Começamos este texto com uma proposta: que tal você anotar todo o lixo que produz em apenas um dia? Copos descartáveis, canudinhos, guardanapos, embalagens diversas, cascas de frutas e até mesmo os materiais eletrônicos que você decidiu aposentar. Para onde será que vai esse lixo todo? Será que tudo é reciclado ou será que muito desse material vai parar em aterros, poluindo solos e prejudicando todo o ecossistema?

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a Abrelpe, revelou que, em 2015, o Brasil produziu 64 milhões de toneladas de lixo, sendo que 24 milhões de toneladas tiveram destinos inadequados – para visualizar melhor o que isso quer dizer, imagine 168 estádios do Maracanã entupidos de lixo.

Mesmo que hoje tenhamos mais formas de promover a reciclagem de materiais diversos, ainda não é isso que acontece na prática, e para mudar esse cenário e ajudar nosso Planeta a respirar melhor, é preciso buscar novas formas de coleta e de tratamento de lixo.

Repensando a coleta

Com essa problemática em mente, a  ASM Corp está dando vida ao Clean, que é uma espécie de velocípede híbrido pensado para melhorar, e muito, nossos sistemas de coleta e de tratamento de lixo.

O velocípede tem um design inteligente, que conta com uma caçamba e foi idealizado para percorrer ambientes públicos, como parques e praças, para coletar o lixo e, já na própria caçamba, promover a separação dos materiais (plástico, papel, alumínio, vidro, pilhas e orgânicos) – ao todo, cada modelo é capaz de armazenar até 500 kg de lixo.

Uma vez que o carrinho tenha atingido sua capacidade máxima de armazenamento, a ideia é que ele seja esvaziado em uma central receptora, que fará o trabalho da separação, trituração e compactação do material coletado. Em seguida, tudo é enviado para centros de usinagem, que dão o destino certo a cada tipo de material – o lixo orgânico será transformado em insumo agrícola.

Benefícios para todos

Protótipo do Clean

Além de promover maior cuidado com as paisagens urbanas, tanto em termos visuais como pelo aspecto ambiental, o projeto prevê uma grande melhora nas condições de trabalho de pessoas que já fazem esse tipo de coleta de maneira informal e, muitas vezes, insalubre.

Assim que a ideia for viabilizada e colocada em prática, será possível que a própria população contribua e leve até os velocípedes o lixo que quiser descartar.

Outro ponto importante sobre o Clean é o fato de que ele próprio foi desenvolvido de maneira sustentável, com o uso de materiais recicláveis. O assento onde o trabalhador ficará foi projetado de modo ergonômico, e como a cabine é coberta, ele ficará protegido de Sol forte e também de chuva. O velocípede tem acessórios de segurança para o operador, e é totalmente sinalizado, além de ter itens como retrovisores e buzinas.

Além do pedal, o velocípede pode ser operado com auxílio de motor elétrico híbrido e funcionará por meio do aproveitamento de energia solar e cinética.

Dados importantes

O Lixão da Estrutural, em Brasília, deve ser fechado em 2017. Foto de Leopoldo Silva para a Agência Senado

Os idealizadores do projeto reuniram informações importantes sobre a produção e coleta de lixo em Curitiba. A capital paranaense, que tem 1,8 milhões de habitantes, produz 2,4 mil toneladas de lixo todos os dias – desse montante, 1,8 mil toneladas acaba indo parar em aterros sanitários e apenas 600 toneladas são recicladas. No Paraná, são produzidas 20 mil toneladas por dia, e 40% desse lixo poderiam – e deveriam – ser reciclados.

O projeto, que nasceu em 2009, já passou por estudos de viabilidade técnica, econômica e comercial. Atualmente, está perto de se tornar realidade, assim que a meta de financiamento seja alcançada e que consiga firmar parcerias com empresas privadas e governamentais. Conte para a gente o que você achou dessa ideia!

*Com informações da Assessoria