A Sony já vinha com uma tradição nos últimos dois ou três anos de lançar smartphones novos com preços bem salgados no Brasil. Esse apelo pouco popular da marca fez com que a crise a pegasse de jeito, e a japonesa precisou parar de fabricar no Brasil. Agora, todos os seus smartphones atuais são importados, e isso custa caro para o bolso de quem compra. Dito isso, podemos afirmar que o Xperia E5 é uma triste vítima dessa nova dinâmica.

Com seu preço flutuando entre R$ 1,2 mil e R$ 1,4 mil, ele normalmente fica para trás em comparação com seus principais concorrentes, que conseguem entregar mais pelo mesmo preço por conta da fabricação nacional. Mas então existem motivos para investir em um Sony Xperia E5? Descubra a seguir.

Desempenho

A maioria dos concorrentes desse modelo da Sony, que ficam na mesma faixa de preço, conseguem entregar um bom desempenho para os padrões atuais. Eles normalmente possuem chips intermediários mais premium e mais RAM que os intermediários tradicionais. Mas esse não é o caso do E5.

De forma alguma estamos dizendo que ele é travado a ponto de ser terrível de usar. Pelo contrário, trata-se de um dispositivo com interface normalmente fluida e bem responsiva. Só passamos por dificuldades em poucos momentos, e as travadinhas foram bem curtas. Contudo, esse tipo de coisa normalmente não acontece em aparelhos dessa faixa de preço, por isso o E5 fica devendo.

No geral, conseguimos usar o smartphone para tarefas cotidianas sem nenhuma dificuldade. Dá para jogar games básicos, usar apps de redes sociais, mensageiros e navegar na web eventualmente com certa agilidade. Conseguimos até jogar alguns títulos intermediários de forma lisa, como Horizon Chase. Contudo, como era esperado, os mais pesados ficaram com gráficos prejudicados, como foi o caso de Modern Combat 5.

O game em questão até rodou certinho, sem muita lentidão ou coisa do gênero, mas o visual ficou bem diferente do que o original do game. Agora confira o desempenho nos benchmarks.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Xperia E5 a cinco aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6, Basemark X, GFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Basemark X tem como foco principal mensurar a qualidade gráfica dos dispositivos. Baseado na engine Unity 4, o app aplica testes de alta densidade, mostrando qual dos aparelhos se sai melhor na execução de jogos. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

Esse é certamente o ponto mais chamativo do E5. Ele é um smartphone bonito, simétrico e, quando você o segura nas mãos, dá para notar uma boa sensação de qualidade. Apesar de ser todo de plástico, ele é bem rígido e tem um acabamento impecável. Essas qualidades são aspectos em que a Sony vem trabalhando muito bem ao longo dos anos e que transparecem nesse dispositivo.

Ele é bem rígido e tem um acabamento impecável

Nós testamos a versão branca de um chip apenas. Diferente de outros modelos brancos, esse aqui não tem uma constelação de pontinhos pretos na parte da frente. Isso deixa o dispositivo bem coeso e aproveita a elegância da cor. A Motorola, por exemplo, nunca conseguiu esse tipo de coisa com seus top de linha brancos, que possuem painéis frontais terrivelmente pintados com pontinhos para todo lado.

Temos que destacar também que a textura do plástico que envolve o corpo do E5 é bem suave e não fica com muitas digitais marcadas. Na verdade, essa textura tem um efeito colorido bem bonito que você nota quando gira o dispositivo de um lado para o outro contra a luz. Um toque bem interessante e muito bem-vindo nessa categoria de smartphones que, salvo poucas exceções, tem designs bem simples.

Outro detalhe interessante que notamos é que, em vez de grudar um adesivo ou de fato estampar informações obrigatórias na traseira do aparelho, a Sony resolveu encontrar uma saída mais elegante. As etiquetas de serviço do E5 ficam escondidinhas dentro da gaveta de chips e cartões de memória.

Tela

Esse quesito sempre foi um ponto forte da Sony, mas não é exatamente um deles no Xperia E5. Seu display tem 5 polegadas com resolução HD e tecnologia IPS, mas não é o suficiente para concorrer com as telas Full HD de mais de 5 polegadas que estão surgindo nessa categoria em 2016. É uma tela OK tentando correr atrás de bons displays.

É possível notar de cara a resolução menor e também um pouco de distorção nas cores. Tudo fica meio esbranquiçado e com pouco apelo visual. Talvez a Sony pudesse ter calibrado melhor essa tela para que ela ficasse mais saturada, mas esse problema pode ter a ver com a intensidade do brilho da tela.

O display do E5 é muito brilhoso

O display do E5 é muito brilhoso. A gente aposta que dá para usar essa tela em pleno verão com aquele sol de rachar na praia. Se você usar todo o brilho em um quarto escuro, seus olhos podem ficar “bugados” por um instante. Essa luminosidade toda pode ter a ver com as cores meio lavadas, mas não há como afirmar isso com certeza. Ademais, ela consegue representar informações com certa fidelidade, o considerado suficiente para um aparelho intermediário.

Software

A Sony é conhecida por oferecer uma interface bem personalizada sobre o Android, e estamos falando isso de forma positiva. Todas as intervenções trazem um estilo próprio para o sistema da Sony, com ícones e menus bem elaborados. Algumas telas com pequenas ilustrações também agradam e deixam tudo mais amigável.

Vale destacar alguns itens, como a tela de bloqueio com um relógio bem estiloso e o fato de que, quando você desliza para a esquerda, é possível digitar a sua senha ou o PIN sem pressionar o “Ok” e desbloquear o sistema. Pode parecer uma trivialidade, mas deixa a interação mais rápida, especialmente quando não há leitor de digitais.

Outra coisa interessante é poder acessar a gaveta de apps arrastando o dedo na tela inicial de cima para baixo e editar os atalhos da barra de notificações mesmo usando o Android Marshmallow. A tela de configurações também é organizada e tem ícones muito comunicativos. Você consegue inclusive trocar o tema da interface por ali.

Câmeras

Este é outro ponto negativo do Xperia E5. Você tem que fazer um grande esforço para tirar boas fotos com ele e, mesmo assim, os resultados nem sempre são bons. O foco nunca fica do jeito que você quer, elementos em movimento parecem sempre um pouco borrados e a velocidade de captura é muito lenta.

Em uma época em que até as câmeras de aparelhos intermediários estão fazendo boas fotos, a Sony começou a regredir

Em uma época em que até as câmeras de aparelhos intermediários estão fazendo boas fotos, a Sony começou a regredir nesse departamento. Isso é ainda mais evidente em fotos noturnas, que ficam simplesmente terríveis em praticamente qualquer situação. Ah! E nunca tente dar o E5 para um garçom fazer uma foto sua e de seus amigos em um bar ou restaurante, pois o resultado pode ser péssimo.

Vale destacar que, sempre que fazemos testes com as câmeras do smartphones, só fotografamos no modo automático, que é o que as pessoas de fato usam do no dia a dia. O E5 até tem um modo manual para profissionais ou usuários mais entendidos darem uma fuçada, mas não podemos colocar as imagens feitas com ele aqui, pois nossa prioridade é apresentar uma dimensão dos resultados cotidianos dessa câmera.

Na parte de trás, o sensor tem 13 MP e abertura f/2.0, o que deveria ajudar em situações com pouca iluminação. Na parte da frente, há um sensor tradicional de 5 MP e f/2.4. Suas selfies só ficam de fato boas sob luz natural. Em ambientes fechados, tudo parece meio esbranquiçado.

Bateria

Apesar de ter uma célula de apenas 2.300 mAh, este aparelho da Sony tem uma boa autonomia. A marca informa que ele consegue ficar até dois dias longe das tomadas, mas, em nossos testes, isso não pôde ser verificado. Mesmo com uso bem básico (apenas mandando mensagens, navegando na web e em apps de redes sociais) só conseguimos algo em torno de um dia e meio. E isso contando o tempo em que ele ficou em modo economia de bateria (Stamina).

Apesar de a Sony ser muito otimista, poucos aparelhos dessa categoria conseguem tal feito. Tire como exemplo próprio Quantum FLY, que tem uma célula de 3.000 mAh e luta para chegar ao fim do dia com carga em condições similares.

Se a bateria chegar aos 15% finais, dá para usar o modo Stamina, que faz essa energia durar mais umas 5 ou 6 horas em repouso

Isso quer dizer que, caso você use o E5 apenas para atividades cotidianas, sem jogar muito ou ficar fazendo muitas fotos, ele vai durar até o fim do dia com muita folga. E se você chegar aos 15% finais, dá para usar o modo Stamina, que faz essa energia durar mais umas 5 ou 6 horas em repouso, o que é um grande feito.

Entretanto, em condições mais exigentes, a bateria do E5 deixa a desejar. Em nosso teste executando vídeo continuamente, com WiFi ligado e brilho da tela no máximo, esgotamos uma carga inteira do dispositivo em apenas 3 horas e 34 minutos. O FLY resistiu 2 horas a mais no mesmo teste.

Som e extras

Esse smartphone pode ser adquirido em duas versões: uma single e outra dual SIM. Ambas possuem rádio FM, mas nenhuma vem com fones de ouvido na caixa. Isso é curioso porque não é possível ouvir rádio sem os fones conectados, já que eles funcionam como antena para o recurso. O software do rádio, entretanto, é bem intuitivo e fácil de usar.

Sem fones de ouvido

O alto-falante do dispositivo não consegue fazer um som muito alto e a qualidade da reprodução não é muito boa também. Tudo fica com um pouco de ruído, o que faz o dispositivo não ser interessante para ouvir música sem fones. Fora isso, quando você vai jogar com o aparelho orientado na horizontal, é muito fácil cobrir a única saída de som com os dedos, deixando o aparelho completamente mudo.

Vale a pena?

Dá para responder essa pergunta de forma direta: pelo preço que o E5 está custando hoje, não vale a pena. Ele é claramente um concorrente inferior aos demais nessa faixa de preço e precisa ser reposicionado para fazer sentido para o consumidor. Claro que, se você for fã da Sony ou gostar muito do design, ele não tem um preço proibitivo nem nada.

Claramente um concorrente inferior aos demais nessa faixa de preço

Contudo, entendemos que não dá para pagar algo entre R$ 1,2 mil e R$ 1,4 mil em um smartphone que não consegue acompanhar seus concorrentes em desempenho nem tira boas fotos.

Sim, o E5 é bonito e tem uma boa autonomia de bateria para usuários básicos, mas isso não justifica seu preço atual. O E5 vale algo em torno de R$ 1 mil na melhor das hipóteses, e isso porque Moto G4 Plus, Galaxy A5 2016 e Quantum FLY oferecem mais que ele e custam praticamente o mesmo.

O Xperia E5 não é um smartphone ruim, mas os seus concorrentes estão bem à frente

O Moto G4 Plus tem um bom desempenho, boa autonomia e uma série de pequenas funcionalidades inteligentes. O FLY tem câmera OK, design interessante e boa tela. O A5 2015 tem uma qualidade de construção melhor que a do E5 e uma câmera excelente para a categoria. Os três têm leitor de digitais e alguns outros extras.

O Xperia E5 não é um smartphone ruim, mas os seus concorrentes estão bem à frente, e a Sony deveria cobrar mais barato por ele. Do jeito que está, não dá para recomendá-lo para quem está atrás de um bom intermediário.

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