Não há dúvida de que, por mais interessante que seja o serviço de caronas pagas Uber, ele parece gerar polêmicas por onde passa. A mais recente foi uma declaração feita ontem por dois procuradores gerais da Califórnia, que afirmam que a checagem dos antecedentes criminais dos motoristas que prestam serviço para o Uber não é feita de forma adequada.

Para corroborar seus argumentos, eles registraram um aditamento de 62 páginas a um processo civil aberto em dezembro contra a empresa. O documento menciona os registros de 25 motoristas do Uber nas duas cidades, São Francisco e Los Angeles, com acusações que vão de assassinato a crimes sexuais e contra a propriedade. O texto do processo acusa a companhia de enganar os seus consumidores a respeito do método usado para selecionar os seus colaboradores.

Segundo George Gascón, procurador da cidade natal do Uber, São Francisco, as informações que a empresa apresenta a respeito deste assunto são falsas e enganosas e a checagem não é tão minuciosa. Um ponto levantado por ele é que os antecedentes só são checados pelo Uber nos últimos sete anos, e isso não seria o suficiente. Serviços como o Live Scan, utilizado por empresas de táxi para fazer uma verificação completa de seus novos motoristas, seriam mais adequados.

Nos EUA, motorista do Uber foi preso depois de tentar arrombar casa de passageira que tinha acabado de deixar no aeroporto - Imagem: 9 News

A empresa se defende citando a lei do estado da Califórnia, que afirma que sete anos é tempo suficiente para um indivíduo condenado se reintegrar plenamente à sociedade, e ter a oportunidade de voltar a ser um membro produtivo de sua comunidade. Além disso, a companhia afirma que o serviço Live Scan não é à prova de falhas, já que no ano passado fez a verificação de vários taxistas licenciados através de seus próprios métodos e encontrou vários com acusações criminais graves.

Os procuradores tiveram o cuidado de registrar o processo como uma ação a favor dos consumidores, que estariam sendo enganados pelo Uber, assim como os seus concorrentes, Lyft e Sidecar. Essas empresas têm feito lobby para derrubar projetos de lei que obrigariam os seus motoristas a fazerem verificações de antecedentes junto ao Departamento de Justiça americano, de forma idêntica ao que é cobrado de taxistas.

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