Em 2014, os fãs do Sacramento Kings se viram ameaçados de perder um de seus principais times locais devido à crise pela qual a cidade passava. Dois anos após o governo local convencer o time a ficar, a equipe está próxima de estrear aquela que promete ser a arena de basquete mais tecnologicamente avançada do mundo — a Golden 1 Center.

Construída para parecer uma espécie de “Coliseu Romano moderno”, a estrutura surpreendente não vai se limitar a abrigar os jogos do time de basquete. A promessa é que a arena, construída em uma parceira entre a cidade e os Kings (com investimento próximo a R$ 4 bilhões), se torne um espaço comunitário capaz de trazer nova vida à área.

Prestes a ser finalizado, o projeto surpreende a partir de sua fachada, que conta com uma série de pequenos buracos que tornam difícil distinguir o lado interior do exterior. Portas gigantes semelhantes às usadas em hangares de avião podem ser abertas para permitir que qualquer pessoa do lado de fora observe o que acontece no centro da construção.

Experiência online

Antes de serem surpreendidos pela estrutura, os visitantes do novo estádio podem se maravilhar já no processo de compras de ingresso. Um aplicativo permite escolher o local em que você deseja sentar, obter dicas de lugares para estacionar e até mesmo conferir o funcionamento do sistema de ar condicionado — futuramente, votações vão permitir que os visitantes escolham a temperatura média do local.

O estádio surpreende já em sua parte exterior

Votações vão permitir que os visitantes escolham a temperatura média do local

Ao chegar no estádio, você pode entrar com um ticket virtual na tela de seu smartphone ou smartwatch e usar esses aparelhos para comprar um cachorro-quente ou um refrigerante (entregue em seu assento). Para os visitantes atrasados, o aplicativo oferece replays de jogadas interessantes e estatísticas, que também são exibidas em um telão central de 25 metros.

Ciente de que muitas pessoas não vão a uma arena simplesmente para assistir a um evento, o Sacramento Kings preparou uma estrutura de internet poderosa no local. Afinal, entre uma jogada e outra, é comum querer enviar mensagens de texto, registrar um vídeo no Snapchat ou uma foto no Instagram. “Essa é a nossa filosofia”, afirma o CTO Ryan Montoya. “Queremos que os fãs sejam limitados somente pelos seus próprios dispositivos”.

Para tornar isso possível, a arena abriga um centro de dados próprio, mais de mil quilômetros de fibra ótica e 482 quilômetros de cabos de cobre. Espalhados pela arena, centenas de pontos de acesso WiFi garantem que não vai haver uma área em que a conexão com a internet não esteja acessível.

Sistema à prova do futuro

“Muitos sistemas — pontos de venda, automação de prédios — usam WiFi porque é algo confiável”, afirma Matt Eclavea, vice-presidente de tecnologia do time. Segundo a equipe, toda a estrutura, somada a um sistema de distribuição de antenas gigantesco que espalha sinais de tecnologia por toda a estrutura, vai permitir o envio de nada menos que 500 mil Snapchats por segundo.

“Muito do que fizemos é pensando em um prazo de cinco anos”, explica Ecleva. “Quero colocar o que precisamos agora. É muito mais fácil fazer isso do que ter que lidar com a remoção de drywall”.

Um telão gigantesco garante a visibilidade de lances importantes

Confiante na durabilidade do projeto, ele afirma que a largura de banda oferecida pela nova arena só vai começar a ter sua capacidade máxima testada em questão de 10 a 20 anos. “Muitas das coisas que usamos não estão disponíveis comercialmente”, afirma — algo que faz sentido quando levamos em consideração que o presidente da Qualcomm, Paul Jacobs, é um dos principais investidores do time.

“Queremos ser anfitriões de eSports, corridas de drones e coisas como essas”, explica o CTO Ryan Montoya, “e para isso você precisa de muita banda”. Confiante na estrutura, ele afirma que figuras como Tim Cook e outros executivos podem usar o local para apresentar novos produtos sem ter que se preocupar com a qualidade do WiFi.

Energia limpa

Um dos aspectos que mais surpreende na nova arena do Kings é o fato de ela usar somente energia solar para funcionar. A intenção é ser o primeiro estádio com o selo LEED Platinum, a maior classificação do tipo que uma edificação pode receber. Para conservar água, a construção usa um sistema de banheiros de baixo fluxo, e um sistema de refrigeração localização na parte inferior do local garante que o processo ocorra de forma mais eficiente.

O time também vai contribuir com agricultores locais, responsáveis por fornecer todos os alimentos produzidos nas cozinhas. A intenção não é somente promover o time de basquete, mas também se tornar um símbolo de Sacramento e das oportunidades que a cidade tem a oferecer.

Uma das vantagens de apostar em softwares como base para o funcionamento do local é o fato de que upgrades são possíveis e relativamente fáceis de serem realizados. A estreia do novo estádio está programada para o dia 4 de outubro deste ano com um concerto de Paul McCartney.

Além da arena, equipes de construção estão trabalhando em um hotel de 16 andares e um shopping a céu aberto que vai abrigar lojas e restaurantes. O objetivo é trazer nova vida ao centro da cidade, fazendo com que a área volte a atrair investidores e visitantes, incentivando o turismo local.

A construção da arena segue a todo vapor

Caso tudo funcione, os fãs que visitarem o local em nenhum momento vão precisar pensar sobre a tecnologia empregada em sua construção. Eles simplesmente vão aproveitar os jogos, shows e apresentações usando somente seus olhos ou seus smartphones para falar com pessoas de fora — a esperança do Kings é que o fornecimento de uma ótima experiência seja ingrediente suficiente para convencer muitas pessoas a voltar ao local de forma constante.

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