade do veículo. Como o G360 6x4 já conta com câmbio automático, não foi preciso fazer mais acréscimos ao seu trem de força.

Uma preocupação dos pesquisadores foi utilizar soluções de baixo custo que atingissem os efeitos desejados sem elevar demais o custo total do projeto, o que inviabilizaria sua aplicação comercial. Assim, eles acabaram optando por descartar tecnologias mais caras, como sensores a laser, em favor de opções mais baratas, como alguns radares e um par de câmeras com funções similares às do Kinect da Microsoft, por exemplo.

O professor Denis Wolf acredita que a parte mais difícil é substituir o cérebro humano por um computador

"Substituímos os pés e as mãos do motorista por sistemas de atuação mecânica e eletrônica. Depois, colocamos sensores para que atuassem como os olhos e os demais sentidos dos seres humanos. Mas a tarefa mais difícil é substituir nosso cérebro por meio de um computador", explica o professor Denis Wolf.

O cérebro da operação

Antes que o piloto automático pudesse entrar em funcionamento, todos os sensores e mecanismos adicionados ao caminhão foram conectados a um computador, que também conta com um sistema de GPS. Esse componente fica então responsável por atuar como o “cérebro” da máquina, interpretando os sinais recebidos e enviando comandos para que o veículo possa acelerar, frear e fazer curvas nos momentos apropriados.

A parte mais complexa do projeto, no entanto, foi justamente desenvolver os softwares responsáveis por entender as informações dos sensores e emitir as respostas certas para cada contexto. “As câmeras registram apenas cores, precisamos criar programas extremamente complexos para interpretar se o que está naquela imagem é um carro, uma pessoa, uma árvore ou a rua", diz o professor.

Além disso, todo esse processo de “raciocínio” por parte do programa precisa ser feito de forma extremamente rápida, já que qualquer atraso pode significar a diferença entre manobras seguras e acidentes sérios. “O sistema tem centésimos ou milésimos de segundo para entender o que está acontecendo, planejas o que deve fazer e executar essa ação”, acrescenta Wolf.

Os programas são testados em um simulador antes de serem instalados no computador do caminhão

Segurança em primeiro lugar

Para aumentar a segurança de todos os envolvidos, os programas criados para controlar o sistema são testados em um simulador antes de serem instalados no computador do caminhão autônomo. “No laboratório, podemos reproduzir situações de risco alto, como a fechada de outro veículo ou o aparecimento inesperado de um obstáculo na via”, explica o estudioso.

Por enquanto, o G360 6x4 autônomo conta apenas com um protótipo e está circulando apenas por uma área restrita dentro do campus da USP de São Carlos. Embora o sistema não tenha sido feito para substituir completamente os motoristas, ele serve para ajuda-los a cumprir suas tarefas com mais segurança e tranquilidade, especialmente em operações restritas a áreas como portos, aeroportos, fábricas, minas e roteiros predeterminados.

Enquanto isso, a equipe da universidade também está testando um automóvel sem motorista nas ruas da cidade de São Carlos e desenvolvendo tecnologias de veículos autônomos para terrenos não estruturados, como lavouras e pistas de golfe, por exemplo.

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