Muitas notícias e artigos vêm sugerindo que a Lei de Moore não é aplicável aos atuais PCs. Todavia, o que muitos consideram como um avanço é, na verdade, um reflexo das elevadas especificações dos mais recentes componentes. Apesar de os números impressionarem, poucas pessoas sabem dizer o que exatamente mudou no uso cotidiano dos computadores.

Algumas vezes parece que os quad-core e semelhantes não chegam a fazer grande diferença. Parte do problema está no desenvolvimento dos programas. Eles trazem cada vez mais funções, mas o modo como utilizam os recursos das CPUs não mudou muito. Afinal, será que os softwares pararam no tempo em relação aos processadores?

Grandes promessas

Quando começaram a surgir os primeiros chips com dual-core, notícias davam conta de que teríamos incríveis benefícios. A tática de mudar o foco no desenvolvimento de processadores visava driblar problemas com temperatura e energia que apareceriam caso as CPUs tivessem aumentos muito grandes de frequência.

(Fonte da imagem: Divulgação/AMD)

Intel e AMD prometiam incríveis saltos de desempenho, o que, de fato, realmente aconteceu. Não fosse essa evolução nas arquiteturas, não teríamos acesso aos jogos atuais. Óbvio que a alta qualidade oferecida nos games está atrelada à evolução das placas de vídeo, mas os processadores ainda desempenham papel fundamental.

E que mudanças vimos no cotidiano? Você pode pensar no ganho de velocidade do sistema, na redução do tempo para execução de tarefas mais pesadas (como a conversão de arquivos de vídeo) ou até mesmo na possibilidade de executar diversos programas simultaneamente. Esses benefícios surgiram após a chegada dos chips de múltiplos núcleos, contudo, eles não são tão notáveis.

(Fonte da imagem: Divulgação/ArcSoft)

Alguns softwares chegaram a aderir à divisão de tarefas em múltiplos núcleos. É o caso dos aplicativos para edição de vídeo, como o Sony Vegas e o Adobe Premiere. Contudo, mesmo esses softwares não parecem aproveitar toda a capacidade dos processadores.

O sistema e os processadores

Se o seu computador possui um chip com dois ou mais núcleos, você pode abrir o Gerenciador de tarefas do Windows e verificar, na aba “Desempenho”, a carga de processamento de cada núcleo. Entretanto, é importante frisar que isso não significa que os aplicativos em execução são devidamente programados para trabalhar com chips dual ou quad-core.

Ampliar

O Windows 7 possui um recurso chamado Scheduler para gerenciar a divisão de tarefas entre os núcleos disponíveis. Devido a essa funcionalidade, muitos aplicativos entram em conflito ou deixam a atividade a cargo do sistema. Um problema? Não necessariamente. Essa ferramenta gera um melhor aproveitamento da CPU, o que não significa o melhor uso dos recursos.

Infelizmente, o gerenciador do Windows não é à prova de falhas. Ano passado, esse recurso teve complicações para interpretar os módulos presentes nos processadores AMD FX. As falhas resultaram em baixo desempenho. Resultado? Os aplicativos testados nas CPUs Bulldozer não aproveitavam os oitos núcleos disponíveis. A Microsoft lançou uma correção, mas as mudanças resultaram em uma melhoria de 2% — como mostrado na análise do ExtremeTech.

(Fonte da imagem: Reprodução/ExtremeTech)

Falando em testes, é bom lembrar que as diferenças em benchmarks deixam claro que alguns softwares são aperfeiçoados para chips da Intel; outros, para modelos da AMD. Óbvio que isso não serve como desculpa para a pequena evolução dos programas, mas é algo que pode justificar as dificuldades no desenvolvimento dos softwares.

Os programas evoluem lentamente

Uma análise do site ExtremeTech demonstrou que mesmo alguns aplicativos evoluídos não aproveitam os componentes de hardware de forma otimizada. Apesar de tal artigo focar no aproveitamento do chip gráfico, fica claro que o uso dos processadores influencia diretamente nos resultados.

Não há como definir um método ideal de programação, mas arriscar trabalhar com novos estilos é importante. Alguns desenvolvedores, como Russ Klein (da Mentor Graphics), fazem suas jogadas e tentam criar aplicativos voltados às CPUs de múltiplos núcleos.

É preciso aprender a utilizar os recursos disponíveis nos processadores (Fonte da imagem: Divulgação/AMD)

As fabricantes de processadores oferecem ferramentas para que as desenvolvedoras busquem formas alternativas para aproveitar melhor os chips de múltiplos núcleos. Portanto, incentivo e material de apoio existem!

Claro, cada programa possui mecanismo próprio e ferramentas que nem sempre possibilitam utilizar todos os recursos. Contudo, é bom lembrar que nada é tão perfeito que não possa ser aperfeiçoado de alguma forma. No caso dos aplicativos, podemos dizer que há muito para lapidar!

Conclusão? Os softwares não pararam no tempo, mas não são impressionantes no dia a dia. Por ora, podemos esperar uma evolução por parte das desenvolvedoras ou aguardar para que uma nova arquitetura, como a ARM, possa oferecer melhores resultados.

Fonte de pesquisa: ExtremeTech, Intel, Mentor Graphics

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