A cena é conhecida: depois de conhecer alguém, a pessoa simplesmente olha para você e diz que, por alguma razão, fulano não parece muito confiável. Todos nós já passamos por isso e, mesmo sabendo que as justificativas dessas ocasiões são vagas demais, muitos acabam seguindo a “intuição” e se afastando do recém-conhecido.

Agora, psicólogos da Northeastern University, nos EUA, pretendem investigar o que nos leva a agir dessa forma. Em conjunto com pesquisadores do MIT e da Cornell University, o professor David DeSteno começou a analisar quais tipos de interações fazem as pessoas sentirem mais confiança umas nas outras.

Para isso, 86 estudantes da Northeastern conduziram conversas presenciais ou pela internet com pessoas desconhecidas, que duravam cerca de cinco minutos. As conversas foram gravadas em vídeo e classificadas de acordo com o nível de movimentos de nervosismos que os participantes faziam.

Depois, os participantes precisavam passar pelo clássico Dilema do Prisioneiro, exercício em que você pode trair a outra pessoa para obter mais vantagem ou colaborar com ela para que os dois recebam um “lucro” menor. Como é de se esperar, pessoas que não confiam muito umas nas outras acabam querendo levar vantagem, traindo o “oponente”. Durante as pesquisas, ficou claro que as pessoas que tiveram a conversa presencial confiavam mais uma na outra do que as duplas que conversaram pela internet.

Explicando a confiança

Na tentativa de filtrar o que é que influenciava, de fato, a opinião de alguém, a equipe substituiu um dos participantes por um robô desenvolvido pelo MIT, controlado por duas pessoas por detrás de uma cortina.

Nexis, o robô criado pelo MIT para auxiliar a pesquisa (Fonte da imagem: Discovery News)

Dessa forma, a equipe de pesquisadores percebeu que existem determinados movimentos do corpo que tornam uma pessoa mais confiável ou não.  Cruzar os braços, tocar as mãos ou o corpo de alguém, durante a conversa, são exemplos de movimentos que podem influenciar a percepção de alguém.

De acordo com o artigo publicado pela Discovery News, quando esses gestos são realizados isoladamente, eles não representam muito, mas, juntos, eles passam a representar o nível de confiança de alguém. Quando o robô cruzava os braços ou colocava a mão na própria face, por exemplo, as pessoas confiavam menos nele.

Com essa pesquisa, DeSteno constatou que não apenas existem algumas pistas que as pessoas usam para definir o nível de confiança com alguém, como também demonstrou ser possível que exista uma relação de confiança entre um ser humano e um robô.

Fonte: Discovery News

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