Depois das aplicações para comunicação, multimídia e entretenimento (com telas de alta resolução e sensíveis ao toque), os celulares começam a dar os primeiros passos em direção às áreas da biotecnologia e da saúde com o CellScope, um projeto inovador — desenvolvido durante as aulas de óptica da Universidade da Califórnia, em Berkley — que tem por objetivo a construção de lentes microscópicas portáteis, acopláveis a aparelhos com câmeras.

Apesar da estrutura complexa, tudo o que o usuário final tem que fazer é pegar o celular e encaixá-lo na base com as lentes já montadas, garantindo que a câmera do aparelho fique corretamente fixada e alinhada. Uma vez ativada a função de câmera no aparelho é possível conferir as amostras, exatamente como no equipamento tradicional.

Driblando a questão financeira

Clínicas de tratamento, ambientes laboratoriais e o próprio equipamento de visualização e análise não são nada baratos. Se levarmos em consideração que a situação da saúde pública é precária a ponto de haver dificuldades para a compra de remédios em alguns países, torna-se óbvio que um investimento de grande porte — apesar de necessário — está muito distante da realidade.

Muitos locais ao redor do mundo enfrentam dificuldades com o sistema de saúde

Este custo é ainda mais elevado quando levamos em consideração a microscopia de fluorescência (essencial no reconhecimento e acompanhamento de doenças como a tuberculose e a malária, mais frequentes em locais subdesenvolvidos), já que há a necessidade de salas preparadas com lâmpadas especiais e muito treinamento para a equipe.

Lente de aumento moderado.Além do problema econômico, algumas regiões do mundo também são de difícil acesso ou não contam com profissionais de saúde suficientes para atenderem toda a população. Em algumas partes do Congo — de acordo com dados obtidos pela equipe de pesquisa em 2008 — a proporção entre habitantes e médicos era de 160.000 para um, muito abaixo da ideal.

A solução imediata

É justamente nestas questões que atua o CellScope: o profissional da área de saúde poderia prestar visitas periódicas, levando apenas o celular e o acessório para colher amostras e analisá-las imediatamente, com praticamente a mesma qualidade obtida no laboratório, contando com a máxima portabilidade possível.

Vale lembrar que o projeto ainda está em desenvolvimento, portanto ainda sem um “modelo” final de lente, mas todos os envolvidos esperam que a versão definitiva não pese mais que meio quilo e que ela não tenha mais que algumas polegadas de comprimento, tudo isso com o máximo de qualidade.

Existem também dois focos: uma lente com capacidade de ampliação média apenas para verificações na epiderme, como manchas, pintas e cortes (para acompanhamento periódico do problema) e outra lente com a ampliação microscópica, para análises sanguíneas.

Em um dos protótipos de alta ampliação foi aplicada uma iluminação específica de LEDs azuis, que em combinação com um reagente atua na iluminação apenas das bactérias causadoras da tuberculose (estas brilham na cor verde). Em seguida, o programa que roda direto do celular calcula a contagem delas e dá o diagnóstico atualizado em tempo real. Note que esta é exatamente a função da microscopia de fluorescência, que já passa a ser simulada pelo projeto CellScope.

Uma análise completa

Aproveitando as capacidades do próprio aparelho e também da rede telefônica sem fio, o profissional de saúde que colher as amostras tem também a opção de enviá-las direto do celular para qualquer lugar do mundo (incluindo laboratórios especializados), “driblando” a falta de recursos e de equipes locais para a análise, além da dificuldade de acesso.

Confira a conferência sobre o projeto acima.

As informações de cada paciente também ficam muito mais organizadas, inseridas diretamente no arquivo gerado e não nas tradicionais anotações em fichas, o que previne erros de leitura e agiliza a busca pelo banco de dados. Se um paciente voltar a ter problemas, todo o histórico é visualizado instantaneamente.

E como as imagens obtidas pelo programa desenvolvido já acompanham uma etiqueta de localização global (com coordenadas), é possível determinar com máxima velocidade se uma doença está se espalhando pela região.

Aqueles que desejarem saber mais sobre o assunto podem também acessar também a página de um dos chefes do projeto — o professor Daniel Fletcher — através deste link. Note que existem outras pesquisas bem interessantes, mas o conteúdo está em inglês.

E você, o que acha de todo este aparato tecnológico? Compartilhe sua opinião conosco deixando seu comentário. E fique ligado, pois nós traremos ainda mais novidades da biotecnologia em breve.
Até a próxima!

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