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Segurança

Tornozeleira, alertas e atendimento especial: como é o monitoramento de agressores de mulheres em SP

Conjunto de medidas para o acompanhamento de crimes de ameaça ou violência contra a mulher envolve sistema integrado e várias formas de auxilio às vítimas

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule04/06/2025, às 22:00

Mulheres vítimas de agressão em São Paulo contam com ajuda da tecnologia na proteção contra as pessoas acusadas ou presas por esse crime na região. Uma série de recursos integrados permite o monitoramento e o atendimento, já com resultados concretos.

As operações são comandadas pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e o projeto começou a operar em 2023. Desde esse período, 48 agressores já foram presos pela Polícia Militar (PM) depois de descumprir uma medida judicial

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Como funciona o sistema de monitoramento  

Depois de uma detenção pelo crime de violência doméstica, o agressor recebe tornozeleira eletrônica após audiência de custódia. Assim como no uso convencional desse equipamento, ele deve se manter em um certo perímetro para não ser novamente detido pelas autoridades.

  • Os casos de agressão contra mulheres, porém, são levados como prioridade a pelo Copom, em um acordo recente entre o Governo de São Paulo e o Tribunal de Justiça (TJ);
  • Os infratores são vigiados ininterruptamente, com as tornozeleiras conectadas e exibidas por meio de um mapa na central de operações do Copom;
  • Se ultrapassar o perímetro estabelecido na decisão judicial, como tentar se aproximar da casa ou do trabalho da vítima, a sala de gerenciamento recebe um alerta visual;
a sala de monitoramento em tempo real do copom
O setor de comando do Copom. (Imagem: Divulgação/SSP)
  • Além disso, o sinal sonoro da tornozeleira também dispara e esse aviso acontece por uma série de motivos: ao tentar romper a tornozeleira, não carregar a bateria do dispositivo ou sair do município por mais de oito dias sem aviso prévio;
  • Após o alerta, o Copom mobiliza duas viaturas: uma para a atual localização do agressor, na tentativa de se antecipar a uma nova ação violenta, e outra para a casa da vítima;
  • Além disso, o Copom entra em contato com a vítima para informar sobre o ocorrido e orientá-la sobre os próximos passos;

Fora as operações automatizadas, a vítima de agressão que teve o processo levado ao ponto do uso da tornozeleira por um agressor pode usar o "botão do pânico". Esse é um recurso do aplicativo SP Mulher Segura, usado em momentos em que a pessoa se aproxima da mulher mesmo após ordem de restrição.

Cabine Lilás

Para além do monitoramento reforçado, o atendimento também tem um cuidado próprio para esses casos. É o Cabine Lilás, um serviço da PM para conversas humanizadas de agentes escolhidas para lidar com vítimas de violência doméstica e familiar.

Feito pelo número 190, o atendimento inclui informações sobre direitos, como agir em casos urgentes e busca por redes de apoio, além de solicitação de viatura. O atendimento é feito em uma cabine exclusiva, garantindo ainda mais tempo de ligação, e recentemente foi ampliado para ter todo o estado de São Paulo como cobertura.

Nesses casos, o aplicativo SP Mulher Segura também pode ser usado como complemento, inclusive para abrir um boletim de ocorrência. Ele é gratuito para download e uso, com versões para Android e iOS.

As muralhas digitais como as de São Paulo são bons projetos de segurança ou oferecem riscos de hipervigilância? Saiba mais sobre esse debate nessa reportagem do TecMundo!

Perguntas Frequentes

Como funciona o monitoramento de agressores de mulheres em São Paulo?
Após a detenção por violência doméstica, o agressor pode receber uma tornozeleira eletrônica em audiência de custódia. Esse dispositivo permite o monitoramento contínuo por meio de um sistema integrado operado pelo Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). Se o agressor ultrapassar o perímetro definido pela Justiça, um alerta visual é emitido na central, e viaturas são enviadas tanto para a localização do agressor quanto para a casa da vítima.
O que acontece se o agressor tentar violar as regras da tornozeleira eletrônica?
O sistema emite alertas sonoros e visuais em casos como tentativa de rompimento da tornozeleira, falta de recarga da bateria ou saída do município por mais de oito dias sem aviso. Nesses casos, o Copom aciona imediatamente duas viaturas e entra em contato com a vítima para orientações e proteção.
O que é o aplicativo SP Mulher Segura e como ele ajuda as vítimas?
O SP Mulher Segura é um aplicativo gratuito disponível para Android e iOS que permite às vítimas registrar boletins de ocorrência e acionar o "botão do pânico" em situações de emergência, especialmente quando o agressor se aproxima mesmo com ordem de restrição. Ele funciona como um complemento ao monitoramento eletrônico.
O que é a Cabine Lilás e qual seu papel no atendimento às vítimas?
A Cabine Lilás é um serviço da Polícia Militar voltado ao atendimento humanizado de mulheres vítimas de violência doméstica. Realizado por meio do número 190, o atendimento é feito por agentes treinadas e oferece informações sobre direitos, orientações em casos urgentes e acesso a redes de apoio. A cabine garante mais tempo de ligação e já está disponível em todo o estado de São Paulo.
Desde quando o sistema de monitoramento está em operação e quais os resultados?
O sistema começou a operar em 2023 e, desde então, 48 agressores foram presos pela Polícia Militar por descumprirem medidas judiciais. Isso demonstra a efetividade do monitoramento integrado na proteção das vítimas.
Qual a prioridade dada aos casos de violência contra a mulher no sistema?
Casos de agressão contra mulheres são tratados como prioridade pelo Copom, conforme acordo entre o Governo de São Paulo e o Tribunal de Justiça. Isso garante resposta mais rápida e eficaz em situações de risco.
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