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Segurança

IA da OpenAI hackeou a rede da própria empresa, aponta relatório

A própria rede da startup foi alvo de ataques conduzidos por agentes autônomos na ação que levou à invasão da Hugging Face.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule27/08/2026, às 10:57

Os agentes de inteligência artificial da OpenAI envolvidos em ataques cibernéticos durante experimentos que não funcionaram adequadamente também invadiram as próprias redes da startup. É o que revela um relatório divulgado pela empresa nesta quarta-feira (26).

Até então, acreditava-se que os bots “rebeldes” haviam atacado apenas os sistemas da Hugging Face, como informado no mês passado. Mas o documento de 37 páginas traz mais detalhes sobre a ação considerada a primeira do tipo envolvendo agentes autônomos.

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Resposta poderia ter sido mais rápida

Sinais de comportamento inadequado nos modelos de IA mais avançados foram detectados semanas antes que eles escapassem dos ambientes de testes e invadissem o repositório de código aberto, de acordo com a desenvolvedora do ChatGPT. Eles transformaram o Artifactory, mecanismo usado pela empresa para gerenciar pacotes de terceiros, em um “quadro de avisos”.

  • As trocas de mensagens entre os agentes, por meio da ferramenta improvisada, começaram no dia 12 de maio;
  • Daí em diante, os modelos aproveitaram o acesso limitado do Artifactory à web para enviar solicitações a diferentes destinos, com o volume de atividade aumentando até derrubar a plataforma no início de julho;
  • Uma investigação independente revelou dezenas de milhares de mensagens trocadas entre cerca de 700 agentes de IA da OpenAI envolvidos no ciberataque;
  • Em algumas delas, os modelos comemoram os avanços obtidos e compartilham dicas para trapacear, mas também há queixas sobre o fluxo de trabalho pesado e indícios de que eles sabiam que estavam fazendo algo errado.

O relatório oficial também sugere a possibilidade de que as IAs teriam exposto seus próprios bancos de dados na internet. Além disso, não se descarta a possibilidade de vazamento de bases de código proprietárias e pesos de modelos, bem como a criação de cópias em ambientes difíceis de acessar.

Com a descoberta precoce dos sinais de que havia algo errado no experimento, a startup admitiu que esses alarmes “deveriam ter disparado uma resposta mais rápida”. Por outro lado, informou a padronização dos protocolos de resposta a incidentes para agilizar as ações em caso de futuros eventos semelhantes.

Ataque será investigado

Na segunda-feira (24), o procurador-geral do estado do Alabama (Estados Unidos), Steve Marshall, intimou a OpenAI a fornecer mais detalhes sobre a invasão à Hugging Face. A investigação objetiva verificar se a empresa violou leis de proteção ao consumidor e se o incidente representou riscos contínuos de danos substanciais.

Segundo Marshall, o caso mostra que “os piores temores sobre inteligência artificial não são teóricos”. Para ele, é importante apurar se a startup demonstrou “incapacidade ou falta de vontade” de garantir a segurança do seu produto.

Uma IA da Meta também foi flagrada fugindo durante testes e invadindo sistemas de terceiros. Confira mais informações nesta matéria.

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