Um estudo encomendado em 2013 pela Comissão Europeia — braço que cuida das questões econômicas da União Europeia — concluiu que a pirataria de conteúdo digital não afeta de forma significativa a venda legalizada de músicas, livros, games e outros. No caso dos jogos, a distribuição ilegal de cópias pode inclusive beneficiar os títulos, servindo como forma de convencimento para gamers comprarem os títulos que baixaram ilegalmente.

Pelo que concluiu o estudo, apenas a pirataria de filmes blockbusters, como os produzidos por Hollywood afetam, de alguma forma a audiência dos cinemas. De acordo com o relatório, a cada 10 downloads ilegais, quatro pessoas a menos aprecem na sala para assistir à película. Mas isso só vale para grandes lançamentos. No geral, a pirataria estaria reduzindo as vendas em apenas 4,4% na indústria cinematográfica.

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O que o estudo basicamente comprova é que os esforços europeus e norte-americanos contra a pirataria estão sendo desproporcionais ao rombo que essa atividade causa nos cofres de empresas privadas. Somente o estudo encomendado pela Comissão Europeia, por exemplo, custou € 360 mil, o equivalente a cerca de R$ 1,34 milhão na conversão atual.

O relatório final nunca foi divulgado publicamente porque ele atestava justamente o oposto da vontade política da organização

O mais curioso desse estudo, entretanto, é que a Comissão teria tentado esconder seus resultados. De acordo com a congressista Julia Reda, o relatório final nunca foi divulgado publicamente porque ele atestava justamente o oposto da vontade política da organização, que chegou a considerar forçar provedores de internet a embutir automaticamente códigos espiões em todo tipo de download feito pelos internautas europeus. Assim, seria possível identificar com precisão quem estava praticando pirataria e responsabilizar essas pessoas de acordo com a lei.

Reda, sabendo da existência do estudo, que havia sido concluído há cerca de 1 ano e meio, fez dois pedidos oficiais em 2017 para que a Comissão tornasse os resultados públicos. O primeiro foi negado, e, antes do segundo ser devidamente analisado, o estudo acabou sendo publicado oficialmente. A Comissão Europeia classifica o caso como mera coincidência.

Acredita-se que o impacto da pirataria na indústria cultural esteja sendo diminuído sistematicamente pelo avanço dos serviços de streaming, que tornaram produtos como músicas, filmes e livros muito mais acessíveis à população. Só na última década é que plataformas de comercialização desses produtos online se tornaram populares. Antes, as opções eram escassas, o que tornava a pirataria mais cômoda do que a compra de mídias físicas.

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