Um grupo de estudantes afegãs que se juntou para criar um grupo de robótica e participar da competição internacional FIRST Global Challenge pode não ter a chance de disputar o torneio frente a frente dezenas de outros adversários vindos de todas as partes do mundo. Segundo a revista Forbes, o grupo teve seu visto de uma semana para levar seu robô ao evento negado pelo governo norte-americano.

Para piorar, o motivo da recusa para as seis adolescentes, vindas da cidade de Herat (a terceira maior do país), não foi revelado – o que acabou por gerar uma reação furiosa tanto de ativistas quanto de personalidades do mundo da tecnologia.

Mesmo com a ajuda de uma das maiores figuras femininas no mercado de tecnologia do país, grupo não teve permissão para participar da competição

A situação se torna ainda mais desanimadora quando consideramos todo o trabalho que o grupo teve para tentar conseguir o visto. Para fazerem as entrevistas, todas tiveram que passar por uma viagem de 800 km até a embaixada localizada em Cabul, uma região assolada por uma série de ataques feitos por homens-bomba (inclusive um ataque ocorrido em junho que matou 90 pessoas).

Roya Mahboob, fundadora da companhia de software Citadel no Afeganistão e primeira CEO mulher do país no ramo de tecnologia, conta que juntou o grupo por achar que essa era uma “mensagem muito importante para nosso povo”. “A robótica é muito, muito nova no Afeganistão”, explicou ela, dizendo também que as garotas “choraram o dia todo” quando descobriram que seu visto havia sido negado pela primeira vez.

Ainda competindo

Em meio a tantas informações ruins, vale ao menos uma boa notícia: o robô teve permissão de ser enviado para a competição e, com isso, as garotas ainda terão a chance de competir remotamente. Mesmo assim, é difícil não ficar indignado com a situação, considerando que apenas elas e o time de Gâmbia tiveram seus vistos para o país negados.

Para conseguirem participar, no entanto, elas provavelmente ainda terão que enfrentar um bom número de obstáculos. Isso porque a equipe teve pouquíssimo tempo para montar sua máquina: os materiais adquiridos por elas estiveram detidos por meses na alfândega, por medo de que os itens fossem ser usados pelo Estado Eslâmico, e foram liberados apenas algumas semanas atrás.

Enquanto esperavam pelas peças finais, as garotas criaram seu próprio robô caseiro para treinar

Se isso parou as garotas? Muito pelo contrário. Enquanto esperavam, elas criaram sua própria máquina motorizada caseira para treinar para o evento, e estão recebendo a ajuda de alguns estudantes graduados de robótica da Carnegie Mellon para trazer o projeto à vida.

Torçamos que, até o evento (que ocorre no meio de julho), as garotas consigam não apenas mudar esse quadro, como também mostrar que isso tudo não vai impedí-las de fazer um bom trabalho.

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