Sistemas de vigilância poderão futuramente usar o sensor. (Fonte da imagem: Reprodução/Youtube)

Imagine um sensor fotossensível. Naturalmente por reagir à luz, não é raro que centenas ou até milhares de pontos de captura de imagem fiquem expostos a condições de iluminação instáveis – quando cenas rápidas precisam ser feitas, por exemplo, variações de contraste são marcas comuns nesses tipos de registros. Além de contar com uma distribuição de luz de forma padronizada por toda a película sensível, o sensor acaba consumindo energia, memória RAM e desempenho de CPU.

Por quê? Acontece que dados duplicados coletados pelos sensores são, muitas das vezes, processados pelos dispositivos tradicionais de captação de imagem. Eis a explicação: se apenas uma área do ambiente fotografado sofre mudança de contraste, invariavelmente todos os pixels formados pelo sensor serão “pintados novamente”. E se fosse possível extinguir a leitura ambígua dessas informações, fazendo com que apenas as áreas afetadas pelo contraste acabassem sendo processadas?

550 fps foram registrados pelo sensor a 4% de funcionamento. (Fonte da imagem: Reprodução/ExtremeTech)

Pois é esta a proposta do Instituto de Neuroinformática da Universidade de Zurique (Suíça): o sensor, batizado de VS128 DVS (Sensor de Visão Dinâmica), pode ser capaz de otimizar a captura de luz e processamento de dados dos aparelhos fotográficos. E tudo se deve ao objeto que serviu de inspiração à equipe de pesquisadores: a retina. Em resumo, o registro duplicado de informações não seria feito, uma vez que apenas os pixels estimulados pelas variações de luz é que realmente emplacariam algum tipo de mudança na imagem filmada.

Funcionamento

Células detectoras chamadas de “centro-cercado”, que usam a mesma estrutura encontrada em retinas, ficam interpostas entre os receptores e os pontos fotossensível do dispositivo – formando assim a estrutura primária do sensor. O VS128 foi projetado para trabalhar com a arquitetura “IBM True North” de computação, que tenta capturar princípios básicos das funções cerebrais, traduzindo-as em softwares.

Funções

O VS128 custa atualmente US$ 2.700; sua resolução máxima chega aos 240p X 180p. O IniLabs, laboratório do Instituo de Neuroinformática suíço, está trabalhando na ampliação da resolução máxima do dispositivo. De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo projeto, este tipo de sensor poderá ser usado futuramente nas seguintes tarefas:

  • Vigilância de ambientes;
  • Robótica de tipos móveis;
  • Automação industrial;
  • Microscopia;
  • Hidrodinâmica; e
  • Rastreamento de partículas.

O vídeo postado acima deste parágrafo mostra o dispositivo funcionando como sensores em um robô goleiro. O “cérebro” de metal da máquina usa menos de 4% de toda a capacidade de CPU para conseguir uma taxa equivalente a 550 fps. Os estudos acerca das propriedades do VS128 ainda estão em curso. Resta-nos, agora, aguardar o aperfeiçoamento do sensor e vê-lo, quem sabe, atuando em uma “nova geração” de máquinas fotossensíveis.

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