(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

Entre os vários anúncios feitos pela Apple no evento WWDC, há um que certamente ganhou algum destaque — sobretudo entre os usuários particularmente “paranoicos” da grande rede. Trata-se da funcionalidade iCloud Keychain — em relação à qual, entretanto, o engenheiro de software Craig Federighi acabou não gastando tanto tempo assim.

Não obstante, o que se vê na singela ferramenta da Apple é certamente um upgrade razoável para diversos aspectos dos principais gerenciadores de senhas utilizados atualmente. Conforme ressaltou o site Mashable, o iCloud Keychain deve mudar consideravelmente os hábitos dos usuários em ambiente online.

Em primeiro lugar, ao sugerir senhas mais difíceis de roubar — o que não é propriamente original, é verdade —, a ferramenta ajuda a minimizar aquela prática comum de manter a mesma senha para inúmeros sites. De fato, conforme atestou uma pesquisa recente, cerca de dois terços dos consumidores em ambiente online utilizam a mesma senha para diversos sites — o que os torna muito mais vulneráveis a sujeitos mal-intencionados.

Papeizinhos não servem mais

Que é necessário ter diversos passwords distintos para os vários sites que se acessa... Bem, isso já é sabido desde que a exclusividade de acesso a qualquer coisa foi “inventada”. Entretanto, a dificuldade é sempre a mesma: como gravar uma montoeira de senhas muito pouco memorizáveis?

Convenhamos que escrever em papeizinhos e largar por aí é algo tremendamente anacrônico e até perigoso. Deixar em documentos online pode ser uma solução? Bem, até pode. O problema será ter acesso a todo o momento ao documento, sem contar que o “copia e cola” vai cansar um bocado

Gerenciadores ou sincronizadores?

Dessa forma, diante da atual profusão de serviços em ambiente online, acaba sendo imprescindível a escolha de algum sistema auxiliar, a fim de guardar aquela montoeira de letras, símbolos e números.

Gerenciadores são opções largamente utilizadas hoje. Serviços como o 1Password ou o LastPass são integrados ao seu navegador, sendo capazes de efetuar autenticações automaticamente — desde que uma senha “mestra” seja fornecida. E, como todas as informações são guardadas em nuvem, o acesso é possível em qualquer lugar que possua uma conexão.

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

Entretanto, as novas direções tomadas pela Google e pela Apple certamente têm sua razão de ser. Entre as principais vantagens, destaca-se uma: a integração direta com os navegadores, tanto em PCs quanto em celulares e tablets, é efetuada diretamente no browser — seja ele o Chrome para Android ou o Safari (OS X Mavericks e iOS 7). Em outras palavras, será possível acessar sempre o mesmo conjunto de senhas em qualquer aparelho.

“Eles têm uma vantagem clara sobre nós, que é possibilidade de uma ligação direta com o Safari em um browser mobile, uma aporrinhação anticompetitiva para todos os outros gerenciadores de senha que existem por aí”, reconheceu o CEO da LastPass, Joe Siegrist, em entrevista ao site Mashable. “Mas isso é o que é. É especialmente frustrante quando você continua buscando correções, e, em vez de fazê-las, eles apareceram com uma nova característica competitiva.”

Desvantagem interplataformas

As vantagens dos sincronizadores de senhas parecem ser bastante óbvias. Além de a possibilidade de não ter que utilizar gerenciadores de terceiros deixar grande parte dos usuários mais confortável, as sugestões “elabore a sua senha” ainda ajudam a evitar datas de aniversários, sequências numéricas ou o nome do cachorro.

Mesmo a concorrência se vê obrigada a reconhecer isso. “Eu fico feliz que as pessoas sejam orientadas a utilizar senhas diferentes para cada site. Nós queremos que as pessoas utilizem alguma ferramenta, não precisa ser a nossa. Isso é o sinal de que o mercado vem sendo educado”, afirmou Siegrist ao referido site.

E há, por fim, uma questão um tanto mais mesquinha, mas igualmente válida: os sincronizadores não custam absolutamente nada. Conforme lembra o Mashable, embora 1Password e LastPass não cobre nada por seus serviços básicos, seus aplicativos não são gratuitos: o LasPass custa US$ 1 (R$ 2,22) por mês, enquanto que o 1Password sai por US$ 8,99 (aproximadamente R$ 20) para o iOS. É relativamente pouco. Mas ainda é uma cobrança.

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

Entretanto, parece haver um limite até o momento incontornável para a maneira de funcionar do iCloud Keychain. Trata-se da impossibilidade de acessar as suas senhas a partir de outras plataformas — sendo impossível, portanto, acessar as senhas salvas no iOS ao utilizar uma plataforma Android ou Widnows.

“Nós oferecemos suporte a todas as plataformas possíveis — Windows, Linux, iOS, Android, Symbian, BlackBerry, Windows Phone —, nós damos suporte a todas”, diz Siegrist, retomando algum terreno para os gerenciadores. “O LastPass também lhe dá muito mais funcionalidades de gerenciamento, sendo capaz, por exemplo, de bloquear o seu arquivo de senhas.” Siegrist também aproveita a oportunidade para falar dos pacotes para empresas e da possibilidade de compartilhar senhas.

A questão dos aplicativos

Por fim, há a questão inevitável dos aplicativos. Vale lembrar que, até o momento, não há plataforma ou serviço que ofereça gerenciamento de senhas para apps. Conforme lembra o referido site, embora a Apple tenha mostrado algo semelhante com logins para o Facebook e para o Twitter no iPhone, trata-se ainda de uma interação efetuada em nível de sistema operacional.

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

Portanto, mesmo considerando-se que a incorporação dessa funcionalidade esteja nos próximos passos do iCloud Keychain, ainda haverá a infeliz necessidade de “copiar e colar” quaisquer senhas que se façam necessárias. Mas, como destacou Siegrist, é impossível negar: há um progresso em andamento.

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