Quando um usuário comum vai comprar um novo computador, geralmente só presta atenção em poucos detalhes referentes ao hardware do dispositivo — na maioria das vezes, apenas no tamanho do HD interno, webcam embutida e qualidade da tela. Porém, ter um conhecimento maior sobre mais componentes presentes no PC pode ajudar a evitar problemas no futuro, pois, caso estes surjam, poderão ser resolvidos diretamente na peça afetada. Isso sem contar que, sabendo as especificações, é possível escolher a máquina que alie custo e benefício de acordo com as necessidades de cada consumidor.

Claro que não é necessário conhecer todos os elementos inclusos na arquitetura de um computador, por mais simples que seja o aparelho. Contudo, resumimos os três componentes considerados mais importantes para você ter uma ideia de como eles atuam na performance do dispositivo.

CPU

A Unidade Central de Processamento (CPU), também conhecida como processador, é o cérebro de todas as operações na máquina e principal fonte (embora não seja o única) para características como velocidade e desempenho. É essa a peça responsável por calcular os processos feitos no PC e que o mantém funcionando.

Cada CPU pode ter um número de núcleos diferente que varia de acordo com as fabricantes e pode incluir outras especificações, como quantidade de cache de memória de alta velocidade e recursos adicionais de processamento gráfico (sobre o qual vamos falar no próximo item). Esses núcleos são miniunidades de computação que replicam as atividades do processor matriz, permitindo que seu computador trabalhe em várias tarefas ao mesmo tempo. Ou seja: quanto mais núcleos a máquina tiver, melhor o seu desempenho. Além disso, cada núcleo tem uma velocidade de clock, que é uma forma de medir o quão rápido o dispositivo pode responder aos cálculos de cada tarefa. Já os cálculos são aferidos por meio de megahertz (MHz) ou gigahertz (GHz).

Atualmente, Intel e AMD são as duas maiores empresas produtoras de processadores para PC no mundo, e ambas possuem os próprios projetos de microarquitetura, que é basicamente a maneira como os núcleos e os outros bits de uma CPU são compactados. Em todo o caso, se você for adquirir um novo computador e quiser o que há de mais recente, procure por referências Intel Skylake, Intel Kaby Lake ou AMD Zen (nos chips Ryzen). Todos esses possuem microarquiteturas sucessivas que permitem que a CPU opere mais rápido e use menos energia.

Intel e AMD também aplicam os próprios rótulos aos seus processadores para indicar o desempenho relativo dentro da família de uma arquitetura específica. Trata-se de uma nomenclatura para facilitar a identificação do quão recente é aquela CPU. Na Intel, por exemplo, os mais novos são o i3, o i5 e o i7, enquanto na AMD são o Ryzen 3, o Ryzen 5 e o Ryzen 7.

Para quem busca os processadores mais avançados do mercado, uma dica importante é checar o que a Intel chama de Hyper-Threading e o que a AMD nomeia de Multi-Threading Simultâneo. Ambas são tecnologias que dobram o número de núcleos (virtualmente, não fisicamente) para que você tenha um desempenho acima da média para programas e aplicações mais pesados, como editores de vídeo ou software CAD.

Gráficos

Outro grande fator que influencia diretamente no desempenho do computador, em especial se você gosta de jogar pelo PC ou utiliza vários serviços de vídeo e imagem, são os gráficos.

Conforme os processadores foram evoluindo e ganhando mais espaço em máquinas mais simples, as fabricantes, entre elas a Intel, passaram a integrar mais poder de processamento de gráficos na maior parte de suas CPUs. Ainda não é um poder que se compare ao de dispositivos de ponta, mas é o suficiente para que os usuários consigam fazer tarefas mais pesadas simultaneamente sem que o aparelho trave.

Alguns modelos de chipsets de gráficos integrados são construídos dentro da placa-mãe ou na própria CPU. Os gráficos integrados compartilham memória com o processador e não são tão poderosos quanto um componente dedicado. No entanto, ainda é a opção mais barata e também a que consome menos energia. A maioria dos notebooks, laptops e ultrabooks possuem esse tipo de tecnologia, uma vez que a vida útil da bateria é fundamental nesses dispositivos.

E aí que entra um processador dedicado especialmente para a renderização de gráficos em tempo real. Conhecida como Unidade de Processamento Gráfico (GPU), ela renderiza imagens, animações, vídeos e qualquer outro processo gráfico separadamente. Em termos de especificações, as referências que você deve buscar são o número de unidades de computação (assim como os núcleos de uma CPU), a velocidade bruta de clock e a quantidade de FLOPS (operações de ponto flutuante por segundo).

As GPUs de placa de vídeo possuem a própria RAM ou RAM de vídeo (vRAM). Ambas funcionam de forma semelhante à RAM principal do computador, mas lidam apenas com gráficos — e com as mesmas referências à velocidade e à largura de banda citadas no parágrafo anterior. Quanto mais memória RAM tiver a placa gráfica, mais pixels ela poderá renderizar ao mesmo tempo, permitindo que jogos de video game, por exemplo, rodem em resoluções mais altas e com taxas de quadros (fps) mais rápidas.

Hoje, as três maiores fabricantes de GPUs são Intel, que produz placas menos potentes e de baixo custo, e NVIDIA e ATI, que abrangem mais segmentos, desde o usuário comum até consumidores mais exigentes que buscam a melhor performance.

Memória RAM

A memória de acesso aleatório (RAM) é o local onde o seu computador fará a leitura dos arquivos armazenados dentro dele. A peça não guarda conteúdos de forma permanente, apenas interpreta os documentos quando requeridos e de forma não sequencial — por isso a nomenclatura "acesso aleatório". Imagine uma sala de estar, com sofá, tapete, mesa e outros móveis: eles seriam os arquivos do PC, enquanto a memória RAM seria a sala como um todo, reunindo os objetos.

Quanto mais memória RAM, melhor o dispositivo vai lidar com as tarefas em andamento. Se o componente fica sobrecarregado, o computador às vezes armazena os dados de que precisa no disco rígido mais lento. Vamos supor que você tenha cem guias abertas no navegador de internet: a primeira a sofrer as consequências de tantas janelas em operação é a RAM, já que o computador está tentando assimilar o que há em cada uma dessas guias abertas simultaneamente.

Na hora de adquirir um novo PC, procure saber quanto de RAM ele tem. Também se informe sobre as velocidades de clock, que ajudam a determinar a rapidez com que a RAM pode ler e gravar dados, bem como a quantidade de informações que a RAM pode manipular de uma vez. A latência, ou quão rápido a RAM responde aos comandos, também é uma especificação importante.

Outra característica para se levar em conta é o DDR (double date rate, ou taxa de transferência dobrada), uma tecnologia que permite que dois dados sejam transferidos ao mesmo tempo — neste caso, no mesmo ciclo de clock. Já estamos na quarta versão do DDR com a DDR4, que oferece velocidades de clock mais rápidas, menor consumo de energia e latência menor.

Outras especificações

Listamos os três componentes principais que você deve analisar quando for comprar um novo PC, mas obviamente existem outras especificações a considerar. O disco rígido, que é onde todos os arquivos ficam armazenados, é uma delas, mas daí vai depender do que você está procurando: um computador com espaço de sobra ou com espaço reduzido, mas suficiente? A placa-mãe é outro item, apesar de ajudar outros componentes a trabalhar juntos de forma mais rápida e eficiente, tem características que não fazem grande diferença no desempenho geral da máquina. Aqui, procurar por modelos distintos de placa-mãe pode ser vantajoso apenas se você estiver montando um PC do zero.

No mais, tudo vai variar com base nas suas preferências. Isso inclui tamanho do monitor, número de entradas USB ou cartão de memória, webcam integrada, entre outras funções.

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