(Fonte da imagem: Divulgação/Shweeb Holdings)

Entre os principais problemas que a humanidade deverá enfrentar no futuro, a mobilidade urbana se destaca por afetar diretamente a vida de todas as pessoas. Enquanto o número de habitantes em grandes cidades não para de crescer, o espaço físico disponível para eles coabitarem se mantém o mesmo.

Assim, soluções como automóveis e motocicletas passam a se tornar mais uma dor de cabeça do que uma facilidade. Devido ao número cada vez maior de veículos nas ruas, congestionamentos gigantescos se tornam uma parte cada vez mais comum de nossa rotina diária — assim, o que deveria facilitar a movimentação de um lugar para outro passa a ser somente uma forma mais confortável de lidar com um ambiente estressante.

Pensando nisso, foram desenvolvidas diversas soluções de transporte que tentam desafogar os espaços públicos — ônibus e metrôs são somente alguns dos exemplos mais conhecidos. Entre os projetos que se destacam nesse sentido está o Shweeb, meio de transporte que combina as características de monotrilhos e bicicletas.

Promovendo mobilidade e saúde

A primeira grande diferença do Shweeb em relação a outros meios de transporte público é o fato de ele exigir que seus usuários façam esforço físico para utilizá-lo. O projeto é constituído por diversas cápsulas individuais nas quais pessoas se sentam de maneira confortável e pedalam para se movimentar — o design de cada assento lembra muito alguns modelos de bicicletas reclinadas disponíveis atualmente.

Ao optar pelo uso de cabines com acabamento transparente, o meio de transporte permite a observação em 360 graus do ambiente urbano percorrido durante seu trajeto. Usando trilhos suspensos no ar, a invenção apresenta a vantagem de não adicionar nenhum trafego extra às ruas, solução que também evita a competição com outros veículos.

Para garantir uma movimentação em ritmo constante, as cápsulas do Shweeb são capazes de trabalhar em conjunto para garantir que todos cheguem a seu ponto de destino no menor tempo possível. O esforço daqueles que pedalam mais rápido age em conjunto com o das pessoas que possuem um ritmo mais lento, resultando em uma velocidade de deslocamento máxima de 70 quilômetros por hora — valor que deve ser limitado a 25 quilômetros por área na versão final do projeto.

Segundo Geoff Barnett, principal responsável pela iniciativa, a ideia por trás de seu desenvolvimento surgiu durante o período em que ele viveu em Tóquio. Segundo ele, a presença de um sistema de trens com horários pontuais, a existência de hotéis com quartos compactos e a grande difusão de máquinas de venda fez com que ele começasse a pensar em novas ideias de mobilidade para aquele ambiente congestionado por milhões de pessoas.

“A ideia de andar acima dos congestionamentos em trilhos com múltiplos níveis parecia a única maneira de permitir que os milhões de residentes de Tóquio se movimentassem através da cidade de maneira rápida e segura. Além disso, há a vantagem de ser algo que respeita o meio ambiente e que oferece um exercício aeróbico. Para mim, esse era um projeto que eu poderia tornar real se realmente me concentrasse nisso”, afirma Barnett.

Projeto com a marca Google

Um dos quesitos que diferencia o Shweeb de outros projetos com objetivos futuristas está no fato de ele contar com o apoio da Google. A parceria se tornou possível através de uma iniciativa da empresa conhecida como Project 10^100, no qual foram analisadas mais de 150 mil ideias de diversos cantos do planeta, cujo objetivo era a criação de um mundo melhor.

(Fonte da imagem: Divulgação/Shweeb Holdings)

O sistema de monotrilhos foi um dos ganhadores do concurso, que rendeu US$ 1 milhão a seus desenvolvedores, os quais aplicaram o dinheiro no desenvolvimento de pesquisas de trânsito e em estudos que viabilizam a implementação do projeto em larga escala. Além disso, em 2013 foi anunciada uma parceria com a Shweeb Can Corporation que deve ajudar a desenvolver a iniciativa até seu formato final.

Outro ponto que se destaca no Shweeb é o fato de que ele se trata somente de um projeto conceitual, já que já pode ser testado por quem visita a cidade neozelandesa de Rotura. No parque temático local, há um circuito de 200 metros nos quais os visitantes podem conferir a novidade e até mesmo participar de corridas contra outras pessoas.

(Fonte da imagem: Divulgação/Shweeb Holdings)

A ideia dos criadores do projeto é que ele seja utilizado como uma solução para complementar estruturas já existentes. Entre os exemplos citados está o aproveitamento de rotas de ciclovias, atitude que também beneficiaria quem utiliza bicicletas para se movimentar, já que a estrutura suspensa do monociclo poderia auxiliar na iluminação do trajeto terrestre.

Além disso, o Shweeb pode ser aplicado em locais com áreas fechadas, como o campus de uma universidade ou servindo como forma de interligar as diversas estruturas de uma fábrica, por exemplo. O projeto também pode ser usado de forma mais lúdica, atuando com uma atração para parques temáticos ou complexos hoteleiros.

Solução eficiente para grandes cidades

O que torna o Shweeb uma opção prática para grandes cidades é que ele foi desenvolvido levando em conta a realidade com a qual nos confrontamos diariamente. Exemplo disso é o fato de que as estações de embarque possuem uma linha à parte daquela que é usada para a movimentação de suas cápsulas — opção que garante um movimento constante dos usuários e elimina os congestionamentos.

Segundo os desenvolvedores, o embarque no sistema pode ser feito em questão de 30 segundos, e não há limites para o número de veículos suportados por cada estação. Assim, um local com suporte para a saída simultânea de 10 passageiros tem capacidade de lidar com nada menos que 1.200 embarques a cada hora.