O Robonaut da NASA ainda nem ganhou suas novas pernas e já tem competição fresca (e discutivelmente superior) para enfrentar. O Centro Espacial Johnson da agência recentemente revelou o Valkyrie, sua aposta para a DARPA Robotic Challenge, que pretende incentivar a produção de aparelhos que possam realizar tarefas perigosas que normalmente necessitariam de presença humana.

Além de contar com mais juntas que a maioria dos seus rivais de duas pernas, a máquina ainda está carregada com inúmeras câmeras, um sistema de detecção de turbulências por laser (LIDAR) e um sonar, tudo para ajudá-lo a se mover rapidamente. Ele consegue operar sob cargas gravitacionais planetárias, que o Robonaut não consegue suportar, e até mesmo usuários sem experiência podem mantê-lo em funcionamento.

Segundo a agência, as capacidades de mobilidade e destreza do Valkyrie são grandes o suficiente para permitir que ele entre em áreas de desastre para realizar operações de busca e resgate. Suas pernas fortalecidas permitem que ele se desloque por ambientes degradados, e as câmeras instaladas na sua cabeça, corpo, antebraços, joelhos e pés fornecem informações visuais para seus operadores.

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Fonte da imagem: Reprodução/IEEE Spectrum

A construção modular do robô permite ainda que os astronautas troquem as baterias e substituam os braços e pernas do equipamento em questão de minutos. Além de seus usos práticos, o chefe do projeto, Nicolaus Radford, afirma que sua equipe teve a preocupação de fazer uma máquina com uma “aparência incrível”. Nesse sentido, é bastante importante que o aparelho tenha uma estética mais humanoide do que a maior parte dos competidores.

O Valkyrie se parece, se move e até se veste como um humano, usando camadas de tecido sobre seus membros de metal. O pano ajuda a protegê-lo de quedas, mas Radford afirma que há mais uma razão para a vestimenta. “Nosso robô é macio. Se você se encostar nele enquanto estiver trabalhando, não vai querer sentir o metal duro e frio, vai desejar que pareça natural, como se estivesse junto a outro ser humano”, disse.

Seguindo os termos do regulamento do desafio da DARPA, as funções do Valkyrie estão mais voltadas para o uso na Terra, mas Radford afirma que o objetivo da NASA é sua utilização em Marte e que “esses robôs vão começar a preparar o caminho para exploradores humanos”. No entanto, primeiramente será preciso superar os rivais inscritos na competição, que termina no dia 20 de dezembro.

Super-herói expresso

(Fonte da imagem: Reprodução/IEEE Spectrum)

Surpreendentemente, o Valkyrie foi desenvolvido e construído pela NASA em apenas nove meses, sendo que duas semanas de trabalho foram perdidas por conta do impasse no governo norte-americano. Uma equipe de 55 pessoas trabalhou em turnos distintos para manter o “bunker” onde a criação foi feita funcionando das 7 horas da manhã até as 5 horas da madrugada.

Mesmo com o acelerado período de construção, Radford está confiante de que o Valkyrie será capaz de realizar as tarefas de salvamento exigidas pela DARPA e descreve a criação de seu time como um “super-herói”, título que pode estar por trás da luz no peitoral do robô, no melhor estilo Homem de Ferro. “Se vale a pena criar, então vale a pena fazer ficar legal”, conclui o líder do projeto.

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