As configurações do mais novo integrante da família de smartphones da Sony realmente não são nada modestas. O Xperia Sola vem com tela Reality Display 3,7 polegadas, com Engine Bravia, mais um processador dual-core NovaThor de 1 GHz e configurações de som que incluem xLOUD e 3D surround. Mas o que realmente tem chamado a atenção para o novo gadget é a alardeada tecnologia Floating Touch.

Trata-se do sistema que permite a interação com aplicativos e páginas da internet sem sequer tocar na tela do aparelho — em uma distância de até 20 milímetros. Basta “flutuar” o dedo sobre a superfície da tela do gadget para realçar ícones, mover barras laterais e verticais, mais uma porção de utilizações que ainda devem despontar no horizonte da nova tela sensível ao toque da Sony (basta considerar os aplicativos para o Android, por exemplo).

(Fonte da imagem: Divulgação/Sony)

Embora a novidade ainda deva se provar como novo padrão tecnológico em potencial, não se pode negar a engenhosidade da parceria entre Sony e Cypress Technologies. Basicamente, o Floating Touch trabalha com uma cooperação entre as duas tecnologias de interação sensível ao toque atualmente em vigência, encontradas em qualquer celular com funcionalidades touch: autocapacitância (self capacitance) e capacitância mútua (mutual capacitance).

Dessa forma, esse deve ser um bom começo para entender o padrão que pretende definir o próximo passo da interatividade móvel.

A magia touchscreen: sensores em linha ou pontuais

Tanto a autocapacitância quanto a capacitância mútua têm seus pontos fortes e fracos. De fato, o novo Floating Touch pretende utilizar o “melhor de dois mundos” para virar a página da navegação móvel, em uma espécie de interatividade cooperativa — já que surge da convergência entre as duas tecnologias que tornam possível a existência de superfícies capacitivas (o que vale tanto para o lustroso iPhone 4S quanto para o mais modesto celular).

(Fonte da imagem: Reprodução/Sonymobile)

Ambos os padrões trabalham, em um primeiro momento, com o mesmo conceito. Para reconhecer os seus toques, uma tela sensível possui uma malha de eletrodos (sensores) compreendendo os eixos “X” e “Y” de um plano cartesiano. Cada vez que o dedo toca determinado ponto da tela, os sensores ali localizados têm sua carga alterada, o que permite a localização precisa do toque.

Ao comparar as medidas com os demais eletrodos, é possível determinar em que ponto, exatamente, a tela foi tocada. “Espera, capacitor? Capacitância?!” Ok, talvez seja interessante dar uma olhada mais de perto.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

  • Um campo elétrico na ponta dos dedos: a estrutura formada pelo encontro da tela sensível ao toque de um smartphone com os seus dedos é algo amplamente utilizado na eletrônica. A ideia é relativamente simples: trata-se de duas placas carregadas com cargas opostas (negativas e positivas) e separadas por um material isolante. O objetivo: armazenar energia na forma de um campo elétrico. De fato, é essa energia que será utilizada pelo seu celular para saber em que ponto afinal ocorreu o toque para abrir a sua conta de email ou ativar um ícone de aplicativo.

Mas autocapacitância e capacitância mútua divergem quanto às possibilidades de interação com a tela sensível ao toque. Enquanto esta permite que mais de um ponto da tela seja tocado simultaneamente, aquela fornece um sinal consideravelmente mais forte, embora seja incapaz de “compreender” toques simultâneos. Vejamos como isso funciona.

Capacitância mútua: vários toques, mas sem tanto “poder de fogo”

    (Fonte da imagem: Reprodução/Sonymobile)

    Em uma malha de capacitância mútua, cada interseção (confira a ilustração no tópico anterior) representa um capacitor de placas paralelas. Dessa forma, cada ponto de encontro entre os eixos acaba sendo também um sensor, o que acaba por permitir toques simultâneos sobre a tela.

    Contudo, como a área entre as duas linhas é relativamente menor, o campo elétrico resultante e, consequentemente, o sinal emitido são também pequenos. Isso torna a capacitância mútua efetiva para a navegação, mais pouco útil para captar movimentos que não cheguem a, efetivamente, tocar a superfície da tela.

    Autocapacitância: concentrando a energia em um único ponto

      (Fonte da imagem: Reprodução/Sonymobile)

      No caso da autocapacitância, cada linha vertical e horizontal representa um “imenso” sensor — sendo, portanto, muito maior que os capacitores em ponto da estrutura descrita no tópico anterior. Dessa forma, a detecção dos toques não ocorre mais em cada ponto, mas sim no cruzamento entre duas linhas.

      Quer dizer, se você clicar em um local em que sejam ativadas as linhas/sensores “Y0” e “X1” (confira a imagem acima), o sistema considerará que o ponto tocado será aquele localizado no cruzamento entre elas.

      Entretanto, há um revés bastante conhecido na utilização da autocapacitância. Basta tentar tocar a tela de um aparelho que utilize o padrão em dois pontos simultaneamente. O sistema simplesmente não conseguirá “reconhecer” os dois toques.

      Isso ocorre porque, ao tocar em dois locais diferente, quatro linhas do espaço cartesiano são ativadas de uma única vez (lembrando que cada uma é um sensor). Conforme mostra a figura, ao tocar, por exemplo, nos pontos “X1, Y0” e “X3, Y2”, a tela considerará quatro cruzamentos possíveis entre as linhas, dois reais e dois “pontos-fantasma”. É aí que surge o Floating Touch.

      Floating Touch: interatividade cooperativa

      (Fonte da imagem: Reprodução/Sonymobile)

      Caso tenha acompanhado os tópico anteriores, é provável que você já tenha induzido qual é “pedra angular” responsável pelo funcionamento da tecnologia que puxa as cordas no novo Xperia Sola. Basicamente, o Floating Touch coloca dentro do novo smpartphone da Sony as duas tecnologias anteriormente descritas, garantindo, assim, boa navegação e, é claro, a tão alardeada captura de movimentos flutuantes.

      Dessa forma, enquanto a capacitância mútua fica responsável por registrar as suas escolhas de navegação através do toque efetivo da tela, a flutuação do seu dedo é captada pela autocapacitância à distância máxima de 20 milímetros. Como consequência óbvia, é impossível que a tela do Xperia Sola registre múltiplos movimentos flutuantes — já que esta parte é garantida pelo sinal forte e restritivo da autocapacitância (confira o tópico anterior).

      Potencial e suporte

      De acordo com a Sony, o Floating Touch funcionará “perfeitamente bem” com todas as aplicações do Android. De fato, apenas os aplicativos que, explicitamente, “ouçam” a tecnologia reagirão a ela. Isso porque o sistema, ao mesmo tempo, aproveita os sensores capacitivos responsáveis pela navegação e baixa o limiar do registro de toques, permitindo a diferenciação entre as formas de navegação “normal” e “flutuante”.

      (Fonte da imagem: Divulgação/Sony)

      Quanto ao Xperia Sola, em particular, esse funcionamento é embutido no navegador, de forma que os “eventos flutuantes” (hover events) tenham suporte — com resultado semelhante à utilização de um ouse padrão. Ademais, a Sony garante que todos os sites que reajam a “eventos flutuantes” trabalharão perfeitamente com a tecnologia do novo Xperia.

      Enfim, agora é esperar para ver se há um novo padrão em ascensão... Ou apenas mais uma curiosidade tecnológica extravagante. Talvez a possibilidade de rolar a tela do navegador sem os temíveis toques acidentais permita apostar na primeira opção. Aguarde novidades aqui no Tecmundo.

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