A Tesla teria utilizado estatísticas de segurança infladas na tentativa de obter autorização de autoridades europeias para o lançamento da tecnologia Full Self-Driving (FSD) no continente, conforme revelou a Reuters nesta segunda-feira (15). Os dados foram enviados para reguladores de países como Suécia e Holanda. A Tesla ainda não se manifestou sobre a suspeita.
Pesquisadores independentes consultados pela agência de notícias afirmaram que a montadora de carros elétricos exagerou significativamente nas informações sobre o seu sistema de direção autônoma, dizendo que a ferramenta é até 10 vezes mais segura que a condução humana. Eles classificaram a prática como “marketing enganoso”.
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Dados contestados
Conforme documentos obtidos pela reportagem, a empresa de Elon Musk informou ao regulador de trânsito holandês (RDW), em 2024, que a presença do FSD tornou as estradas mais seguras. Modelos que usam a tecnologia percorreriam distâncias sete vezes maiores entre acidentes do que um condutor humano, em média, nos EUA.
- A tecnologia teria evitado cerca de 32 mil mortes e 1,9 milhão de feridos em acidentes automobilísticos nos locais em que está ativa, segundo a empresa;
- Para os especialistas, esses números são incorretos por se basearem na suposição de que toda a frota dos EUA seria substituída por carros da Tesla com FSD;
- Outro problema apontado é a comparação de acidentes envolvendo a ferramenta em situações graves, nas quais há o acionamento de airbags, com casos menos graves e de todos os tipos de veículos;
- Isso resultaria na falsa sensação de que a tecnologia parece mais segura do que realmente é, de acordo com o relatório.
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A RDW aprovou o FSD na Holanda após testes e discussões, e agora tenta a autorização em toda a União Europeia. Questionado, o órgão não se manifestou a respeito das inconsistências apontadas pelos especialistas, mas declarou ter realizado seus próprios testes e verificações em vias públicas.
A Agência Sueca de Transportes, que recebeu o pedido de autorização em abril, informou que considera além dos números e alegações da fabricante, levando em conta evidências apresentadas em geral. O órgão não disse quais outras provas foram apresentadas.
Tesla não se manifesta
Já o Conselho Europeu de Segurança nos Transportes se mostrou preocupado com a situação. A entidade comentou que a montadora precisa basear suas alegações de segurança em estudos feitos por universidades ou especialistas qualificados para iniciar o pedido de autorização.
Planejando usar o FSD para recuperar sua participação na Europa, a Tesla não se manifestou sobre as questões levantadas pela publicação.
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