Isso pode soar meio distópico — assustador mesmo. Entretanto, não se pode negar que a previsão do um pesquisador australiano sobre o futuro dos animais de estimação faz algum sentido. De acordo com o alustraliano Jean-Loup Rault, a diminuição progressiva de espaços livres em grandes centros urbanos deve tornar inviável a criação de animais de estimação de carne e ossos. Em vez disso, nós talvez tenhamos que optar por versões robóticas.

Em estudo publicado no periódico Frontiers in Vererinary Science, Rault sugere que o crescimento exponencial dos grandes centros urbanos não deixará espaço suficiente para 9,5 bilhões de pessoas e seus amados animais de companhia. Não obstante, ele prevê que os saltos tecnológicos devem oferecer “substitutos” de fácil manutenção — sejam eles robóticos ou versões mais elaboradas dos bem conhecidos bichinhos virtuais.

Nós nos afeiçoamos a coisas inanimadas

É bem verdade que a ideia de substituir uma criatura viva por um amontoado de engrenagens e códigos de programação deve retumbar negativamente nos ouvidos de grande parte dos donos de cães e gatos. Não obstante, Rault lembra que, sim, os seres humanos são plenamente capazes de direcionar interesse a afeto a objetos inanimados — basta olhar de perto o relacionamento de algumas pessoas com carros, barcos ou instrumentos musicais.

De fato, conforme lembrou o site Gizmodo, ao longo dos anos diversos estudos mostraram que as pessoas são perfeitamente capazes de interagir com animais-robôs da mesma forma que o fazem com os animais de carne e ossos. E, como mostra a milênios o desenvolvimento humano, isso é particularmente notável em crianças, cuja imaginação praticamente sopra vida em figuras de ação, animais de pelúcia, bonecas etc.

Só que isso funciona perfeitamente com adultos também. Senão, vale relembrar o momento em que a Sony finalmente decidiu fechar as portas das clínicas de reparos para o robô canino Aibo. Na ocasião, diversos donos de versões do robô organizaram ritos fúnebres para se despedir de seus companheiros, que então não poderiam mais ser consertados.

É preciso ter algo físico

A despeito dos curiosos enterros dos Aibos, certamente há estudos que mostram que, seja como for, as pessoas ainda se preocupam mais e desenvolvem laços maiores com animais propriamente ditos. Igualmente curioso, entretanto, é a relevância de algo físico que represente o pet.

Afinal, se é certo que mesmo alguém sensível ainda desenvolverá laços menos intensos com uma geringonça robótica, a coisa toda descamba ainda mais no caso de um animal de estimação virtual. Quer dizer, que o diga quem conduzia experiências com o bichinho virtual Tamagotchi — às vezes tratando mal propositadamente o pequeno alienígena, unicamente para ver como ele se desenvolveria ou conseguiria “sobreviver”.

Isso porque, como reforçou o pesquisador, talvez tão relevante quanto o fato de algo estar mesmo “vivo” seja a existência de um componente físico — condição essencial para a criação de laços empáticos.

Confirme mostrou uma pesquisa conduzida com crianças no início deste ano, crianças são capazes de associar animais de pelúcia com a ideia de “amizade”, mas cães e gatos em videogames são abrigados mais como “entretenimento”. Nintendogs, por exemplo, pode oferecer alguma companhia virtual, mas dificilmente seria algo equiparável a animais reais ou mesmo a alternativas que a criança seja capaz de olhar e de tocar.

Mais cães e gatos pelo mundo

Seja como for, as projeções de Rault parecem ser coisa para daqui a muitos anos. Afinal, os últimos anos apenas tem visto um crescimento no número de animais de estimação mundo afora. No Brasil, por exemplo, em que 85% de nós vive em centros urbanos abarrotados, há aproximadamente 20 milhões de cães de médio e pequeno porte — o que nos torna o país com o maior número de cães pequenos por cabeça no mundo.

Já nos EUA, cerca de 37% dos habitantes possuem um cão em casa, e 30% possuem um gato — o que, grosso modo, considerando-se sobreposições (pessoas que possuem simultaneamente cães e gatos), equivale a dizer que cerca de metade da população possui algum animal de estimação. Ademais, diversos centros emergentes na Ásia também tem visto saltar os números de suas populações de animais de estimação.

“Ainda assim, é difícil imaginar como mais da metade de uma população estimada de 9,5 bilhões de habitantes em 2050 ainda consiga manter animais de estimação”, reiterou Rault. De fato, mesmo com o crescimento de espaços verdes e áreas para pedestres, o crescimento constante das populações globais deixa claro que o espaço pode ser uma das mais raras e relevantes moedas de troca de um futuro não muito distante, o que parece realmente capaz de prejudicar os nossos amados companheiros animais — sobretudo aqueles que não possuem um botão de “liga/desliga”.

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