Muito embora o dióxido de carbono (CO2) represente apenas 0,04% de todos os gases presentes na atmosfera da Terra, diferente do nitrogênio e do oxigênio, ele é capaz de absorver os raios de calor do Sol e deixar uma parcela deles entrar no planeta, causando o efeito estufa.

Como o aumento da temperatura geral no planeta é algo muito problemático (pelo simples fato de a própria vida na Terra depender de um clima específico para existir), cientistas estão sempre procurando novas maneiras de remover os gases estufa da atmosfera, de forma a controlar a temperatura global.

Um desses cientistas é Klaus Lackner, diretor do Centro Lenfest para Energia Sustentável, na Universidade de Columbia. Com a sua técnica, ele acredita poder resolver o problema do aquecimento global: usando uma árvore artificial capaz de absorver passivamente o CO2 do ar com as suas “folhas”, ele calcula que o processo seria 1 mil vezes mais eficiente do que a fotossíntese realizada pelas árvores de verdade.

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Árvores similares a colmeias

A principal vantagem dessas árvores de plástico, segundo Lackner, é o fato de elas não exigirem exposição à luz solar para imitar a fotossíntese de plantas reais. Dessa forma, as suas folhas não precisariam ser muito espaçadas, podendo até mesmo ficar sobrepostas. Ou seja, tais “árvores” poderiam ganhar um formato parecido ao de uma colmeia de abelhas, pois assim elas seriam ainda mais eficientes.

As folhas falsas seriam tão finas quanto papel e cobertas por uma resina contendo carbonato de sódio, o qual é responsável por sugar o dióxido de carbono do ar e armazená-lo como bicarbonato. Para remover o CO2 absorvido, as folhas poderiam ser lavadas com vapor de água e deixadas para secar ao vento, o que as faria absorver novamente o gás estufa.

Lackner acredita que cada uma dessas árvores é capaz de remover diariamente uma tonelada de dióxido de carbono da atmosfera. Então, com 10 milhões delas, seria possível extrair 3,6 bilhões de toneladas de CO2 por ano, o que representa 10% das emissões anuais do gás pelo mundo. Consequentemente, seriam necessárias 100 milhões de árvores para “anular” o valor total de emissões.

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Para onde vai o CO2?

Como o CO2 obtido a partir do processo pode ser esfriado e armazenado, uma preocupação pertinente dos cientistas é pensar em onde o dióxido de carbono seria colocado (no caso de ele ser completamente removido da atmosfera), sendo que não há espaço suficiente em aquíferos salinos e poços petrolíferos para isso.

Geólogos pensaram na possibilidade de usar o peridotito, mistura de rochas de serpentinito e olivina: ele suga o CO2 e o transforma em um mineral estável de carbonato de magnésio (o Sultanato de Omã tem uma montanha com 30 mil km³ de peridotito). Outra opção seria injetar o dióxido de carbono em bolhas de gás milenares contidas em penhascos de basalto, o que resultaria na formação de calcário (carbonato de cálcio).

Os processos mencionados acima ocorrem naturalmente, mas levam muito tempo. Para acelerar a reação, cientistas pensam em dissolver o CO2 na água, a qual seria altamente pressurizada para injetá-lo nesses minérios. Porém, Lackner acha essa mistura de água com o gás muito preciosa, e propõe outro processo para transformá-la em metanol e diesel.

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O preço da limpeza

Apesar de já existir a tecnologia para remover os gases estufa da atmosfera, e mantê-los fora dela, a real questão é se isso fica economicamente viável: não apenas o preço inicial de cada árvore artificial ficaria em torno de 20 mil dólares (preço de um carro popular nos EUA), mas seria necessário gastar entre 600 e 200 dólares para cada tonelada de CO2 removido.

Quando a produção das árvores fosse estabilizada, assim como a sua utilização, a tendência desses valores seria cair bastante. Pensando que o gás removido da atmosfera seria reaproveitável, companhias de combustível poderiam pagar cerca de 100 dólares para comprar cada tonelada de CO2 (que seria reutilizado para produzir ainda mais gasolina e afins).

Agora, resta saber se esses valores são realmente interessantes e, ainda, quem vai pagar por tudo isso. Caso a tecnologia dê certo, é possível que ela comece a ser vista como uma maneira eficiente de cumprir metas de carbono, “reduzindo” assim as emissões anuais do gás.

Fonte: BBC