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Loja para Android acusa Google de mentir sobre novas regras de instalar apps

Para o F-Droid, exigência de registro acaba com o chamado sideloading nos aparelhos; empresa cita questões de segurança ao adotar medidas.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule29/10/2025, às 11:00

updateAtualizado em 29/10/2025, às 11:42

Uma popular plataforma que serve como loja alternativa de aplicativos no Android criticou as novas políticas de proteção da Google. Segundo o F-Droid, a gigante está mentindo sobre as alterações que passam a valer no ano que vem.

Em uma postagem no blog oficial da loja, os desenvolvedores contestaram os argumentos da empresa para implementar um registro obrigatório para a distribuição de apps no Android a partir de setembro de 2026.

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A principal acusação é de que a companhia não foi honesta ao dizer que o sideloading no Android continuará existindo. O nome se refere à instalação de aplicativos no sistema operacional fora da Google Play Store — via o download do arquivo no formato APK ou por lojas de terceiros.

Os argumentos do F-Droid contra a nova política

De acordo com a postagem do F-Droid, as novas regras de registro obrigatório acabam com o sideloading por entregarem para a Google o controle final sobre quais aplicativos podem ser distribuídos na plataforma.

  • Sem a aprovação da Google, que precisa dar um "OK" para cada nova ferramenta, não deve mais ser possível baixar e instalar APKs individualmente ou em lojas teceiras;
  • Cada desenvolvedor terá que se registrar com a Gogole, pagar uma taxa, entregar um documento de identidade válido e concordar com termos de serviço que se alteram a todo momento;
  • Entre as condições, está "enumerar todos os identificadores de futuros e atuais aplicativos" e também "enviar evidências da chave privada de acesso" dessas ferramentas, além de esperar a aprovação da Google;
  • Até mesmo o termo 'sideloading' é criticado, pois dá a ideia de que a ação é algo paralelo, quase irregular — quando ela é apenas uma instalação por fora da Play Store, assim como o usuário faz com programas no Windows;

"Você, o criador, não pode mais desenvolver um app e compartilhá-lo diretamente com amigos, família e comunidade sem antes buscar a aprovação da Google", denuncia a F-Droid. A postagem cita ainda que essa é uma forma de "ceder os direitos dos cidadãos e a própria soberania digital a uma companhia" que pode até remover apps solicitados por regimes autoritários, por exemplo.

O F-Droid montou uma página com orientações para consumidores dispostos a reclamar com órgãos de defesa do consumidor, além de um abaixo-assinado aberto à comunidade. No caso do Brasil, as autoridades que podem ser acionadas incluem o Procon e a Senacon.

O que diz a Google

Em uma postagem no blog para desenvolvedores do Android, a Google argumentou que o sideloading "é fundamental para o Android e não vai embora". A empresa diz ainda que as mudanças são todas baseadas em segurança e para "proteger os usuários de atores mal intencionados, não limitar escolhas".

A fala da Google está baseada na descoberta de cada vez mais malwares para Android que infectam o aparelho ao serem instalados via APK. Por outro lado, a própria Play Store também com frequência hospeda ferramentas falsas que se revelam mal intencionadas.

A empresa garante ainda que a experiência de usar o Android Studio para desenvolvimento não será alterada, mesmo para pessoas não registradas. Além disso, ela ainda prometeu disponibilizar uma conta gratuita para criadores que só vão distribuir um app para "um número limitado de dispositivos" e não querem enviar um documento de identidade.

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Perguntas Frequentes

O que é o F-Droid e por que ele criticou a nova política da Google?
O F-Droid é uma loja alternativa de aplicativos para Android que permite a instalação de apps fora da Google Play Store. A plataforma criticou as novas regras da Google por considerar que elas acabam com o sideloading, ao exigir registro obrigatório de desenvolvedores e aprovação prévia da empresa para distribuição de apps, o que, segundo o F-Droid, compromete a liberdade digital e a soberania dos usuários.
O que é sideloading e por que ele está no centro da polêmica?
Sideloading é o processo de instalar aplicativos no Android por fora da Google Play Store, geralmente via arquivos APK ou lojas de terceiros. O F-Droid argumenta que as novas exigências da Google, como registro e aprovação, tornam essa prática inviável, mesmo que a empresa afirme que ela continuará existindo. A crítica também aponta que o termo "sideloading" carrega uma conotação negativa, como se fosse algo irregular.
Quais são as exigências da nova política da Google para desenvolvedores?
A partir de setembro de 2026, desenvolvedores que quiserem distribuir apps fora da Play Store precisarão se registrar junto à Google, pagar uma taxa, apresentar um documento de identidade válido e aceitar termos de serviço que podem mudar com frequência. Também será necessário listar todos os identificadores dos apps e enviar evidências da chave privada de acesso, aguardando aprovação da empresa.
Como a Google justifica as novas medidas de segurança?
A Google afirma que as mudanças visam proteger os usuários contra malwares, que muitas vezes são instalados via APKs fora da Play Store. A empresa sustenta que o sideloading continuará sendo uma funcionalidade essencial do Android e que as novas regras não têm o objetivo de limitar escolhas, mas sim de aumentar a segurança contra atores mal-intencionados.
O que o F-Droid alega sobre os riscos à liberdade digital?
O F-Droid argumenta que, ao exigir aprovação da Google para qualquer app distribuído fora da Play Store, os desenvolvedores perdem a autonomia de compartilhar seus aplicativos diretamente com amigos, familiares ou comunidades. A plataforma vê isso como uma forma de ceder os direitos dos cidadãos e a soberania digital a uma empresa privada, que poderia até remover apps a pedido de regimes autoritários.
Há alguma exceção nas novas regras da Google?
Sim. A Google informou que criadores que pretendem distribuir apenas um aplicativo para um número limitado de dispositivos poderão usar uma conta gratuita e não precisarão enviar um documento de identidade. Além disso, o uso do Android Studio para desenvolvimento de apps não será afetado, mesmo para quem não estiver registrado.
Como os usuários podem reagir às novas políticas?
O F-Droid criou uma página com orientações para consumidores que desejam reclamar junto a órgãos de defesa do consumidor. No Brasil, é possível acionar entidades como o Procon e a Senacon. A plataforma também lançou um abaixo-assinado aberto à comunidade para pressionar contra as novas exigências da Google.
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