Muitas pessoas fazem piada com algumas informações equivocadas que os aplicativos de trânsito às vezes apresentam, levando vários motoristas a conduzirem seus veículos em trechos "bizarros". No entanto, esses "erros" de navegação podem causar problemas mais sérios para muitas pessoas. E isso já aconteceu algumas vezes com o Waze, um dos apps mais utilizados ao redor do globo.

Neste artigo, reunimos algumas das ocasiões problemáticas geradas pelo famoso aplicativo de trânsito da Google (sim, o Waze é da Google!). Confira:

1. Quer dar um mergulho? Siga o Waze!

Se você já conferiu a série "The Office", da NBC, deve se lembrar que há uma cena na qual o protagonista Michael Scott segue "cegamente" o seu aplicativo de GPS e dirige diretamente rumo a um lago, dando um belo mergulho com o carro. Pois bem, na vida real aconteceu algo bastante parecido com isso.

Tara Guertin emprestou seu jipe a alguns amigos, e eles, seguindo orientações do Waze, acabaram direcionando o veículo rumo ao Lake Champlain, em Vermont, pois o clima estava terrível para dirigir, e o app era a melhor forma de ter um "norte". O grupo só percebeu que estava prestes a mergulhar no lago quando já era tarde demais.

Um representante do Waze afirmou que "é impossível comentar sobre o assunto sem examinar o arquivo do usuário no aplicativo e se nós não tivermos permissão para fazê-lo. Os mapas do Waze são atualizados com milhões de edições para adaptar, em tempo real, as condições de ruas diariamente, em geral tornando essas condições as mais precisas possíveis".

2. A "montanha" de Los Angeles

Já não é novidade que Los Angeles (Califórnia), uma das cidades mais expressivas dos Estados Unidos, está tão populada que o trânsito, lá, é considerado um dos mais caóticos do planeta. Passear pelas ruas da Cidade dos Anjos pode ser, muitas vezes, bastante estressante. Com isso, várias pessoas recorrem ao Waze na tentativa de escapar do caos.

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Sendo assim, para "fugir" do tráfego, o aplicativo esteve redirecionando muitos motoristas para a Baxter Street, uma rua calma em Echo Park. O único problema é que essa rua é uma das mais íngremes da cidade. Um dos residentes na área, Jeff Hartman, comentou sobre o trecho: "quando você chega ao topo, você não consegue ver o morro do outro lado, ou a rua, então as pessoas tendem a parar. E é aí que muitos problemas acontecem".

Com isso, a inclinação do caminho acaba causando muitos, mas muitos acidentes. "Nós tivemos nosso muro do jardim derrubado duas vezes, e o carro da minha mulher foi atingido enquanto estava estacionado", comenta Robbie Evans, outro morador. A equipe do Waze defendeu os apontamentos feitos pelo app, dizendo que "se a cidade colocou uma rua pública ali, ela deve ser considerada usável pelo Waze".

3. Mais uma na Califórnia

No fim do ano passado, o sul da Califórnia foi "contemplado" com diversos e devastadores incêndios. Devido ao imenso fogo, mais de 200 mil pessoas tiveram que evacuar uma grande área. Durante o processo, várias recorreram ao Waze para escapar... Só que o Waze — e também outras plataformas — acabou direcionando os motoristas para o próprio fogo!

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Isso levou o Departamento de Polícia de Los Angeles a recomendar que as pessoas não utilizassem aplicativos de navegação, visto que os apps as estavam guiando para as rotas mais livres (só que não do fogo). Em um retorno ao site Mashable, o pessoal do Waze relatou que já estava trabalhando com o Departamento para fechar cerca de 110 segmentos perigosos e auxiliar os motoristas a evacuarem com segurança.

4. A polícia e o Waze: uma relação de amor e ódio

Se você achou que a polícia ficou descontente com as informações policiais apresentadas no Waze... Achou certo! Enquanto a transparência de informações é algo que deveria ser benéfico para todos os usuários, é bastante discutido o fato de que certas viaturas oficiais aparecem com precisão nos mapas do app. E esse fato aparentemente ocasionou uma tragédia em 2015.

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Os policiais Rafael Ramos e Wenjian Liu, sentados em sua própria viatura, levaram tiros de Ismaaiyl Brinsley na cidade de Nova York. Após o acontecimento terrível, a National Sheriffs' Association — em janeiro de 2016 — se viu obrigada a pedir que o Waze desabilitasse essa funcionalidade do visualização de viaturas. Mas, afinal de contas, onde apareceu o Waze nessa história?

Alguns relatos indicam que Brinsley postou uma screenshot do aplicativo (e com uma ameaça à polícia) alguns dias antes do ataque. No entanto, "reza a lenda" que o atirador se desfez do seu telefone num local a alguns quilômetros de distância do ocorrido e que não há nenhuma investigação oficial garantindo que o criminoso realmente usou o Waze para fazer a emboscada. E agora?

De qualquer forma, o Waze respondeu afirmando que "pensa muito profundamente em segurança". A equipe do Waze trabalha em conjunto com departamentos policiais de todo o planeta, o que ajuda os usuários ao compartilhar informações de acidentes nas ruas e outros acontecimentos nas cidades.

Esses relacionamentos [entre o Waze e os departamentos policiais] mantêm os cidadãos seguros, promovem um tempo de resposta a emergências mais rápido e ajudam a aliviar os congestionamentos de tráfego.

5. A esperteza dos policiais de Miami

E como usar essa transparência de informações policiais do Waze com sabedoria? Uma equipe de oficiais de Miami, nos EUA, decidiu aproveitar o fato de que muita gente estava usando o Waze para "escapar" da famosa blitz, de radares de velocidade e de outros sistemas de controle.

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A ideia desses policiais foi simples: adicionar "observações" no app de que vários oficiais foram vistos em diversos lugares do mapa. Ao adicionar policiais falsos no sistema, os policiais na verdade estavam encorajando os motoristas a dirigirem de forma mais segura. Que tal essa solução?

Em comentários ao ocorrido, o Waze negou a afirmação de que o rastreamento de policiais leva as pessoas a dirigirem de forma imprudente. No entanto, os representantes do app também disseram à NBC Miami que "a maioria dos usuários tende a dirigir mais cautelosamente quando acredita que viaturas policiais estejam por perto".

6. E o Brasil não escapa das tragédias

Em Niterói, no Rio de Janeiro, o Waze foi o centro das atenções durante um escândalo de violência. Regina Murmura, de 70 anos, optou por seguir as orientações do app e foi parar em uma rua (com o mesmo nome da rua para a qual Regina queria ir) numa favela da cidade, conhecida por muitos como uma região bastante violenta. Tiros foram disparados contra o veículo, e Regina infelizmente perdeu sua vida no episódio.

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Francisco, marido de Regina, também estava no carro, mas conseguiu escapar. Ao reportar o incidente para as autoridades, Francisco culpou o Waze e disse que "o app foi responsável por tudo. Foi o Waze que nos levou até aquela área. Eu não tenho dúvidas de que o Waze é o responsável por isso".

Em resposta, o Waze comentou que "infelizmente, é difícil prevenir os motoristas de navegarem para uma vizinhança periogosa se esse for o destino escolhido no sistema". Afinal de contas, de quem foi a culpa?

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