Desde que a Anatel começou a divulgar dados periódicos sobre o setor de TV por assinatura no Brasil, em 1994, esse mercado nunca tinha registrado um resultado tão ruim quanto o de 2015. O setor perdeu meio milhão de assinantes em um ano, o que é um recorde negativo histórico. Mas o que está causando essa queda? A suposta migração para a Netflix ou crise econômica?

Aparentemente, os dois fatores estão trabalhando juntos, mas a crise poderia ter um impacto maior, segundo a análise da Época Negócios sobre a situação. Isso porque apenas algumas operadoras estão sofrendo com o momento, enquanto outras continuam crescendo. Assim, a o baque que essas operadoras desafortunadas estão experimentando é tão grande que supera o bom momento relativo das outras. Entenda o porquê:

Cabo vs. Satélite

No Brasil, existem basicamente dois padrões predominantes de TV por assinatura: por satélite (DTH) e por cabo. O primeiro padrão é mais adequado para locais com baixa densidade demográfica, aqueles em que montar uma rede cabeada seria inviável por conta da baixa quantidade de possíveis assinantes.

Assim, quem domina o mercado de TV por assinatura em locais mais interioranos, em cidades pequenas, são as operadoras que trabalham com satélite, tais como Sky, Claro TV, Oi TV e GVT TV. Essas operadoras também conseguiram uma boa penetração em grandes cidades por conta dos preços baixos e pelo fato de as redes cabeadas das concorrentes, basicamente NET, Vivo Fibra e Live TIM, não oferecerem uma cobertura muito ampla.

Foram 830 mil desligamentos de TVs por satélite em 2015 contra 371 mil novas instalações das operadoras via cabo e fibra

Acontece que, com a crise econômica que se instalou no Brasil desde o ano passado, somente as operadoras DTH estão sofrendo. Foram 830 mil desligamentos de TVs por satélite em 2015 contra 371 mil novas instalações das operadoras via cabo e fibra. Com isso, a conta fechou em mais de 500 mil no negativo.

As operadoras que trabalham com satélite são majoritariamente mais assinadas pela Classe C e por clientes que moram em cidades pequenas do interior, normalmente economicamente mais sensíveis a crises.

Histórico da TV por assinatura desde 2009

Como as taxas crescentes de desemprego e a insegurança do trabalhador assalariado têm pressionado as contas do mês e, os assinantes estão decidindo se livrar de contas “supérfluas”, o que inclui TV por assinatura na maioria dos casos. Por isso, as empresas DHT sofreram tanto em 2015.

Queda natural?

Além do fator crise, a mudança de comportamento do consumidor brasileiro sobre a televisão também ajuda a afundar a TV por assinatura.

Muitas pessoas que migram para serviços como Netflix e outros acabam ficando com o plano de TV porque não vale a pena eliminar o serviço da conta telefônica quando ele foi adicionado com um combo (TV, telefone e internet). Normalmente, os outros serviços ficam mais caros quando algum deles é eliminado.

Contudo, com o tempo, isso pode gerar certo desconforto. Afinal, você estaria pagando por um serviço que não usa ou que aproveita muito pouco. Aí, as mudanças de planos ou para opções mais baratas começam a acontecer ou mesmo os cancelamentos.

O fôlego de crescimento já estava começando a dar sinais de que um dia terminaria

Esse processo de queda por conta de outras opções mais modernas é considerado o natural porque não é influenciado por nenhum fator muito fulminante e temporário. A TV por assinatura começou a perder sua base de assinantes em 2014, mas, anos antes disso, o fôlego de crescimento já estava começando a dar sinais de que um dia terminaria. A crise apenas acelerou a situação.

Como em 2016 a expectativa é de crise para o ano todo, com retomada do crescimento do país apenas em 2017, é possível que o setor de TV por assinatura sofra ainda mais.

Se essas operadoras poderão sobreviver com tantos desligamentos, não sabemos. Mas é certo que elas precisam se reinventar de alguma forma para voltarem a oferecer um produto atraente para quem pensa em se desfazer do que já tem.

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