Hoje começo falando sobre futurologia e previsões, assunto que o Paul Saffo nos explicou muito bem! Para ilustrar o conceito ele nos levou para a área externa da faculdade e pediu para nos organizarmos em uma fila, começando do mais otimista para o mais pessimista. Depois disso, ele pediu para que as pessoas que acreditassem que o principal fator de mudança e gerador de impacto fosse o indivíduo, andassem para frente até o limite da área de acordo com o grau de concordância. Aqueles que acreditavam que o principal fator influenciador fossem grupos, deveriam fazer o mesmo para trás. O resultado foi a seguinte imagem:

Ou seja, rapidamente conseguimos criar um cenário. O objetivo é mapear um cone de incerteza que engloba as possibilidades. Crie cenários rapidamente, crie de novo, para ter uma visão mais sistêmica do que está acontecendo e do que pode vir a acontecer.

Nossas previsões geralmente dão errado porque temos bias. Ou seja,  acabamos tendo nosso julgamento distorcido por estarmos intimamente envolvidos com a observação. Além disso, nós tendemos a reduzir o cone de incerteza ao invés de aumentá-lo.

A previsão é a aplicação do senso comum, são mais bem sucedidos aqueles que conseguem tomar decisão mais rápido com informações incompletas. É preciso disciplina e confiar na intuição, não importa se está certo, mas entender o que tem por dentro do cone de incerteza e as oportunidades. As ações do presente impactam o futuro!

As forças de mudanças

Além disso, é importante identificar as forças que trabalham nas mudanças: constantes (lei de Moore, Gravidade, etc.), Ciclos e Novidades/Inovação (coisas que nunca vimos antes e são difíceis de reconhecer pela falta de um padrão de referência, o segredo é procurar por coisas que não se encaixam). Não podemos ficar muito apegados quando identificamos alguma das forças, pois nenhuma delas sozinha vai gerar a mudança em todas as áreas, devemos buscar pelas interseções.

Existem 3 tipos de impacto quando essas forças se cruzam: cross dumping - forças se cancelam -; cross accelerating - o futuro geralmente acontece mais tarde do que o esperado, mas neste caso parte dele chega antes e impulsiona outras mudanças depois - e cross  amplifying, que vem no mesmo sentido e tem um pico muito maior de impacto.

É importante considerar também o que chamamos de “Wildcards”, são eventos que tem baixíssima probabilidade de acontecer, mas, caso ocorreram, o impacto é muito grande. A dimensão do tempo é um ponto essencial nessa hora, pois podemos ter uma certa assertividade no longo prazo, porém uma wildcard no longo prazo. As mudanças interessantes nunca são lineares!

Somente acertos?

A maioria das previsões são falhas porque superestimamos a rapidez com que ela vai ocorrer. Este desapontamento faz com que nos afastemos dessas teorias, achando que erramos pouco antes delas acontecerem. Este é um erro muito comum para Startups quando falamos de timing. Nesse sentido, Saffo recomenda que olhemos para coisas que estão falhando já faz tempo para tentar entender a questão do tempo e quais são os fatores que levam a estas falhas.

Por fim, o professor apresentou alguns fatores que antecedem o ponto de inflexão para a mudança. Eles são: contradições, inversões, coisas estranhas acontecendo e coincidências. Concluindo, a recomendação é para procurar coisas que não se encaixam, questionar suas hipóteses. Se alguém te dizer que não vai acontecer, tem grandes chances de algo acontecer e várias coincidências podem ser dicas para uma revolução.

Continuaremos a falar mais sobre previsões e os estudos futuristas para várias tecnologias nos próximos posts! Um abraço e até a próxima aula!

Texto de Mariana Vasconcelos.

O TecMundo publicará toda segunda, quarta e sexta as experiências de Mariana na Singularity University, universidade sediada na NASA, EUA, onde ela conquistou uma bolsa de estudos para o Graduate Studies Program (GSP). Mariana é vencedora do concurso Call to Innovation 2015, da FIAP, com um aplicativo que ajuda a evitar o desperdício de água em plantações agrícolas.

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