Hoje vamos falar sobre o desafio global da comida. Vivemos em mundos paralelos: enquanto alguns têm acesso a maior sofisticação gastronômica, outros morrem de fome. A desnutrição é responsável por cerca de 45% das mortes de bebês. A segurança alimentar só existe quando todas as pessoas têm em qualquer momento acesso a quantidade suficiente de comida. Ainda assim, apesar de muitos sofrerem com a falta de alimentos, temos outro problema - a obesidade, que nos EUA é considerado um caso de segurança nacional.

Nós precisamos de mais alimentos, mas nossa capacidade produtiva está sendo afetada pelas mudanças climáticas e pode ser reduzida em até 25%. A previsão da IHS Global Insight é de que em 2050 precisaremos de uma produção 70% maior que a atual. Cerca de 1/3 dos alimentos são perdidos ou desperdiçados. Nos países mais desenvolvidos, o desperdício tende a ser ligado ao consumidor final, enquanto que nos menos desenvolvidos está relacionado a produção.

As áreas identificadas para inovação neste desafio foram:

  • 1 - Disponibilidade;
  • 2 - Acesso;
  • 3 - Preferência (preparação),
  • 4 -Estabilidade e
  • 5 - Utilização.

Entre as tecnologias utilizadas no problema de alimentação foram destacadas: Microbots, Drones, Big Data, Carne in vitro, sensores, comida impressa em 3D, fazendas verticais, alimentos geneticamente modificados e nutrição personalizada.

Para entender melhor esta realidade, conversamos com Mark Post, criador da carne in vitro. Para ele, a nossa paixão por carne é algo cultural, fomos criados para adorar carne. Aqui vão alguns números importantes:

  • Apenas 3% da população mundial é vegetariana;
  • 18% dos gases do efeito estufa estão relacionados a produção de carne, que também consome muita água;
  • 70% da área de cultivo também se dedica a produção de carne, sendo que as plantas cultivadas são utilizadas para a alimentação de animais.

Em 2050 a demanda por carne vai duplicar, o que é considerado insustentável. Assim, surgiu a ideia de produzir carne in vitro a partir de células tronco de bovinos. Esta solução consegue economizar cerca de 90% do uso de área de cultivo e água e 67% de energia quando comparado ao processo normal. O custo de produção da carne in vitro ainda é alto, mas acredita-se que irá reduzir drasticamente com o aumento da popularidade e produção deste tipo de carne.

Texto de Mariana Vasconcelos.

O TecMundo publicará toda segunda, quarta e sexta as experiências de Mariana na Singularity University, universidade sediada na NASA, EUA, onde ela conquistou uma bolsa de estudos para o Graduate Studies Program (GSP). Mariana é vencedora do concurso Call to Innovation 2015, da FIAP, com um aplicativo que ajuda a evitar o desperdício de água em plantações agrícolas.

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