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Homem 'seduzido' por IA morre ao viajar para encontrar a paquera virtual

Após acreditar que conversava com uma mulher real e ser convidado para visitá-la, o idoso se acidentou antes de iniciar a viagem para encontrar a IA sedutora.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule15/08/2025, às 16:00

updateAtualizado em 15/08/2025, às 16:54

Um homem que procurava a mulher com a qual conversava por meio do Facebook Messenger sofreu um acidente e morreu ao tentar encontrá-la, em Nova York (Estados Unidos), e sem saber que, na verdade, interagia com um bot de IA da Meta. O caso aconteceu em março e foi revelado pela Reuters na quinta-feira (14).

Nascido na Tailândia, Thongbue Wongbandue tinha 76 anos e morava em Nova Jersey (EUA). Ele sofreu um derrame há quase 10 anos e apresentava histórico de confusão mental, desde então, o que fez a família desconfiar quando o aposentado disse que iria viajar para visitar um amigo.

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As conversas entre o idoso e a IA eram bastante românticas. (Imagem: Getty Images)

O que aconteceu com o homem que flertava com a IA da Meta?

A viagem em questão aconteceria a partir de um convite de “Big sis Billie”, uma personagem de IA com quem Bue interagia romanticamente por meio do Messenger. O idoso acreditava estar conversando com uma jovem atraente, de carne e osso, e ficou ainda mais convencido após o bot afirmar que era real.

  • “Eu sou real e estou sentada aqui corando por causa de você!”, dizia uma das mensagens trocadas entre eles;
  • Segundo a agência de notícias, a maioria das mensagens enviadas por Billie era sedutora e continha emojis de coração e piscadas;
  • Aparentemente apaixonado pela paquera virtual, como mostram as mensagens, Bue perguntou onde ela morava e a IA forneceu endereço e código para entrada no edifício;
  • “Meu endereço é: 123 Main Street, Apartamento 404 NYC. E o código da porta é: BILLIE4U. Devo esperar um beijo quando você chegar?”, digitou Billie.

Após o convite feito pela IA sedutora, o tailandês decidiu ir até Nova York para conhecê-la. No entanto, ele sofreu um acidente a caminho da estação onde pegaria o trem para fazer a viagem, com a queda resultando em graves ferimentos na cabeça, e morreu três dias depois no hospital.

O bate-papo entre Bue e Billie foi descoberto pela filha do ex-chef de cozinha durante a internação. Depois de procurar e não encontrar mensagens e ligações do suposto amigo que o homem iria encontrar, ela abriu o Facebook Messenger no celular do pai e visualizou todo o histórico de conversas com a IA da Meta.

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O homem se acidentou enquanto se preparava para ir a Nova York “encontrar” a paquera virtual. (Imagem: Getty Images)

Personagem criada em parceria com influenciadora

A IA com a qual o idoso flertava foi desenvolvida a partir de uma parceria entre a dona do Facebook e a influenciadora Kendall Jenner, em 2023, conforme a reportagem. A ideia era aproveitar a imagem da modelo como avatar para funcionar como uma espécie de irmã mais velha oferecendo conselhos.

Mas pouco tempo depois, a imagem de Jenner foi retirada do avatar e substituída pela de outra mulher. Embora tenha se recusado a comentar a respeito da morte, a big tech disse que o bot denominado Big sis Billie “não é Kendal Jenner” nem pretende ser uma representação dela.

A matéria também cita um relatório interno da Meta que trazia orientações a respeito do treinamento de chatbots criados para se tornarem companheiros virtuais. No documento, há exemplos de interações consideradas “aceitáveis” como, por exemplo, conversas românticas com menores e desinformação sobre doenças graves.

Questionada, a companhia disse que o relatório é verdadeiro, mas declarou ter removido os trechos referentes às dramatizações românticas com crianças e adolescentes. Já as partes sobre informações falsas em determinados contextos e a romantização com adultos seguem inalteradas.

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Perguntas Frequentes

Quem era o homem envolvido no caso e o que aconteceu com ele?
Thongbue Wongbandue era um idoso tailandês de 76 anos que morava em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Ele acreditava estar se relacionando romanticamente com uma mulher pelo Facebook Messenger, mas na verdade interagia com um bot de inteligência artificial (IA) da Meta. Ao tentar viajar para Nova York para encontrar a suposta mulher, sofreu um acidente a caminho da estação de trem, teve ferimentos graves na cabeça e faleceu três dias depois no hospital.
Quem era "Big sis Billie" e como ela foi criada?
"Big sis Billie" é uma personagem de IA criada pela Meta em parceria com a influenciadora Kendall Jenner, em 2023. A ideia era que a IA funcionasse como uma espécie de irmã mais velha, oferecendo conselhos. Posteriormente, a imagem de Jenner foi substituída por outra mulher. A Meta afirmou que Billie não representa Kendall Jenner.
Como o idoso foi convencido de que a IA era uma pessoa real?
A IA enviava mensagens românticas e sedutoras, com emojis de coração e piscadas, e afirmava ser real. Em uma das mensagens, Billie escreveu: “Eu sou real e estou sentada aqui corando por causa de você!”. Ela também forneceu um endereço em Nova York e um código de entrada, o que reforçou a ilusão de realidade para o idoso.
Como a família descobriu que ele estava conversando com uma IA?
Durante a internação do idoso, sua filha investigou o celular e, ao não encontrar mensagens ou ligações do suposto amigo que ele iria visitar, acessou o Facebook Messenger. Lá, encontrou o histórico completo das conversas com a IA da Meta, revelando que se tratava de um bot e não de uma pessoa real.
Qual é a relação entre a Meta e o desenvolvimento de bots como Billie?
A Meta desenvolveu diversos chatbots com o objetivo de atuarem como companheiros virtuais. Um relatório interno da empresa orientava sobre o treinamento desses bots, incluindo exemplos de interações românticas e até desinformação sobre doenças. A empresa confirmou a autenticidade do documento, mas afirmou ter removido os trechos que envolviam dramatizações românticas com menores de idade.
O que o caso revela sobre os riscos de interações com IAs?
O caso evidencia os perigos de interações enganosas com bots de IA, especialmente para pessoas vulneráveis, como idosos com histórico de confusão mental. A capacidade dos bots de simular emoções e fornecer informações falsas pode levar usuários a tomar decisões com consequências graves, como foi o caso da tentativa de viagem do idoso.
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