A plataforma de recrutamento de desenvolvedores HackerRank acaba de publicar sua mais nova pesquisa sobre profissionais do setor. O trabalho envolveu questões relacionadas ao aprendizado de habilidades da área, além de expectativas e necessidades voltadas para carreira. Foram no total 39.441 respostas de pessoas do mundo todo. O estudo foi distribuído por faixa etária e/ou país de origem.

O resultado trouxe alguns pontos interessantes. Um deles é que um em cada quatro programadores aprendeu a codificar antes mesmo de saber dirigir. Além disso, nota-se que a maioria dos participantes começou a fazer essa atividade quando tinha entre 16 e 20 anos. A exceção, nesse caso, vem do grupo de pessoas com idade entre 45 e 54 anos. Elas desenvolveram essa habilidade quando ainda estavam na faixa etária de 11 a 15 anos (40,9%).

Millennials e geração Z aprenderam a programar mais tarde

Pode-se concluir que aqueles que cresceram na década de 1980 tiveram esse tipo de contato antes mesmo da geração mais recente — millennials e geração Z. Por exemplo, os índices de pessoas que aprenderam a manipular códigos dos 16 aos 20 anos são:

  • 18 a 24 anos – 68,2%
  • 25 a 34 anos – 46,6%
  • 35 a 44 anos – 31,1%

Neste último grupo, a porcentagem daquelas que tiveram contato com programação quando ainda tinham entre 11 e 15 anos é bem próxima da quantidade da faixa etária anterior  de 16 a 20 anos: 27,9%.

 

Revolução tecnológica pode ser motivo para fenômeno acontecer

Entretanto, há uma possível explicação para esses dados: aquela geração dos 45 aos 54 anos estava vivendo a revolução dos computadores, que se espalhou em alguns países. No período, lideravam nas casas de muitos cidadãos estrangeiros máquinas com os logotipos da Commodore  extinta em 1994   e da Acorn  encerrada em 2000.

Assim, quem quisesse jogar alguns games e até mesmo rodar softwares específicos tinha que os desenvolver. Afinal de contas, não havia um grande mercado comercializando esses produtos. Naquele momento, era até comum para muitos fazer sua própria programação, que era aprendida por meio de revistas especializadas. 

 

Isso, evidentemente, não era tão simples. Na época, quem possuía seu próprio computador ou tinha acesso a um fazia essa tarefa digitando, literalmente, palavra por palavra.

Em alguns países a programação era iniciada ainda mais cedo

Dos 17 países incluídos na pesquisa, dois se destacaram por apresentarem o maior número de pessoas que começaram a programar quando ainda estavam na faixa etária de 5 a 10 anos. Reino Unido e Austrália atingiram os índices de 10,7% e 10,3%, respectivamente.

O HackerRank informa que, no Reino Unido, isso se deve parcialmente a um acordo do fim da década de 1980 entre a Acorn Computers, de Cambridge, e a varejista Tesco. Com isso, muitas famílias compraram um computador Acorn Archimedes e receberam um voucher que presenteava a escola em que seus filhos estudavam com o mesmo PC.

A iniciativa se espalhou pela Austrália e por países europeus. Logo, isso fez com que muitos desktops chegassem às salas de aula quando ainda apresentavam preços elevadíssimos.

Já hoje, contamos com dispositivos bem mais sofisticados e acessíveis. Do mesmo modo, games e softwares podem ser usados sem aquele grande problema de termos que os desenvolver do zero para atender às nossas necessidades.

Por fim, há uma explicação para o fenômeno de a maioria dos programadores, inclusive os millennials, terem desenvolvido suas habilidades um pouco mais tarde. Agora, o ato de programar se tornou um pouco mais difícil, devido a linguagens cada vez mais complexas do que aquelas usadas na década de 1980. É inegável que elas são muito mais poderosas, mas ainda complicadas, como nos casos de Java, JavaScript e Python.

Para visualizar a pesquisa completa, em inglês, basta acessar este site.