Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de que o motivo primordial para a existência das tecnologias de que dispomos atualmente é facilitar a vida da humanidade. Com suas devidas exceções, a grande maioria das invenções incorporadas ao nosso dia a dia é constituída por ideias que, em sua gênese, pretendiam tornar nossa existência mais confortável.

Porém, a humanidade já provou que nem sempre suas boas intenções surtem os efeitos desejados. Principalmente devido à falta de conhecimento, muitas vezes demora certo tempo para notarmos que novidades consideradas revolucionárias podem trazer em si a semente para o surgimento de doenças e outros perigos.

Neste artigo, pretendemos mostrar como muitas das tecnologias que incorporamos a nosso cotidiano são capazes de provocar problemas sérios à nossa saúde. O objetivo não é ser alarmista, mas sim provar que nem sempre é uma boa ideia usar aparelhos eletrônicos de forma indiscriminada.

Ar-condicionado: o arqui-inimigo de seus pulmões

Ninguém gosta de trabalhar em um escritório abafado ou ter que aguentar a água entrando pelas janelas nos dias de chuva. Porém, por mais útil que sejam os aparelhos de ar-condicionado, seu uso indiscriminado pode estar ajudando a destruir os pulmões de milhões de pessoas.

(Fonte da imagem: Reprodução/Padua Ar)

Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que sintomas como coceiras no nariz, garganta seca, olhos irritados e desconforto geral podem ser atribuídos a sistemas de refrigeração. O estudo mostra que o ar dentro de um edifício equipado com o dispositivo pode conter mais fungos e ácaros do que o externo, o que aumenta em até 10 vezes a incidência de doenças respiratórias.

Apesar de a manutenção periódica do equipamento e dos dutos de ar do local em que ele se localiza ajudar a diminuir o problema, a mera existência de um ar-condicionado já é suficiente para ter efeitos negativos. Segundo Gustavo Silveira Graudenz, médico alergista, o número de queixas em ambientes em que há o dispositivo são sempre maiores do que naqueles em que não há um sistema semelhante.

Os problemas mais comuns são consequências da contaminação de dutos de ventilação por fungos e ácaros. Além de causar incômodo, esporos espalhados pelo ambiente podem afetar a estrutura do sono dos empregados, o que ocasiona mal-estar e pode até mesmo comprometer seus sistemas imunológicos, favorecendo o aparecimento de outras doenças.

Tecnologia reduzindo a fertilidade

Você ostuma passar horas navegando na internet com um notebook apoiado no colo? Saiba que essa prática, com o tempo, pode se provar um verdadeiro perigo caso você pretenda ter filhos em algum momento do futuro.

(Fonte da imagem: Reprodução/ThinkStock)

Um estudo realizado por Yelim Sheynkin, urologista vinculado à Universidade do Estado de Nova York, mostra que o aquecimento excessivo do colo causa a diminuição da qualidade dos espermatozoides humanos. Somente 10 minutos de uso diário são suficientes para aumentar a temperatura dos escrotos em níveis perigosos — a única solução para o problema é sempre apoiar o aparelho em uma superfície distante do corpo na hora de utilizá-lo.

Além disso, os sinais Wi-Fi atuam como verdadeiros assassinos de esperma, diminuindo ainda mais sua qualidade. Segundo uma pesquisa liderada pelo argentino Conrado Avendaño, do Nascentis Medicina Reproductiva, a mera exposição à radiação eletromagnética das redes sem fio é suficiente para provocar o efeito indesejado.

Bebês hiperativos

Além de matar espermatozoides, o uso constante de redes sem fio também ameaça as mulheres grávidas. Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Yale, publicado na última quinta-feira (15 de março) pelo periódico Nature Scientific Reports, mostra que a radiação emitida por aparelhos eletrônicos é capaz de prejudicar o desenvolvimento do cérebro de bebês.

“O aumento que vem sendo observado na incidência de transtornos comportamentais em crianças talvez possa ser explicado em parte pela exposição à radiação do celular no útero”, afirma Hugh Taylor, um dos autores do projeto.

(Fonte da imagem: Reprodução/Diário do Congresso)

Durante o estudo, a equipe responsável submeteu ratas grávidas à radiação de um aparelho no modo silencioso, que recebeu diversas chamadas. Enquanto isso, um grupo à parte foi mantido sob as mesmas condições, mas com o dispositivo totalmente desligado.

Após analisar a atividade elétrica do cérebro dos animais e o resultado de testes psicológicos, os cientistas chegaram à conclusão de que aqueles que foram expostos à radiação eram mais propensos a se tornar hiperativos e ansiosos, além de terem uma capacidade de memorização reduzida. Isso se deve a alterações na maneira como os neurônios na região cerebral do córtex pré-frontal haviam se desenvolvido devido à influência da radiação.

Eletrônicos tóxicos

Talvez o maior perigo relacionado aos eletrônicos seja o fato de que nem todas as pessoas dispõem de maneiras apropriadas para se livrar de aparelhos antigos. Dessa forma, muitos gadgets são misturados ao lixo comum ou ficam abandonados no fundo de alguma gaveta, sujeitos à ação da poeira e da umidade.

Caso você se encaixe em algum desses casos, pode estar colaborando para expor sua comunidade e familiares a elementos tóxicos como o chumbo, mercúrio, cádmio e o berílio. O contato com uma dessas toxinas pode provocar efeitos que incluem danos cerebrais em crianças em desenvolvimento, prejuízos à maneira como os rins funcionam e diversos tipos de câncer.

Nada de pânico

Embora a cada dia que passa fique evidente o fato de que as tecnologias que tanto usamos podem nos prejudicar de alguma maneira, não há motivos para alarme. Afinal, pesquisas nesse sentido continuam apresentando resultados bastante contraditórios, e não é possível dizer ao certo se tais efeitos nocivos são irreversíveis.

A melhor forma de se precaver é usar aparatos eletrônicos de forma mais equilibrada, incorporando ao cotidiano atitudes bastante simples. Quando se trata de celulares, por exemplo, não custa nada evitar dormir com um aparelho próximo à cabeça ou se afastar de mulheres grávidas na hora de realizar uma ligação.

Assim como outras coisas boas podem nos prejudicar quando em excesso, a exposição exagerada a novas tecnologias aumenta os riscos de que surja algum problema. Dessa forma, é preciso ficar sempre com um pé atrás, ao menos até o momento em que pesquisas comprovem se há ou não necessidade de medidas preventivas mais radicais.

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