Como é de costume no Brasil em preparação para grandes eventos com repercussão internacional, as Olimpíadas de Verão de 2016 terão um enorme investimento em segurança. Uma nova tecnologia a ser utilizada pelo Governo para isso promete chamar muita atenção do público, na forma de um poderoso equipamento de vigilância aérea capaz de observar a cidade do Rio de Janeiro inteira.

O sensor WAMI (“Wide Area Motion Imagery” ou “Imagem em Movimento de Ampla Área”, em português), desenvolvido pela Logos Technologies, vem com o nome de Simera e consiste em um conjunto de 13 câmeras capazes de registrar seus arredores nos mínimos detalhes. O aparelho, por sua vez, é preso a um balão ou mesmo um minidirigível, para dar ao dispositivo melhor visão de toda a cidade.

Vale notar que a tecnologia a ser utilizada por aqui não é exatamente novidade, uma vez que ela já é consideravelmente usada nos EUA e chegou a participar na proteção de soldados norte-americanos no Iraque e no Afeganistão. É a primeira vez, no entanto, que um sensor WAMI será colocado em ação em outros territórios.

Segurança vs privacidade

A ideia por trás da câmera é bastante simples. Com o Simera, a polícia do Rio será capaz de encontrar todo tipo de crime ocorrendo, como assaltos ou roubos menores, e entrar em ação com mais facilidade – com a vantagem, é claro, de que o dispositivo consegue seguir o suspeito de perto, bem como perseguir um criminoso em fuga, por exemplo.

Não se limitando a isso, o Simera pode ajudar até mesmo a evitar possíveis casos de crime, seja ao notar que alguém está prestes a entrar em uma área onde não deve ou que uma pessoa está andando perto demais de outros transeuntes. Com isso, os policiais podem vigiar um suspeito por horas (ou mesmo dias) e entrar em ação assim que necessário.

Através do Simera, operadores podem vigiar toda a cidade facilmente através das diversas câmeras do aparelho

Tudo isso pode parecer ótimo, até aí, mas isso gera um questionamento bastante óbvio: se a câmera é capaz de observar absolutamente tudo, o que acontece com a privacidade das pessoas? Essa é uma questão complicada, é claro, mas parece que não há com o que se preocupar, pois o sistema vai ter sua utilização limitada às Olimpíadas.

“Se for usada por um período curto e para eventos específicos, isso faz muito sentido”, afirmou Daniel Lawrence, um pesquisador associado ao Urban Institute. “Quando passamos para o uso de longo-prazo, então nós passamos a questões sobre o Grande Irmão”, explicou.

Mesmo assim, Lawrence acredita que, em uma situação como essas, o público não vai se importar em priorizar a segurança temporariamente. “Com relação a equipar a polícia com câmeras em uma presença local a curto-prazo, os membros da comunidade podem estar dispostos a aceitar isso”, comentou ele.

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