A tecnologia tem a capacidade inigualável de nos surpreender. Quando achamos que estabelecemos um padrão fixo para a concepção de algo (seja lá o que for), ela vai lá e nos mostra que aquilo pode ser construído de forma totalmente diferente – e às vezes melhor.

alguns meses, a Sharp comprovou essa tese apresentando protótipos de telas que não precisam respeitar o tradicional formato retangular. O Free-Form Display é uma tecnologia que permite que o LCD assuma qualquer forma, seja ela circular, quadrada, estrelar, triangular... Enfim, qualquer contorno que a criativa mente humana seja capaz de criar.

Rumores de que a Sharp, atual fabricante das telas 3D utilizadas no Nintendo 3DS, vai fornecer esse modelo de display à dona do pequeno portátil alimentam ainda mais a nossa imaginação: quais serão as possíveis aplicações para essa tecnologia?

Visor no formato de... rosquinha?

Essa foi uma das especulações que apareceram na matéria do BJ falando sobre a possível parceria entre a Nintendo e a Sharp. Mas como isso funcionaria? Seria possível (e prático) um display no formato de uma rosquinha?

Para entender bem esse conceito, é importante ter em mente um detalhe essencial nesse segmento: a tendência de utilizar o touchscreen que é seguida por quase todas as companhias do mercado tecnológico. A máxima é: o que você vê também é algo que você pode tocar, e isso te fornece um feedback (visual ou tátil). Portanto, é difícil imaginar a adoção do Free-Form Display deixando de lado a tecnologia de toque na tela.

Um display em formato circular (com um vazamento no meio, característica da rosquinha) poderia exibir um tipo de conteúdo limitado, mas esse não seria o foco. Com o consumidor segurando a “tela” na mão, que tipo de visualização a fabricante poderia mostrar para aproveitar esse display? Controles!

Um controle nesse formato poderia ser anatômico e exibir conteúdo totalmente dinâmico. O visor seriam os “botões”, aproveitando toda a tela touchscreen para mostrar objetos acionáveis ao toque. Consegue perceber a evolução por trás disso?

E que tal aplicar isso em smartphones e tablets?

O que muitos visionários provavelmente já imaginaram é a aplicação do Free-Form Display em tablets e smartphones. Afinal, qual é o dispositivo móvel que você conhece e que não tem uma tela no formato retangular? Porém, além das inúmeras formas que o display desses aparelhos poderia assumir, essa é uma aplicação diferente que imaginamos nessa categoria de aparelhos.

Já tentou jogar algum game que utilizava botões virtuais na tela do dispositivo? Jogos de RPG ou plataforma em que precisamos movimentar nosso personagem de um lado para o outro, por exemplo? É difícil, não é mesmo? Essas “imagens” de algo físico (os botões) jamais vão oferecer a experiência (além da facilidade e conforto) que um analógico pode dar.

Mas, em vez de usar um analógico mecânico, que tal transformar uma parte pequena do display em algo que consiga se comportar como um joystick? Somente um equipamento “todo tela” poderia ser capaz disso. E o melhor: seus dedos não vão ficar “na sua frente”, pois esse seria apenas o controle, e não a tela por onde todo o conteúdo é exibido.

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Sonhar é preciso

Apesar de ainda estar no campo das especulações, essa ideia não é impossível, e provavelmente não vai demorar muito para descobrirmos se esse é realmente um sonho distante. A Sharp planeja começar a produção do Free-Form Display ainda em 2016, adiantando o cronograma que estava previsto para iniciar em 2017.

Como será que a Nintendo utilizará essa tecnologia? E como o restante do mundo (especialmente fabricantes de smartphones e tablets) se comportará diante dessa, que pode ser a evolução da categoria de dispositivos móveis? Como sempre, aquele clichê batido: só o tempo dirá.

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