Embora tenha se estabelecido como o padrão quando se trata de mídia para a reprodução de vídeos em alta definição, o Blu-ray ainda não conquistou o posto ocupado pelo DVD tanto em número de aparelhos vendidos quanto de vendas de discos.

O principal fator responsável pela situação é o custo dos discos e aparelhos capazes de reproduzir a tecnologia, que ainda se mostram proibitivos para grande parte dos consumidores.
Um dos principais fatores que determinaram a vitória do Blu-ray sobre os competidores, especialmente o HD-DVD, foi a capacidade de armazenamento que os discos azuis possuem: um Blu-ray de camada simples é capaz de comportar até 25GB de conteúdo e atinge 50GB em dupla camada.

Toda essa capacidade de armazenamento significa a possibilidade de gravar vídeos e áudio sem nenhum tipo de compactação, o que garante ao usuário uma experiência confortável e realista na hora de assistir a um filme ou interagir com jogos. Porém, ainda são raros os casos em que a mídia foi utilizada em toda sua capacidade, ainda mais quando a camada dupla é utilizada.

Blu-ray com mais de 30% de espaço extra

Mesmo com toda a capacidade de armazenamento disponível atualmente, os engenheiros da Sony e da Panasonic desenvolveram um método que amplia o espaço disponível para gravação nos discos Blu-ray. A nova tecnologia de gravação permite gravar até 33,4GB em um disco simples, ou 66,8GB em camada dupla, o que representa ganho de espaço de mais de 30%.

Esse ganho em espaço é possível graças à tecnologia Partial Response Maximum Likelihood (Probabilidade Máxima de Resposta Parcial), ou simplesmente PRML. A tecnologia, que é totalmente compatível com os discos e leitores de Blu-ray disponíveis no mercado, não é exatamente uma novidade, mas só agora foi criado um método de avaliação adequado para as mídias que utilizam o PRML como método de gravação.

A maior dificuldade enfrentada pelos engenheiros foi lidar com a taxa de erro que surge durante a leitura e gravação utilizando o PRML. Ao contrário da técnica convencional, que estima a taxa de erro baseada no jitter surgido, o método de alta densidade utilizado faz com que seja impossível obter uma correlação confiável entre esses dois valores, o que torna impossível gravação ou leitura através do método tradicional.

Para entender o que é jitter, é preciso levar em conta que arquivos raramente são enviados de maneira total de um local para outro. Durante a gravação de um Blu-ray, por exemplo, os dados são divididos em uma série de pacotes que possuem informações sobre a ordem correta em que devem ser organizados pelo leitor na hora de reproduzir vídeos.

O jitter acontece quando alguns pacotes de dados são perdidos durante a leitura, o que resulta em problemas como ruídos ou impossibilidade de prosseguir a reprodução da maneira desejada.

Como o valor do jitter não serve como uma base confiável para a correção de erros quando a técnica PRML é utilizada, a Sony e a Panasonic tiveram de desenvolver uma nova técnica para a análise e correção de erros, que foi batizada como Maximum Likehood Sequence Estimations (Índice de Avaliação de Estimava de Sequência de Máxima Probabilidade), ou simplesmente i-MLSE.

O i-MLSE foi desenvolvido com o objetivo de ser uma forma de avaliação de erros mais precisa do que o jitter, e apresenta uma forte correlação com a taxa de erro mesmo durante a leitura ou gravação de discos de 33,4GB utilizando a técnica PRML.

Os engenheiros responsáveis pela nova técnica se certificaram de que os dados apresentados fossem simples o bastante para que pudesse ser compreendida de maneira relativamente fácil, assim como acontece quando o jitter é levado em conta nas técnicas de gravação e leitura tradicionais.

Tecnologia compatível com os aparelhos atuais

O principal problema enfrentado pelo i-MLSE é que os cálculos utilizados para medir a taxa de erro são muito mais complexos se comparados com os utilizados pela técnica tradicional do jitter. Dessa forma, os desenvolvedores ainda têm pela frente o desafio de torná-lo possível de ser processado em tempo real, assim como acontece com a avaliação do jitter. Porém, isso não deve ser nenhum problema quando se leva em conta a evolução constante do hardware dos aparelhos responsáveis pela reprodução de discos em Blu-ray.

Não será preciso trocar o aparelho Blu-ray para utilizar a nova tecnologia

Quem já aderiu à tecnologia dos discos azuis não precisa se preocupar com a possível compra de um novo aparelho de leitura específico para os discos com a tecnologia PRML. Segundo as previsões otimistas apresentadas pela Sony e Panasonic, a grande maioria dos dispositivos disponíveis no mercado é compatível com a tecnologia, e bastariam o download e a instalação de um novo firmware para que a leitura dos discos fosse possível.

Ainda não existe previsão para que os discos compatíveis com a tecnologia sejam lançados, mas a Sony deve propor a adoção do i-MLSE na Blu-ray Disk Association ainda em 2010. Como a companhia é um dos principais fabricantes de Blu-ray do mundo, não será nada surpreendente se o padrão for aceito sem ressalvas.

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