Não vamos te culpar caso você acredite que “bicicleta elétrica é tudo igual”. Embora exista há tempos na Ásia e na Europa, esse meio de transporte ainda não é tão difundido em nosso país, e o brasileiro ainda tem dificuldades para entender as diferentes tecnologias envolvidas nessa alternativa. Uma informação essencial que você precisa saber antes de prosseguir com a leitura deste artigo é que, atualmente, as pedelecs dominam o mercado.

“Mas o que é uma pedelec, TecMundo?”, você se pergunta. É um acrônimo para PEdal ELEctric Cycle, ou Bicicleta de Pedal Elétrico. Embora as bikes elétricas tenham nascido com aceleradores em seus punhos direitos — funcionando de forma semelhante a uma motocicleta —, elas vêm aos poucos sendo substituídas pelas pedelecs, cujo motor é ativado somente quando o ciclista faz esforço para girar os pedais.

Dentro desse setor, existe ainda a vertente sport pedelec, composta por magrelas esportivas. Outrora representado por marcas estrangeiras como Specialized, Scott e Trek, cujos modelos chegam ao Brasil por até R$ 28 mil, esse segmento acaba de ganhar um competidor de peso e que foi projetado por uma companhia nacional. Conheça a 3 TOROS 2017, uma bicicleta elétrica que vai fazer você ter orgulho de seu país.

Testamos um protótipo do modelo

Uma MTB de respeito

A 3 TOROS é, basicamente, uma MTB com aros 29er, quadro de alumínio, freios a disco, câmbio Shimano Deore de dez velocidades e uma Proshock Onix Dark, considerada por muitos como a melhor suspensão disponível no mercado. Seu motor elétrico impressiona por dois motivos: primeiramente, ele foi posicionado no movimento central da bicicleta, e não na roda traseira ou dianteira, o que faz com que a magrela seja bem mais estável.

Esse conjunto permite que a 3 TOROS atinja até 45 km/h

Além disso, ele possui potência programável que varia de 350W a absurdos 750W. Em conjunto com uma bateria de lítio recarregável de 48V, a 3 TOROS consegue atingir até 45 km/h e tem autonomia de, pelo menos, 40 km — sendo que esse número pode dobrar (80 km) dependendo do terreno, do peso do condutor e da calibragem dos pneus.

Essa monstruosidade foi desenvolvida pela General Wings, empresa brasileira fundada em 2009 por Ricardo De Féo, executivo que trabalhou durante oito anos como gerente comercial da Volkswagen. E foi no showroom da marca — uma simpática casa de aspecto familiar, localizada nos arredores do Parque Ibirapuera — que o CEO recebeu o TecMundo para explicar mais sobre o projeto. É claro que não perderíamos a chance de testar a novidade.

Especificações da bike impressionam

Um item para apaixonados por ciclismo

De acordo com De Féo, a ideia da 3 TOROS não é somente conquistar os ciclistas que já praticam MTB, mas sim atrair o público que é apaixonado por bicicletas, gosta do visual esportivo e deseja possuir uma magrela que represente o máximo de tecnologia existente no setor. “É como comprar um Porsche”, comparou o CEO. Ter um carro esportivo não significa necessariamente que você vai usar todo o seu potencial o tempo todo.

Para a primeira leva de fabricação em massa da 3 TOROS, a General Wings decidiu abrir uma campanha no Kickante que está oferecendo a magrela por R$ 11,8 mil. Pode parecer um valor absurdo, mas, ao comparar o modelo com bicicletas de perfil semelhante, você verá que o invento brasileiro custa até R$ 10 mil a menos do que, por exemplo, uma Specialized Turbo FLR.

A campanha é flexível, ou seja, as bikes serão entregues em outubro mesmo se o valor total requisitado pela companhia (R$ 295 mil) não for atingido. Para De Féo, a 3 TOROS vem com a missão de apresentar ao brasileiro aquilo que ele acredita ser a “terceira geração de bikes elétricas”, e o sistema de economia compartilhada ajuda a mensurar o público interessado no produto — além de reduzir o custo de fabricação pela metade.

“A bicicleta elétrica não existe para que você não faça esforço. A ideia é elevar o potencial do ciclista e permitir que você faça o que não era possível antes com uma bike tradicional”, explica o empreendedor. No momento em que esta matéria foi escrita, seis unidades da 3 TOROS já haviam sido vendidas, o que representa um total de R$ 59 mil para a campanha no Kickante.

 

Test drive

Pilotar a 3 TOROS é uma experiência incrível — a única coisa que vinha à minha mente durante o test drive era o termo “que absurdo”. O quadro projetado pela General Wings tem uma geometria interessante, mas que certamente não vai agradar a todos. O ciclista é forçado a pedalar em uma postura agressiva, que, embora seja benéfica para a estabilidade e o controle da magrela, não é tão confortável quanto um modelo de passeio.

A 3 TOROS é um orgulho para o mercado brasileiro

Em comparação com pedelecs tradicionais, a 3 TOROS se destaca por ter uma aceleração mais suave e natural — o motor posicionado no centro da bicicleta não cria a sensação de ser “puxado” (o que acontece quando ele é colocado na roda frontal) nem “empurrado” (quando inserido na roda traseira). Por outro lado, o veículo atinge altas velocidades com facilidade, e, dessa forma, é essencial tomar cuidado nas primeiras pedaladas.

O modelo conta com um painel LCD no qual é possível conferir a velocidade do momento, a quilometragem total, o horário e o nível de potência do motor (variável de 1 a 5). Se você acha que atingir 45 km/h em uma bicicleta é perigoso para o seu grau de habilidade no guidão, é possível configurar o motor para que ele limite sua capacidade para uma velocidade menor. Toda a operação do display é feita com o auxílio de três botões no punho esquerdo.

No geral, a 3 TOROS é uma bicicleta impressionante e se prova um orgulho para o mercado brasileiro. Porém, trata-se claramente de um produto para entusiastas quem amam bicicletas e gostam do estilo esportivo, tal como praticantes de MTB que procuram um produto inovador. De qualquer forma, não há dúvidas de que a magrela estreia uma nova categoria de pedelecs no Brasil e abre portas para outros modelos mais acessíveis e com um target mais amplo — a General Wings está de parabéns pela invenção!

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