Um estudo da 38North mostra o que provavelmente aconteceria se a Coreia do Norte resolvesse atacar as capitais dos principais aliados dos Estados Unidos: Japão e Coreia do Sul. Próximas de Pyongyang, as capitais registrariam a morte de 2,1 milhões de cidadãos, com quase 8 milhões de feridos.

"Em várias ocasiões nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, e outros membros de sua administração ameaçaram usar a força militar para evitar que a Coreia do Norte realize novos ensaios nucleares ou de mísseis balísticos", comenta o 38North. "Se os EUA que executarem qualquer opção militar, o risco de escalada militar pelo Norte aumentará, incluindo o uso de armas nucleares contra a Coreia do Sul e o Japão. De acordo com os cálculos apresentados abaixo, se o 'impensável' acontecer, as detonações nucleares sobre Seul e Tóquio, com as atuais estimativas de produção de armas da Coréia do Norte, podem resultar em 2,1 milhões de mortes e 7,7 milhões de feridos".

As detonações nucleares sobre Seul e Tóquio podem resultar em 2,1 milhões de mortes e 7,7 milhões de feridos

Contabilizando desde 2011, de acordo com a pesquisa, Kim Jong-un (líder da Coreia do Norte), já realizou 98 testes de mísseis balísticos. Além disso, foram realizados testes de armas nucleares (termonucleares e uma bomba de hidrogênio miniaturizada) e com mísseis intercontinentais.

Acredita-se que, hoje, a Coreia possua entre 20 e 25 bombas nucleares que potência entre 15 e 25 kilotons — mas um teste realizado no dia 3 de setembro indicou que o país já possui uma bomba termonuclear entre 108 e 250 kilotons.

Com a alta tensão atual entre Estados Unidos e Coreia do Norte, "é possível que outro teste nuclear de Pyongyang impacte uma área muito próxima das bases norte-americanas em Guam, por exemplo, e Washington poderá reagir com força. Isso poderia incluir opções desde o ataque ao míssil até ao ataque a locais onde ocorrem os testes norte-coreanos", notou a pesquisa. "A liderança da Coreia do Norte pode perceber isso como um esforço para remover Kim Jong-un do poder e, como resultado, eles usariam as armas nucleares em forma de retaliação".

A bomba de hidrogênio pode ser até 50 vezes mais potente que uma bomba atômica

O Japão é o único país que sofreu com grandes explosões de bombas nucleares. No dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos atacaram Hiroshima e mataram 80 mil cidadãos. Poucos dias depois (09), os EUA bombarderam Nagasaki, com mais 40 mil cidadãos mortos. Os norte-americanos também mataram cerca de 100 mil civis antes de detonar as bombas nucleares.

Acontece que, em 1945, a densidade populacional no Japão era muito menor. Se as bombas disparadas pelos EUA possuíam entre 15 e 25 kilotons, o estrago causado por uma bomba norte-coreana com potência entre 108 e 205 kilotons seria devastador.

toquioÁrea afetada em Tóquio

Bomba de hidrogênio

A República Popular Democrática da Coreia já havia realizado testes com armas nucleares em 2006, 2009 e 2013. Contudo, todos foram testes com bombas atômicas, diferente do realizado em março do ano passado, que alcança outro patamar em termos de destruição. A bomba de hidrogênio pode ser até 50 vezes mais potente que uma bomba atômica. Sim, uma bomba 50 vezes mais forte do que, por exemplo, aquela que os EUA jogaram em Hiroshima, no Japão.

O que é essa "arma"? Em primeiro lugar, "hidrogênio" (H) é uma designação mais adaptada ao significado termonuclear. Um dos quesitos que diferenciam a bomba H da bomba atômica é o modo de liberação de energia. Para ativar a de hidrogênio, é preciso um processo em que ocorre uma fusão e uma fissão nuclear — no caso da atômica, apenas a última se faz necessária.

A detonação de uma bomba de hidrogênio utiliza uma bomba nuclear como gatilho

A ativação de uma bomba H também parte do seguinte processo (conhecido como Teller-Ulam): cada bomba de fusão possui uma pequena bomba de fissão que explode e aquece o combustível de fusão (tecnicamente, os isótopos trítio e deutério). Fundidos, eles formam o hélio e liberam quantidades enormes de energia — a potência é tanta que é similar à da energia solar. Após tudo isso, a energia liberada ainda pode ser usada para gerar um terceiro processo de fissão e permitir que engenheiros e cientistas fabriquem uma bomba mais potente.

Mas, o que é processo de fissão? Trata-se da divisão de um grande átomo (urânio-235 ou plutônio 239) em dois ou mais núcleos menores. E o processo de fusão? É o contrário: a conversão de dois ou mais átomos (como deutério e trítio) em um maior.

Em resumo: a detonação de uma bomba de hidrogênio utiliza uma bomba nuclear como gatilho. Então, o calor da fissão cria a energia necessária para uma fusão. Dessa maneira, os nêutrons formados se chocam com o urânio da bomba-gatilho e, assim, uma reação em cadeia é formada.

tecmundoInfográfico

Cupons de desconto TecMundo: