Os tanques de guerra, quando falamos no combate terrestre, talvez sejam os veículos mais icônicos da história. A ideia não é discutir se a guerra é boa, mas vamos mostrar para você como é sobreviver por um longo tempo dentro de uma máquina dessas.

O pessoal do Cracked conversou com Albert, um ex-oficial das Forças Armadas Canadenses que passou bastante tempo dentro de tanques Leopard no Afeganistão. Na época, Albert combatia forças terroristas do Talibã.

Abaixo, você acompanha em lista os principais pontos — e alguns são bem nojentos — de como é viver dentro de um tanque de guerra.

É mais provável que os soldados morram por causa do próprio tanque do que por inimigos

Problemas internas

"No Leopard 2, a metralhadora fica próxima da bomba hidráulica. Eu tive problemas com superaquecimento e o líquido hidráulico quente já foi pulverizado sobre minhas pernas, por exemplo", disse Albert. Sim: é comum tanques acabarem explodindo sozinhos. Além disso, Albert comentou que um amigo já quebrou o fêmur apenas porque estava se espreguiçando quando o comandante "girou" a torre de tiro — não há muito espaço dentro do tanque. Outro ponto "chato": como o interior é lacrado, caso ele se encha de fumaça por causa de algum problema, os soldados podem desmaiar.

O interior de um tanque de guerra é a coisa mais nojenta que você pode imaginar

Interior

Imagine o que são alguns homens passando longas e longas horas, até dias, até semanas, dentro de um espaço pequeno, fechado, apertado e quente. Conforto zero e higiene zero. Segundo Albert, o cheiro de urina é algo presente. A higiene fica por conta de lenços umedecidos, já que não há banheiros dentro do tanque — e em muitos casos não há como sair para se aliviar. Número 2? Apenas em sacos.

"Uma vez, fiquei doente e acabei defecando nas calças. Tive que esperar 14 horas para tomar um banho e me trocar", disse.

Os tanques, por incrível que pareça, também são bastante frágeis — mesmo com toda aquela armadura

Arrumando a casa

"Nós falamos que a cada hora dirigindo, gastamos três horas de manutenção", disse Albert. "Quando paramos, a parada serve mais para checar se não há nada frouxo ou vazando. Então, aproveitamos esse tempo para apertar parafusos e checar fluidos. É por isso que somos treinados para arrumar as coisas (mecanicamente falando) além de dirigir e atirar. Todos nós sabemos como resolver problemas comuns e algumas coisas a mais".

Para o tanque rodar sem problemas, segundo Albert, as 126 porcas de cada lado e as 82 sapatas de trilha precisam estar bem ajustadas — e não é incomum algo ficar solto, principalmente após combate.

Apesar de tudo isso, o tanque é provavelmente a máquina terrestre mais mortífera

Muito poder de fogo

É interessante saber que o tanque suporta muita porrada. E ele pode continuar lutando mesmo cheio de problemas, tanto que os oficiais classificam a "morte" em batalha de várias maneiras. Por exemplo:

  • M Kill: quando o tanque não consegue se mover, mas ainda atira 
  • F Kill: quando o tanque pode se mover, mas não atira 
  • K Kill: quando o tanque morre completamente

Albert nota que o M Kill é até mais comum, quando o tanque se torna uma arma mortífera estacionária: ele não se move, mas ainda pode explodir tudo que está ao redor. Porém, incapacitar as armas de um tanque é algo extremamente difícil.

Como exemplo, Albert explica que um míssil RPG praticamente não causa danos no veículo. Armas antitanque mais antigas também não funcionam, virtualmente falando. Bombas? Elas precisam ser muito potentes para causar algum dano real.

"A munição que disparamos do C2 pesam cerca de 20 quilos (...) E podemos acertar alvos com precisão com mais de 4 quilômetros de distância", comenta Albert sobre o poder de fogo.

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