Com a chegada do Galaxy A9 (2016) ao Brasil, é muito provável que a Samsung tenha terminado de lançar produtos da linha Galaxy A por aqui até o fim do ano. Assim, já dá para fazer uma breve avaliação dessa família: ótimas opções para quem não quer gastar muito e, ainda assim, ter bons smartphones em mãos.

Nenhum dos modelos lançados em 2016 (A5A7 e, agora, A9) são perfeitos, mas eles certamente preenchem um vácuo no mercado brasileiro deixado pelos top de linha, que ficaram absurdamente caros nos últimos anos.

O A9 é a opção mais acessível para quem estava de olho no Galaxy Note 7

O A9 é a opção mais acessível para quem estava de olho no Galaxy Note 7, mas não pôde comprá-lo por falta de grana ou de oportunidade, já que foi descontinuado devido às baterias explosivas. O A9 não é nem de perto tão interessante ou potente, mas ele tem várias qualidades do aparelho anterior, que deixou todo mundo chupando o dedo.

Vamos parar com as comparações com o Note 7 agora, pois são opções de categorias totalmente diferentes e de diversos níveis de desempenho. Entretanto, o A9 se mostrou bastante potente e ágil em nossos testes.

Desempenho

Isso se deve ao fato de a Samsung ter caprichado no hardware, oferecendo 4 GB de RAM e um processador intermediário premium: o Snapdragon 652 com oito núcleos. Isso deixa o software da empresa realmente agradável de usar, sem momentos de lentidão em animações e transições.

Alternar entre apps abertos também foi uma ótima experiência em nossos testes, já que a grande quantidade de RAM permite manter esses aplicativos carregados por mais tempo. Dessa forma, o uso do A9 é significativamente mais ágil do que o do A7 (2016), por exemplo, no cotidiano.

Nós ainda rodamos games intermediários e pesados nesse smartphone sem nenhum tipo de problema, seja de lentidão ou aquecimento. Mesmo sendo fino, o celular não incomoda nas mãos depois de um bom tempo de jogo. Ele só esquentou enquanto fazíamos vários testes de benchmark seguidamente, mas não foi algo que gerou algum incômodo, foi apenas perceptível.

Entretanto, como estamos lidando com uma GPU intermediária, a Adreno 510, é notável que os gráficos de alguns games sejam menos avançados, já que a quantidade de quadros por segundo no A9 não chega perto do que vemos em dispositivos que carregam chips top de linha. Ainda assim, é algo que se percebe somente quando colocamos aparelhos lado a lado. Confira agora os testes.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Galaxy A9 a três aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6 e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

De cara, o que mais chama atenção no A9 é o seu tamanho. Estamos falando de um smartphone gigante, com tela de 6 polegadas e quase 9 cm de largura por 16 cm de altura. É muito grande. Claro que tem gente que curte essas características, tanto que a Samsung resolveu fazer e lançar um aparelho assim. Contudo, ele é fino e tem uma ótima qualidade de construção, da mesma forma que os outros modelos da linha Galaxy A.

Ele tem uma aparência premium

Deixando de lado nossas reservas quanto ao tamanho, dá para dizer que o A9 é bonito. Ele tem uma aparência premium, e o estilo de design que a fabricante achou para a linha em questão é realmente agradável. Quando você pega o A9 na mão, ele passa uma boa sensação de qualidade.

Mas, novamente por causa do seu tamanho, este é um celular que permite fazer poucas coisas com uma mão só. Você tem sempre que segurá-lo com duas mãos para conseguir interagir com a tela. Portanto, usá-lo no ônibus ou no metrô enquanto você está de pé é uma tarefa difícil.

Por outro lado, toda essa robustez encorajou a Samsung a criar vergonha e começar a ouvir o feedback dos usuários. Este é o primeiro modelo da linha Galaxy A que possui duas gavetas separadas para chips de operadoras e cartão micro SD.

Assim, você pode ter um telefone realmente dual-SIM e usar um cartão de memória junto com os dois chips. Todos os aparelhos dessa família até então contavam com uma gaveta compartilhada, que sacrificava o espaço de um SIM quando era preciso expandir a memória interna.

Tela

Não chega a ser surpresa alguma falar que um smartphone da Samsung tem um ótimo display. Já é tradição da marca implementar telas Super AMOLED em seus top de linha e, mais recentemente, em intermediários premium. Por isso, o visor do A9 é de excelente qualidade. Estamos diante de um painel muito brilhoso e que apresenta fielmente as cores. Os ângulos de visão ainda são bastante amplos, e o contraste oferecido pelo Super AMOLED é notavelmente superior ao de outras tecnologias.

A resolução Full HD (1920x1080) não fica devendo nessa tela de 6 polegadas, já que a densidade de pixels ainda é superior aos 300 ppi, faixa em que o olho humano deixa de enxergar pixels individualmente na tela de um celular.

Estamos diante de um painel muito brilhoso e que apresenta fielmente as cores

O fato de esse display ser grande e de boa qualidade faz o A9 ser uma ótima opção para quem gosta de assistir a filmes, séries e vídeos comuns no smartphone. Você tem uma experiência bem imersiva e agradável, mesmo em ambientes muito claros ou abertos.

Isso também é interessante para quem pretende aproveitar o dispositivo no trabalho e tem que usar apps em tela dividida, coisa que a interface da Samsung oferece mesmo sem o Android Nougat 7.0.

Software

A fabricante não entrega nada de novo no software do A9 em comparação ao que já vimos nos outros aparelhos da linha Galaxy A. Os mesmos apps de produtividade da Microsoft e da Google estão presentes, além de alguns extras. Vale lembrar que quase todos podem ser removidos e vêm organizados em pastinhas para não encher demais a sua gaveta de apps. Ah! Os ícones e tudo mais que aparece na tela do A9 ficam bem grandes.

A interface não mudou nada

A interface não mudou nada e ainda tem aquele visual brilhoso e meio brega do qual a Samsung ainda não conseguiu se livrar. Como não há confirmações sobre a possibilidade de o A9 receber o Android Nougat 7.0 com a nova interface Grace UX, talvez os usuários desse smartphone tenham que aturar isso por um bom tempo ainda.

Vale destacar, por fim, o fato de o Samsung Pay vir instalado no A9, mas, por alguma razão, ainda está bloqueado para uso. Nós entramos em contato com a empresa, e ainda não parece haver um prazo para a liberação do A9 para uso nesse método mobile de pagamento. A Samsung diz apenas "em breve" para isso.

Câmera traseira

Ambas as câmeras do A9 fazem fotos boas, mas a de trás é especialmente interessante. Ela não tem uma qualidade muito acima da média para um intermediário premium, apesar de ser boa, mas o destaque vale pela estabilização óptica de imagem.

Isso é interessante para imagens produzidas em ambientes com pouca luz e mais notável para a gravação de vídeo. O A9 registra pequenos clipes sem que os tremeliques da sua mão comprometam o resultado.

No geral, as fotos saem muito boas quando capturadas com o sensor traseiro, mas existem certas situações em que o A9 apresenta algumas fraquezas para um dispositivo que custa mais de R$ 2 mil. O foco não é muito preciso, o que faz as imagens ficarem bonitas quando vistas em tamanho normal, mas bastante granuladas se você der todo o zoom possível.

As fotos saem muito boas quando capturadas com o sensor traseiro

O equilíbrio de luz também é um tanto precário em momentos mais desafiadores. Portanto, se você está atrás de um smartphone que faça ótimas fotos, é bom dar uma olhada no Galaxy S6, que está inclusive mais barato que o A9, ou ainda no Note 5.

A câmera frontal não traz resultados tão interessantes quanto os feitos com a câmera traseira, mas ela certamente é melhor que a de muitos intermediários premium no mercado atualmente. Contudo, novamente, esse gadget custa mais de R$ 2 mil, e esperávamos algo melhor.

Bateria

Para aproveitar o tamanho avantajado do A9, a Samsung resolveu chutar o balde ao embarcar nele uma bateria massiva de 5.000 mAh. Isso garante uma ótima autonomia, mesmo que sua supertela de 6’’ consuma bastante energia. Em nossa experiência cotidiana com ele, sempre conseguíamos utilizar o smartphone por quase dois dias de uso normal (jogando brevemente alguns games, fazendo chamadas, navegando bastante na web e usando apps de mensagens e redes sociais) sem precisar recarregar.

Sempre conseguíamos utilizar o smartphone por quase dois dias de uso normal 

Não foi possível completar dois dias inteiros com uma carga só, mas isso deixa transparecer que mesmo quem realmente usa o Galaxy A9 por muito tempo não vai ficar sem bateria no fim do dia. Em nossos testes, antes de ir para cama, sempre pudemos contar com algo em torno de 40% de carga sobrando.

Esse aparelho inclusive tem uma autonomia melhor que a do Galaxy A7 e a do Moto Z Play, da Lenovo. Em um teste mais metódico como A9, conseguimos 10 horas de execução contínua de vídeo no YouTube —com WiFi ligado e tela com brilho no máximo. Uma marca realmente incrível. Os concorrentes, que também são bons nesse quesito, ficaram na casa das oito horas em condições similares.

Extras

Como extra, o A9 basicamente tem seu leitor de digitais abaixo da tela, no local do tradicional botão home da marca. Na maior parte do tempo, ele é veloz e confiável, mas tivemos alguns problemas quando colocamos o dedo muito rápido ou enviesado no leitor. Essa mesma característica foi vista em todos os modelos da linha Galaxy A lançados em 2016.

Vale destacar ainda que, apesar de ser grandão, este não é um phablet com caneta stylus como o Note 7 ou o Note 5. Portanto, apesar de ser espaçoso para apps de produtividade e navegação na web, o A9 não tem nenhuma das funções especiais que a Samsung embarca em seus phablets de verdade.

Vale a pena?

O grande concorrente do Galaxy A9 no mercado brasileiro é o Moto Z Play, mesmo contando com uma tela bem menor. É possível adquirir qualquer um dos dois por preços muito parecidos, e o desempenho entre eles é bastante similar.

O A9, entretanto, tem vantagem em alguns pontos por ter 1 GB a mais de RAM, maior autonomia de bateria e uma câmera melhor. É possível dizer também que o design do modelo da Samsung é mais atraente, apesar de o Moto Z Play não ser um aparelho feio. Contudo, temos que destacar que o A9 não tem nenhuma capacidade modular como o celular da Lenovo.

Moto Z Play, Galaxy A9 e Nexus 6P

Mesmo fazendo essas comparações diretas, vale ressaltar que é difícil encontrar um competidor realmente em par com o A9 em todos os seus principais aspectos. O Z Play pode ter um processador parecido, desempenho similar e mesma faixa de preço, mas o modelo da Samsung é gigantesco, e isso acaba tornando-o bom para algumas situações de uso e ruins para outras, as quais podem ser completamente opostas no Moto Z Play. Fora isso, uma pessoa interessada no dispositivo modular dificilmente estará considerando comprar o grandalhão A9, e o contrário também pode ser verdade.

Ou seja, a Samsung lançou um smartphone relativamente poderoso no mercado brasileiro e com tela grande o suficiente para interessar os fãs de phablets. Mas existe um problema aqui.

Com o Note 7 fora de linha, o Note 5 continua no posto de celular grandão mais potente da coreana: ele tem processador e GPU top de linha, display de ótima qualidade e o mais importante, câmeras realmente arrasadoras — diferente do A9, que fica entre os intermediários nesse ponto.

O A9 pode ter uma autonomia de bateria maior e ser mais recente que o Note 5, mas eles estão na mesma faixa de preço (e o Galaxy S6 está ainda mais barato). O problema no phablet seria a falta de espaço para dois chips e cartões de memória.

Mas, como isso é muito importante para muita gente, vamos comparar o A9 com o Moto Z Play novamente. Apesar de focados em públicos diferentes, esses dois têm hardware similar e bom desempenho na maior parte das suas tarefas.

Portanto, se você já descartou o modelo da Lenovo e quer mesmo um aparelho premium grandão, dual-SIM e com espaço para cartão de memória, não há muitas opções boas além do A9 por aí. Sendo assim, se você o encontrar com valores em torno dos R$ 2 mil ou menos, ele está sim valendo a pena.

Você pode adquirir o Samsung Galaxy A9 na loja Cissa Magazine.

Perguntas dos leitores

Tem multitarefa?

Sim, ele tem o sistema de multitarefa da Samsung, que é compatível com uma boa quantidade de apps, mas nem todos. Se você quer usar isso com um que não seja muito famoso, é provável que ele não tenha sido otimizado ainda.

Já travou com jogo mais pesado?

Não. Nós jogamos NFS: Most Wanted e Modern Combat 5 e não vimos nenhum travamento. Com o FIFA 17, entretanto, o game ficou meio lento. Nos dois primeiros, era possível ver que os gráficos não estavam mais tão interessantes quanto em tops de linha.

O GPS dele é preciso?

Sim. Em nossos testes, não vimos nenhum erro no GPS além do normal, uma vez que em qualquer celular existem algumas falhas, especialmente em áreas com muitos prédios. Ele tem A-GPS e GLONAS.

Esquenta? Explode?

Não e não. Para uso normal e até para jogos, não tivemos problemas com superaquecimento no A9. Só percebemos um pouco de calor quando rodamos todos os nossos benchmarks seguidamente, mas quase todos os dispositivos esquentam com isso.

Quem tem melhor desempenho? A9 ou Moto Z Play?

É praticamente a mesma coisa no uso diário, mas o A9 ganha na maioria dos benchmarks, uma vez que ele tem mais RAM. O Z Play, entretanto, tem um processador mais otimizado, porém muito similar ao do A9.

Esse é o A9 ou A9 Pro?

Esse celular é conhecido no exterior como A9 Pro, mas, no Brasil, a Samsung ficou com o nome “Galaxy A9”. Isso tem gerado confusão até para nós ao lidarmos com informações de especificações, mas o original A9, que é vendido em várias partes do mundo, não chegou e não deve chegar aqui.

É compatível com o Samsung Pay?

Sim, mas o app ainda não foi liberado para uso nesse dispositivo em específico.

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