A equipe do DHPP responsável pela mudança tecnológica, com a delegada Elisabete Saito na ponta esquerda. (Fonte da imagem: Reprodução/Veja)

Infelizmente, a polícia de Santo Amaro (São Paulo) precisa lidar com diversos casos de homicídio em que a vítima acaba desfigurada. Além de isso ser algo realmente triste e traumático para a família do falecido, esse tipo de situação também dificulta consideravelmente a identificação da pessoa.

Pensando em facilitar este processo de trabalho e solucionar casos do gênero citado acima, a delegada Elisabete Sato — diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (DHPP) — decidiu investir em recursos tecnológicos de ponta. E é claro que essa iniciativa não saiu de graça, tanto que ela custou R$ 160 mil aos cofres do governo paulista, algo considerado barato em reformas como essa.

Usando recursos cinematográficos...

Devido a isso, a DHPP obteve softwares para a criação de rostos digitais que são utilizados também na indústria do cinema e com aparelhos com telas sensíveis ao toque — um deles, o ZBrush, chegou a ser usado na produção do filme “Avatar”, ganhador do Oscar de efeitos especiais. Tudo isso resultou no primeiro laboratório de artes forenses do Brasil com o que é necessário para o trabalho com retratos em três dimensões.

O caso que incentivou Sato a começar todo esse trabalho foi o de uma criança encontrada morta no começo de 2012, vítima de um golpe forte na cabeça. A menina tinha por volta de 5 anos e contava com acessórios e roupas bem cuidados, mas acabou sendo enterrada como indigente. Isso intrigou a delegada, que desejou recriar o rosto da vítima, projeto que demorou oito meses para ser concluído.

As etapas do trabalho

Para que um rosto possa ser feito, os softwares trabalham com mais de 10 mil moldes de nariz, boca, olhos e outros elementos que formam a face humano. Essas características são escolhidas e combinadas conforme depoimento de testemunhas, familiares e até mesmo com base nos resultados alcançados pelo IML por meio de tomografias.

Com isso, a polícia brasileira utiliza padrões pré-determinados de preenchimento de gordura, músculos e pele concebidos pelo FBI (os elementos marcantes da face são inseridos depois desta etapa). Em seguida, os especialistas adicionam textura e brilho de pele, além de assessórios e até mesmo marcas de nascença.

A prova real de tudo isso

O rosto criado para solucionar o caso do motorista falecido com 55 anos. (Fonte da imagem: Reprodução/Veja)

Todo o investimento do governo precisava ter algum tipo de retorno. Por conta disso, o pessoal do DHPP foi testado no fim do mês passado, no caso de um esquartejamento em que a cabeça encontrada havia recebido muitos danos. Devido a recriação digital do rosto, a polícia descobriu que a vítima era um motorista de 55 anos, envolvido em um caso problemático com uma ex-prostituta — e a família reconheceu o falecido sem precisar entrar em contato direto com o cadáver.

Apesar disso, o caso descrito acima não deve ser ser o foco principal da DHPP. Segundo o que foi dito pela delegada Elisabete, 7 mil pessoas desaparecem no estado de São Paulo, sendo que menos de mil são achadas. O que a policial deseja é utilizar o sistema adquirido para dobrar essa expectativa de sucesso através do envelhecimento de fotografias e trabalhos deste gênero.

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