Uma reportagem do The New York trouxe jogou luz sobre uma questão que ainda ataca usuários de smartphones Android e iOS: aplicativos que rastreiam a localização do usuário 24 horas por dia e ainda compartilham esses dados com outras empresas. O grande problema é que não são apps que se propõem ao rastreamento, mas aplicativos de clima e até de esportes que sabem praticamente todo detalhe da rotina de seu usuário.

Acompanhe este trecho em que o NYT descreve como um desses apps funciona:

“[Um ceular] sai de uma casa no interior de Nova York às 7 da manhã e viaja para uma escola a alguns quilômetros de distância, ficando até o final da tarde em cada dia de aula. Apenas uma pessoa faz essa viagem: Lisa Magrin, uma professora de matemática de 46 anos. Seu smartphone vai com ela. Um aplicativo no dispositivo reuniu suas informações de localização, que foram vendidas sem o conhecimento dela. Ele registrou seu paradeiro a cada dois segundos, segundo um banco de dados de mais de um milhão de telefones na área de Nova York. Embora a identidade de Magrin não tenha sido divulgada nesses registros, o Times conseguiu conectá-la facilmente a esse ponto.

Aplicativos de clima e até de esportes sabem praticamente todo detalhe da rotina de seu usuário

O aplicativo a acompanhou quando ela foi a uma reunião do Vigilantes do Peso e ao consultório de seu dermatologista para um procedimento menor. Ele a seguiu caminhando com seu cachorro e ficando na casa de seu ex-namorado, informações que ela achava perturbadoras. ‘É saber que as pessoas estão descobrindo esses detalhes íntimos que você não quer que as pessoas saibam’, disse Magrin”.

O veículo deixa claro que funcionários de empresas que recebem esses dados conseguem facilmente identificar a rotina de uma pessoa em específico. Mesmo que esses dados cheguem sem nomes específicos, é possível encontrar um alvo único por meio de pontos de localização e horários. Além disso, que não são apenas adultos que acabam rastreados, mas também que crianças.

“Aqueles com acesso aos dados brutos ainda podem identificar uma pessoa sem consentimento. Eles poderiam seguir alguém que conhecessem, identificando um telefone que passasse regularmente tempo no endereço residencial dessa pessoa. Ou, trabalhando em sentido inverso, eles poderiam anexar um nome a um ponto anônimo, vendo onde o dispositivo passava a noite e usando registros públicos para descobrir quem morava lá”, escreveu o NYT. “O Times testou 20 aplicativos, a maioria dos quais foi sinalizada por pesquisadores e especialistas do setor como potenciais expositores de dados. Juntos, 17 dos aplicativos enviaram latitude e longitude exatas para cerca de 70 empresas".

Para tentar se proteger deste tipo de aplicativo, uma das prevenções é prestar atenção nas permissões do app

Entre os aplicativos citados pelo NYT, estão o WeatherBug, Weather Cannel, theScore, GasBuddy e Sense360. Contudo, o veículo cita existem mais de 1 mil aplicativos Android e 200 apps iOS que rastreiam usuários sem alertar o dono do aparelho sobre como isso é feito e compartilhado.

Você pode acompanhar a reportagem completa, com infográficos, clicando aqui. Para tentar se proteger deste tipo de aplicativo, uma das prevenções é a seguinte: preste atenção nas permissões do app e se elas têm a ver com o propósito, principalmente no que toca o rastreio.

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