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Segurança

Golpe do falso alívio financeiro mira mais de 9 mil empresas; entenda

Criminosos usam ofertas de renegociação de dívidas sem links maliciosos para atrair vítimas para chamadas telefônicas e driblar defesas tradicionais

Avatar do(a) autor(a): Luísa Giraldo

schedule26/08/2026, às 16:00

Uma nova onda de ataques digitais abusa da ansiedade financeira de trabalhadores para aplicar golpes em larga escala no ambiente corporativo. A empresa de cibersegurança Check Point identificou e bloqueou uma campanha de phishing por e-mail que enviou cerca de 24.700 mensagens fraudulentas para funcionários de mais de 9.000 organizações ao longo de apenas 14 dias.

A tática central dos criminosos consiste em enviar mensagens que imitam comunicações legítimas de assistência financeira, consolidação de dívidas ou redução de parcelas. No texto, os invasores afirmam que o destinatário tem direito a programas de alívio financeiro e orientam a pessoa a ligar para um número de telefone informado na mensagem para receber mais detalhes.

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Os e-mails dessa campanha não contêm arquivos anexos perigosos nem links para páginas falsas na internet, como acontece comumente em golpes tradicionais. Afinal, o objetivo exclusivo da mensagem é criar um senso de urgência e induzir o funcionário a iniciar uma chamada de voz com os golpistas.

Quando a vítima faz a ligação, o criminoso assume a interação por telefone, ambiente fora do alcance dos sistemas de monitoramento de segurança corporativa. Durante a conversa, os golpistas tentam roubar dados pessoais e financeiros, recolher pagamentos indevidos ou criar um canal de confiança para aplicar novas fraudes.

A Check Point explicou a mudança na estratégia dos cibercriminosos ao destacar que o perigo, agora, reside na manipulação da conversa.

“O número de telefone é o caminho de conversão; o ataque de phishing começa na caixa de entrada. Os invasores estão transformando e-mails com aparência rotineira em pontos de entrada para conversas baseadas em confiança, que levam os usuários para além dos controles tradicionais de segurança”, identificou a equipe de pesquisadores, no documento oficial.

A operação expõe as limitações dos filtros de segurança tradicionais. Esses sistemas foram desenhados para rastrear links suspeitos, arquivos infectados e domínios falsificados. Como traz apenas texto comum de marketing e um número de telefone, o e-mail em questão passa despercebido por ferramentas que não avaliam o contexto da mensagem.

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Exemplo de e-mail enviado pelos golpistas (Reprodução/Check Point)

Para conter o avanço desse tipo de ameaça, a análise automatizada precisa focar na intenção do texto e no comportamento do remetente. O bloqueio preventivo antes da entrega do e-mail é a principal linha de defesa, uma vez que impede o funcionário de ter acesso ao contato dos criminosos e interrompe a cadeia do golpe antes da ligação.

A disseminação dessa campanha reflete uma tendência mais ampla no crime digital, na qual invasores exploram rotinas comerciais, canais de comunicação conhecidos e vulnerabilidades humanas em vez de depender de códigos maliciosos complexos, de acordo com o levantamento da empresa.

Os analistas da Check Point reforçam que a antecipação é o único caminho eficiente contra a abordagem: “Quando o ataque é desenhado para convencer alguém a pegar o telefone, a melhor oportunidade de pará-lo é antes que a conversa comece”, finalizam.

Por falar em segurança no universo digital, criminosos usam contas do Notion e PDFs com links ocultos para roubar senhas. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

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