O ano de 2015 começou quente. E não, não estamos falando da CES 2015 e das 20 novidades que você precisa conhecer, do Windows 10 e nossas primeiras impressões ou da chegada do WhatsApp para os PCs. Quando dizemos “quente”, fazemos referência às altas temperaturas que estão sendo registradas em várias regiões do nosso país, em especial no estado de São Paulo, lugar que ainda enfrenta uma seca bastante preocupante.

Uma prova de que essa situação não é uma exclusividade do Brasil é o fato de 2014 ter sido considerado o ano mais quente da história moderna – e lembre-se, ainda não terminamos o primeiro mês de 2015. O calor também foi responsável por derrubar a internet na Austrália e contribuir para um colapso de energia elétrica aqui no país. Mas a maior prova de que a situação está realmente “quente” é o registro recorde de pesquisas na Google pelo termo “ar condicionado”.

Ah, que calor!

O salvador da pátria

Por causa de sua praticidade e eficiência em refrigerar os ambientes, o ar-condicionado tem sido uma das maiores sensações dessa época do ano. Segundo estimativas do mercado, esse tipo de equipamento teve um aumento de vendas de 40% nos últimos meses. “De um ano para cá, houve um crescimento de 112% na comercialização de todos os tipos de ar-condicionado e climatizador nas lojas da Grande São Paulo”, comemora Luis Fernando Romeiro, gerente da linha branca e eletroportáteis do Extra à revista VejaSP.

Tendo em vista essa tendência “quente” dessa época do ano, o TecMundo resolveu criar este artigo para ajudar aquelas pessoas que estão pensando em adquirir um ar-condicionado, mas ainda possuem muitas dúvidas. Afinal, nem todo mundo nasceu sabendo qual é a diferença entre esse equipamento e um climatizador, para que serve o tal de “BTU” e por que colocamos o dispositivo em uma região alta dentro dos cômodos.

Ar-condicionado: praticamente essencial nos dias de calor.

Começando pelo básico: ar-condicionado, climatizador, circulador ou ventilador?

Apesar de o objetivo ser o mesmo – driblar o calor –, o funcionamento e tecnologia empregada em cada um desses dispositivos podem ser bem diferentes. Entender essa distinção vai ajudar os consumidores a escolher a opção correta e que se adéqua às suas necessidades. Afinal, são muitas variantes envolvidas e nem todos têm condições financeiras ou estruturais (para quebrar uma parede, por exemplo) de arcar com todas as alternativas.

Ar-condicionado

O xodó da galera e a preferência de quase todos os que querem contornar o forte calor, o ar-condicionado é o verdadeiro controlador da temperatura, permitindo determinar quantos graus um ambiente deve manter (dentro de um limite, é lógico). Para o correto funcionamento do equipamento, é preciso isolar o ambiente fechando portas e janelas.

  • Preço médio: entre R$ 700 e R$ 3,5 mil.
  • Principais vantagens: oferece um conforto térmico melhor, é capaz de refrigerar ambientes grandes e é adequado para qualquer condição climática.
  • Principais desvantagens: consome mais energia do que as outras opções e exige uma instalação de maior custo (executada por um profissional qualificado). Além disso, alguns modelos diminuem a umidade do ar no ambiente.

Ar-condicionado.

Climatizador

Geralmente confundido com o ar-condicionado, o climatizador tem o seu funcionamento mais parecido com o de um ventilador tradicional, apesar de possuir recursos extras. Além de promover a circulação do ar no ambiente, esse equipamento aumenta a umidade do ar através da evaporação da água. Dependendo do modelo, esses dispositivos podem diminuir até 5 °C e outros possuem até função de aquecimento.

  • Preço médio: entre R$ 300 e R$ 500.
  • Principais vantagens: ao contrário do ar-condicionado, o climatizador dispensa a necessidade de isolar o ambiente. Além disso, o equipamento pode melhorar a qualidade do ar e consome menos energia, podendo ser leve e compacto (dependendo do modelo).
  • Principais desvantagens: o climatizador não é indicado para regiões bastante quentes e úmidas e não promove uma refrigeração muito eficiente do ambiente, apenas ventilando e umidificando.

Climatizador.

Circulador

Este equipamento é destinado a distribuir o ar de forma homogênea para várias direções – diferente do que acontece com o ventilador. O circulador é a opção ideal para quem não gosta de ficar com o vento diretamente no rosto na hora de dormir, por exemplo, podendo ser portátil ou fixo no ambiente.

  • Preço médio: entre R$ 100 e R$ 400.
  • Principais vantagens: dependendo do modelo, não exige instalação e é perfeito para quem não quer ser incomodado com o barulho, pois é bastante silencioso, ou vento direcionado.
  • Principais desvantagens: é pouquíssimo eficiente para ambientes grandes e não promove uma grande redução na temperatura.

Circulador.

Ventilador

Opção mais tradicional e mais em conta entre as alternativas, o ventilador é provavelmente o mais conhecido de todos. Dependendo da potência, o equipamento é capaz de reduzir até 3 °C, mas, mesmo com a opção giratória, é direcionado para apenas um lugar, sendo mais indicado para uso individual. Possui vários modelos, podendo ser portáteis ou fixos na parede ou teto. Esses últimos são capazes de refrescar um ambiente de até 20 m² (dependendo da potência e tamanho das pás).

  • Preço médio: entre R$ 60 e R$ 450.
  • Principais vantagens: é a mais barata entre as opções e possui uma grande variedade de modelos. Além disso, geralmente é voltado para o uso individual.
  • Principais desvantagens: não umedece ou refrigera o ar e o vento só é direcionado para um único local.

Ventilador de teto.

A questão dos BTUs

Voltando para o foco desta matéria, vamos falar do ar-condicionado e da eterna dúvida sobre os BTUs. Essa sigla, acrônimo de British Thermal Unit (Unidade Térmica Britânica), indica uma unidade de energia não métrica bastante usada para esses equipamentos.

Apenas por curiosidade: 1 BTU é definido com a quantidade de energia necessária para elevar a temperatura de uma massa de uma libra de água de 59,5 °F para 60,5 °F, sob pressão constante de 1 atmosfera.

De quanto BTUs eu realmente preciso?

Como calcular quantos BTUs eu preciso?

O cálculo de BTU é uma questão que gera bastante dúvida e é essencial para determinar qual equipamento você deve adquirir para o seu cômodo. Escolher a quantidade de BTU incorreta pode fazer com que o ar-condicionado não resfrie adequadamente o ambiente ou, caso você exagere, resulta em um gasto de energia maior do que o necessário.

O cálculo de BTU deve levar em consideração as quatro regras a seguir:

  • Para cada metro quadrado do cômodo, multiplica-se por 600 BTU;
  • Cada pessoa adicional soma 600 BTU (a primeira não é contabilizada);
  • Cada equipamento eletrônico soma 600 BTU;
  • Se o cômodo ficar diretamente exposto ao sol, recomenda-se acrescentar mais 800 BTU para cada medida.

Exemplo: uma sala com 30 m² para três pessoas, dois computadores e que não está diretamente exposta ao sol vai precisar de um ar-condicionado de 20.400 BTU.

Cálculo: 30 (m²) x 600 (BTU) + 1.200 (BTU – para duas pessoas, excluindo-se primeira) + 1.200 (BTU – dois computadores) = 20.400 BTU.

Vale ressaltar que essa fórmula de cálculo leva em consideração os ambientes com pé direito padrão (aproximadamente 2,60 a 3 metros).

"Ah! Agora sei quantos BTUs eu preciso para refrigerar minha sala!".

Ar-condicionado de janela, split ou portátil? Qual a diferença?

Definida a quantidade de BTUs necessária para refrigerar o seu ambiente, ainda é preciso tomar mais uma decisão relacionada ao seu ar-condicionado: o comprador deve optar entre o modelo de janela, o split e o portátil. A seguir, descrevemos cada uma das variantes, para quem ela são indicadas e quais são as vantagens e desvantagens de cada uma. Vale ressaltar que há variações desses modelos, mas que se baseiam naqueles que serão mencionados.

Ar-condicionado de janela

Popularmente chamado de ar-condicionado de parede ou “janeleiro”, esse equipamento é a forma tradicional e menos tecnológica do aparelho. Seu funcionamento é simples: o dispositivo retira o calor do cômodo e o transfere para o ambiente externo.

  • Principais vantagens: oferece os preços mais baixos de ar-condicionado e, geralmente, são mais compactos. Além disso, sua instalação é mais simples se comparada à do modelo split.
  • Principais desvantagens: trabalha com (relativa) baixa capacidade, oferecendo modelos de 7 mil BTU a 30 mil BTU. Dependendo do tamanho do cômodo, ele não vai ser o suficiente. Além disso, o ar-condicionado de parede pode produzir bastante ruído.
  • Indicação: ambientes pequenos e em que os ocupantes não se importem com um pouco de ruído. Além disso, o equipamento vai exigir uma saída para o exterior, não sendo recomendado para casas próprias ou imóveis com probição para realizar mudanças estruturais.

Ar-condicionado de janela.

Ar-condicionado split

Como o nome pode sugerir, o ar-condicionado split – que significa “separado”, em inglês – é composto por duas partes: a evaporadora, responsável por lançar o ar gelado para o cômodo, e a condensadora, instalada no ambiente externo e que realiza o resfriamento do ar (também responsável pelo barulho).

  • Principais vantagens: além do baixo nível de ruído, o split apresenta os modelos mais modernos, sofisticados e bonitos da categoria. Com capacidades que podem chegar até 80 mil BTU, esse equipamento também se destaca por não exigir um trabalho de instalação muito grande, sendo necessário um buraco apenas para a passagem das tubulações.
  • Principais desvantagens: é o ar-condicionado mais caro. Sua instalação deve ser realizada por profissionais especializados, o que encarece o processo de manutenção do dispositivo.
  • Indicação: o split é indicado para ambientes grandes e que permitem reformas estruturais no cômodo para a passagem da tubulação. Apesar disso, ele funciona muito bem em ambientes pequenos e pode oferecer certa economia em relação ao ar-condicionado de janela. Ele também oferece um baixíssimo nível de ruído, perfeito para quem se incomoda com o barulho.

Ar-condicionado split.

Ar-condicionado portátil

O seu funcionamento se assemelha bastante ao do ar-condicionado de janela, retirando o ar quente para uma área externa. Oferece certo nível de ruído e é limitado para ambientes pequenos.

  • Principais vantagens: além da portabilidade, é fácil de instalar e pode ser colocado em qualquer lugar, desde que exista uma janela.
  • Principais desvantagens: limitado para ambientes de até 20 m², pode fazer bastante barulho e custar bastante caro. Em adição a isso, esses equipamentos também consumem muita energia elétrica.
  • Indicação: o ar-condicionado portátil é perfeito para quem não tem condições de fazer um furo sequer na parede da casa – condomínios e imóveis alugados enquadram-se nessa categoria. Além disso, ele é mais bem aproveitado se o cômodo não for muito grande, mas pode trabalhar em conjunto com outros equipamentos iguais.

Ar-condicionado portátil.

Qual marca devo escolher?

Para essa seção, não há uma resposta definitiva. Dependendo da época em que você esteja lendo este artigo, é provável que uma marca esteja se sobressaindo em relação às demais, quadro que pode se inverter nos meses seguintes. Portanto, não mencionaremos nomes e modelos específicos.

No entanto, isso não nos impede de dar dicas preciosas sobre o assunto. Na hora da compra, observe mais do que simplesmente o preço. Detalhes como maior capacidade de filtragem, o sistema para retenção de poeira e bactérias e a possível diminuição de odores podem ser recursos interessantes para integrar o equipamento.

Além disso, pesquise a reputação da marca e leia a análise de outros consumidores. Essa prática pode ajudar a evitar que as pessoas caiam no erro de comprar produtos que ocasionam muitos problemas com manutenção ou que gastam energia demais. Uma coisa nós garantimos: vai ser necessário pesquisar bastante se você quiser encontrar o ar-condicionado ideal.

"Ah, que delícia de ar-condicionado!".

Mitos e verdades sobre o ar-condicionado

A seguir, listamos alguns mitos e verdades sobre esses equipamentos que foram disseminados com o tempo.

  • O ar-condicionado não piora a qualidade do ar, pois apresenta filtros antimofo e antibactéria;
  • Esses equipamentos não prejudicam as pessoas que possuem problemas respiratórios – muito pelo contrário. Como são equipados com filtros que podem reter até 99,9% das impurezas e poeira, o ar-condicionado pode ajudar nesse sentido;
  • Por geralmente não virem equipados com funções de umidificadores, o ar-condicionado pode reduzir a umidade do cômodo onde está instalado;
  •  O ar-condicionado pode ser posicionado em qualquer ambiente da casa, desde que respeite as condições básicas de instalação (que varia conforme o modelo). Ele geralmente é colocado no alto porque o ar frio, mais denso que o quente, tende a descer criando o fenômeno chamado de convecção;
  • Alternar entre o modo “resfriar” e “aquecer” do ar-condicionado de uma hora para a outra pode prejudicar o funcionamento do produto. O aconselhável é que o equipamento seja desligado e permaneça assim por 3 minutos antes dessa mudança;

"Ar-condicionado: eu te amo".

  • Os filtros do ar-condicionado precisam ser limpos periodicamente, de acordo com o uso de cada equipamento. Em ambientes muito empoeirados ou próximos de grandes centros urbanos, é recomendada a limpeza a cada duas semanas;
  • O painel dos produtos pode ser limpo apenas utilizando um aspirador de pó, mas, para evitar riscos, utilize um pano seco macio. Não use produtos químicos ou água;
  • Ambientes com incidência de luz – e consequente aumento da temperatura – podem exigir mais do ar-condicionado para refrigerar um ambiente. Recomenda-se o uso de cortinas foscas para contornar o problema;
  • Janelas e portas abertas podem causar o mesmo efeito da incidência da luz. Por isso, evite abrir ou manter aberto o cômodo que está sendo refrigerado ou aquecido pelo ar-condicionado.

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