Milhares de satélites atualmente circundam a Terra, captando e transmitindo tudo, desde sinais de navegação GPS à previsão do tempo para programas de televisão, e todos eles precisam de combustível para manobrar em órbita. Sem uma forma de reabastecer estas máquinas, muitas são “aposentadas” precocemente, mesmo com elas podendo fornecer muitos anos a mais de serviço.

O Satellite Servicing Capabilities Office (Agência de Serviço e Manutenção de Satélites, em tradução livre), da NASA e ligado ao Centro de Voo Espacial de Goddard, em Maryland, se juntou com o Centro Espacial Kennedy (na Flórida) em 2011 para inventar uma maneira de reabastecer satélites em torno do planeta. A solução encontrada por eles parece ter se inspirado na ficção – usar um robô.

Embora essa notícia possa trazer à mente visões de naves interestelares, o depósito robótico não será usado para reabastecer naves espaciais rumo ao exterior do sistema solar ou outros mundos (pelo menos por enquanto). Em vez disso, ele vai abastecer os satélites em órbita da Terra.

Ao criar esta nova tecnologia, “a NASA espera acrescentar vários anos a mais de vida funcional para satélites e ampliar as opções para os operadores que enfrentam emergências inesperadas, demandas econômicas mais rígidas e apertadas e a redução do desperdício com a reciclagem de novas frotas de satélites", escreveu Bob Granath, da NASA, em um comunicado.

É só o princípio

O uso dessa tecnologia não se limitaria ao abastecimento, no entanto. A NASA também pode usá-la para consertar satélites com defeito e construir estruturas completamente novas no espaço sideral.

A parceria entre a Goddard e o CE Kennedy foi graças às capacidades especiais de cada organização. A longa história do CE Kennedy na preparação de lançamentos de naves espaciais, por exemplo, confere um vasto conhecimento e experiência com carga propelente. Além disso, devido ao envolvimento do CE Kennedy, “os participantes do projeto foram capazes de utilizar o equipamento existente, instalações e acesso ao excedente de hardware do Programa Space Shuttle, além de economizar milhões de dólares em custos de desenvolvimento”, disse a NASA.

A Goddard, por sua vez, possui foco em robótica e recentemente eles enviaram para o CE Kennedy um braço robótico, a 800 milhas (1.287 quilômetros) de distância, para testar a capacidade de controle remoto do sistema. Durante o teste, o operador remoto do robô, localizado no Goddard, se conectou à extremidade do braço para realizar uma simulação da troca de uma válvula em um satélite. A equipe de Kennedy, em seguida, usou tetróxido de nitrogênio, uma substância comumente usada em naves espaciais, para verificar o resultado, e o composto fluiu sem problemas através da válvula.

Um efeito colateral benéfico de reabastecer satélites em órbita é que isso diminui a quantidade de lixo espacial perigoso na área logo acima da atmosfera da Terra. Em vez de ter satélites mortos flutuando descontrolados, os engenheiros em terra podem estender suas vidas com reabastecimento, adiando lançamentos caros e minimizando o envio de material para o espaço. Ao nível da órbita geoestacionária, uma região a 22.236 milhas (35.786 quilômetros) acima da Terra, há mais de 100 naves de propriedade do governo e 360 satélites de comunicações comerciais.

Portanto, “a capacidade de reabastecer e reparar satélites em GEO (órbita terrestre geoestacionária) é mais sustentável e vai ajudar a mitigar os problemas de detritos orbitais,” escreveu Agência de Serviço e Manutenção de Satélites, da NASA, em seu site.

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