Informação em tempo real, conteúdo violento, pornografia, cultura, comunicação e uma tonelada de vírus e malware estão todos misturados em uma grande bacia chamada internet. Então você, que acessa o Orkut, conversa no MSN e faz pesquisas no Google, acha mesmo que está a salvo?

Basta um clique em falso para que você se exponha a farsantes, vírus e conteúdos impróprios na web. O oriente médio pode ser tão perigoso quanto a internet e a única diferença é que, nas terras de lá, você não caminharia com a mesma tranquilidade de quando está online. 



Embora a segurança na web seja um tópico desgastado, os usuários continuam ignorando os perigos virtuais. Mas por que é tão difícil ficar atento e entender que existe perigo atrás do monitor? Como dizem as avós, “cachorro velho não aprende truque novo”.

Se isto isso for certo, só nos resta colocar o foco sobre as crianças e começar a tratar da websegurança assim que os pequenos forem alfabetizados. Afinal, ninguém duvida de que em breve a tecnologia fará parte de suas vidas.

A segurança começa desde cedo.

Recentemente, a Grã-Bretanha anunciou o ensino obrigatório de boa conduta na internet para todas as crianças com mais de cinco anos. Não responder a emails de estranhos, evitar bate bate-papos públicos e não postar fotos em redes sociais são dicas comuns, mas que nem sempre são levadas a sério.

Portanto, acredita-se que uma boa dose de regras e dicas, além da formação de um pensamento crítico, podem evitar que os futuros internautas se deparem com o lado ruim da web. Mas será que tudo isso é mesmo necessário?


Filtro de conteúdo: vilão?

Quando você pensa em crianças e internet, a primeira coisa que, possivelmente, vem à sua cabeça é o uso de filtros que bloqueiam conteúdo sexual e violento. Utilizados na grande maioria das escolas do Brasil e do mundo, estes sistemas podem bloquear boa parte das informações indesejadas, mas estão longe, muito longe de ser perfeitos.

Há milhares de relatos de professores e alunos que, ao buscar um termo inofensivo no Google, foram bloqueados pelo filtro. Já outros, ao fazer também uma busca comum, obtiveram no Google Images fotografias obscenas e ofensivas. Então, se você costumava apostar todas as suas fichas nos filtros de segurança, é melhor repensar.



Pouco adianta proibir.


Outro ponto bastante discutido é o viés de censura representado por estes mecanismos. Até que ponto proibir o acesso a um site impróprio é algo bom para a criança? Calma lá! Uma criança não deve acessar conteúdo pornográfico ou violento, mas proibir é mesmo necessário? Instruções da escola ou uma conversa franca com os pais não seria uma melhor solução?

A experiência de educadores dos quatro cantos do mundo revela: proibaproíba o acesso a determinado conteúdo na web e, assim que a criança estiver em um computador sem filtros, ela irá vai matar sua curiosidade e acessar pornografia, violência e seja lá o que for. Ou seja, Proibir proibir está longe de ser eficaz.

Mesmo com tantos pontos contras, a cultura dos filtros está por toda parte e o próprio Google oferece uma ferramenta semelhante. Com o nome de SafeSearch, este mecanismo oculta ocorrências de busca de websites com conteúdo pornográfico ou violento. A mundialmente conhecida marca pode até dar um ar de confiança, mas o SafeSearch continua sendo um simples mecanismo de filtro: nada mais, nada menos.

Google SafeSearch.


O bloqueio de certas partes da web é falho e o conteúdo indevido pode sim escapar da filtragem. Além disso, estas ferramentas geralmente atrapalham o plano de aulas dos professores ao bloquear pesquisas e websites inofensivos e, claro, estudantes com 13 ou 14 anos já sabem muito bem como transpassá-las.

Ou seja: bloquear conteúdos seja na escola ou em casa é inútil. Mas qual seria a solução para garantir uma navegação segura a crianças e adolescentes? Hmm... talvez a Grã-Bretanha esteja coberta detenha razão!



Matemática, ciências e... websegurança!

Um total de 99% de todas as crianças da Grã-Bretanha têm acesso à internet e, destas, quase 20% afirma ter tido contato com conteúdo impróprio. O bandido está a um clique do mouse e as crianças - inocentes, de fato - não têm consciência do perigo que correm.

O projeto "Click Clever Click Safe" (Clique com Inteligência, Clique com Segurança) deve atuar nas escolas públicas, em indústrias e em instituições de caridade e pretende alertar pais, educadores e os jovens para os riscos encontrados na internet.

Se antigamente valiam as regras do "não fale com estranhos" e "não aceite doces de estranhosna rua", a tecnologia exige novas regrinhas como "não envie fotografias" e "não se encontre com amigos virtuais". 

A iniciativa da Grã-Bretanha é pioneira, mas não deve demorar para que outras nações sigam o exemplo. Os Estados Unidos, por exemplo, já oferecem palestras e grupos de discussões sobre o assunto em vários estados.

Educar é preciso!


Na própria internet, a quantidade de professores interessados na websegurança é grande e as propostas de aprendizado são diversas. Portugal e outros países da Europa também se mostram bastante propensos a trazer soluções e, enquanto os governos ainda estudam o que será feito, diversas ONGs já se prontificaram a dar palestras e suporte a para pais e educadores. 



Mais do que proibir ou simplesmente conversar sobre isso, a escola e os pais devem ser responsáveis por auxiliar a formação de um pensamento crítico e princípios éticos. Afinal, uma vez que você compreende o seu direito por privacidade e entende que, no mundo, nem todas as pessoas são confiáveis, você provavelmente não irá vai conversar com qualquer um ou espalhar suas fotos em redes sociais.

Aulas de conduta na web podem sim dar certo, mas é preciso investir ainda mais na humanização da criança e do adolescente. É preciso ser esperto, crítico e desconfiar sempre.



E no Brasil?

São 64,8 milhões é o número de internautas no Brasil. Deste número, mais de 70% faz parte da rede social Orkut. O considerável aumento do acesso à internet pela classe C e o vigor econômico do país levam a crer que, em pouco tempo, os brasileiros estarão todos conectados.

Por aqui a preocupação da segurança da criançada também existe e já foi inserida em projetos. O Safenet, por exemplo, é um projeto privado e sem fins lucrativos que visa investigar crimes de pedofilia na web e distribui cartilhas online, com dicas sobre como evitar problemas na internet. Palestras sobre como manter crianças e adolescentes seguros na web também são oferecidas para educadores.

 



Outro projeto semelhante é o Movimento Internet Segura (MIS), criado em 2004 para atuar na educação do internauta. O Instituto Ayrton Senna também entrou na briga contra os males da internet e, no mês da criança, deu palestras e distribuiu gibis alertando a criançada sobre o risco de vírus, malwares em geral e todo o conteúdo impróprio que está solto pela web.

A ação foi feita em escolas do estado de São Paulo e teve o apoio da gigante Microsoft. Se antes as palestras na escola eram apenas sobre sexo seguro e drogas, hoje a tecnologia já invadiu as salas de aula!



Riscos na web

  • download de vírus e malware;
  • conteúdo impróprio (violência, pornografia, drogas);
  • conversas impróprias em chats ou redes sociais;
  • pedofilia;
  • golpes financeiros;
  • cyberbullying.

Segurança em primeiro lugar.


"54% das crianças de 9 a 14 anos acham seguro se encontrar pessoalmente com um desconhecido com quem teclou por bastante tempo..." (National Center for Missing and Exploited Children, orgão que lida com crianças desaparecidas ou que sofreram abuso sexual)

Websegurança vem de casa

Para os pais:

  1. Conversar e confiar em seus filhos é sem dúvidas o primeiro passo da websegurança!
  2. Mantenha o computador em um local central, onde todos possam ver o que a criança ou adolescente está fazendo.;
  3. Familiarize-se com a tecnologia. Se você não sabe o que é o Twitter, por que proibir seu filho de acessá-lo?
  4. Limites no uso do computador são essenciais.;
  5. Converse com seus filhos sobre drogas e sexo, isso evita que eles busquem informações online.;
  6. Incentive o uso da web para coisas boas como pesquisas, vídeos interessantes e novos aprendizados.;
  7. A educação em casa e na escola é a base para a sobrevivência na internet. O auxílio na formação do pensamento crítico é essencial.

Para os jovens:

  1. Navegar na web é como andar em uma rua mal iluminada à noite: todo cuidado é pouco.;
  2. O que você não falaria olhando nos olhos de alguém não deve ser dito na internet, atrás do monitor.;
  3. Evite marcar encontros reais com pessoas da internet. ;
  4. Lembre-se do dizer: "quando a esmola é demais, o santo desconfia". ";
  5. Só porque você viu na internet, não significa que é seja verdade.;
  6. Não divulgue dados pessoais como número do cartão de crédito, documentos ou endereço.;
  7. Cuidado com fotos comprometedoras. Evite a prática do "Sexting".

Pratique!


O SeguraNet é um website português que também tem a intenção de educar os pequenos para o mundo online. O site traz uma série de atividades educativas para que pais, alunos e professores saibam um pouco mais sobre como se defender dos males da web.

Aprenda com jogos!


Para jogar, basta escolher um dos tópicos na coluna da direita, ler a explicação, cuidados e se divertir com as atividades que envolvem questionário, caça caça-palavras, verdadeiro e falso, entre outros. Aproveite: todas as informações e jogos estão em português!

E você, o que acha da websegurança e da criançada no computador? Tem alguma dica sobre como controlar o uso de websites impróprios e alertar os pequenos sobre os males cibernéticos? Sinta-se livre para comentar!

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