Pais de alunos da Escola Gracinha, em São Paulo (SP), acusam o Instagram de realizar uma ação de marketing não autorizada na porta da instituição de ensino, distribuindo brindes para divulgar as Contas de Adolescente da rede social. Detalhes do caso foram reportados pela newsletter Ctrl+Z na terça-feira (11).
Os promotores que representavam a rede social da Meta chegaram ao local minutos antes do horário de saída dos alunos, abordando-os enquanto eles deixavam o estabelecimento, mesmo que não tivessem autorização da direção da escola. Ao TecMundo, a gigante da tecnologia informou que a ação integra uma “campanha educativa”.
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Gincana e brindes
De acordo com uma das mães que presenciou a campanha, os promotores usavam camisas com a logomarca da rede social e montaram um estande próximo ao portão da escola, com banners do Instagram.
A ação chamou a atenção dos estudantes que saíam da instituição e formaram fila para participar. Segundo a Meta, a ação foi feita em conjunto com a Rádio Disney.
- Na estrutura, acontecia uma espécie de gincana na qual os participantes ganhavam sacolas com brindes;
- Ao saber da campanha, a direção do colégio pediu aos promotores que deixassem o local, argumentando que não havia autorizado a ação;
- Em seguida, os organizadores foram para o outro lado da calçada, mais distante da instituição, e continuaram a abordar os estudantes que passavam por lá;
- “Não estavam abordando nenhum pai, era diretamente para os adolescentes. Foi muito ruim. Vemos isso com péssimos olhos, eles estavam quase dentro. Mas a escola reagiu rápido”, relatou a direção da instituição, à CTRL+Z.
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Como mostra uma foto feita pela denunciante, a ação promovia as Contas de Adolescente do Instagram. No estande, havia a seguinte mensagem em destaque: “Proteções automáticas para adolescentes, tranquilidade para os pais”.
Esse tipo de conta é destinado aos usuários com idade entre 13 e 17 anos, contando com várias restrições de segurança. A modalidade também possui supervisão parental, inclusive com o envio de alertas para os pais caso os filhos estejam pesquisando determinados conteúdos com frequência.
ECA Digital
À Ctrl+Z, a direção da Escola Gracinha disse que promove conversas com os pais sobre o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), abordando as relações de crianças e adolescentes com as ferramentas tecnológicas. A nova legislação entrou em vigor no último dia 17 de março.
Entre os destaques da lei, vale citar a obrigatoriedade de vinculação de perfis de menores de 16 anos a um responsável legal, a verificação de idade em serviços de maior risco e a remoção imediata de conteúdos de abuso, exploração, violência ou incitação ao suicídio. Há multas pesadas para o descumprimento das regras.
O TecMundo entrou em contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) questionando se a ação realizada pelo Instagram viola as determinações do ECA Digital. Até o momento, o órgão não se pronunciou.
Escola não sabia da campanha
Falando ao TecMundo, a direção da Escola Gracinha afirmou que não tinha conhecimento da gincana organizada pela rede social da Meta. A empresa não enviou nenhum comunicado à instituição solicitando autorização para a campanha.
“A escola não foi consultada previamente nem recebeu qualquer comunicação sobre a realização da ação. Assim que tomou conhecimento da ação, a direção foi até os promotores para solicitar que deixassem o local. A escola manifestou que não havia autorizado a abordagem”, comentou o estabelecimento de ensino.
Informações apuradas pelo Estadão apontam que o mesmo tipo de campanha aconteceu nas proximidades do Colégio Santa Cruz e do Colégio Oswald de Andrade, igualmente na capital paulista. Em ambos os casos, também não houve aviso por parte da big tech sobre a presença dos promotores.
Instagram diz que ação é legítima
Em comunicado enviado ao TecMundo, o Instagram afirmou que a ação de marketing realizada na escola da capital paulista está incluída em uma campanha mais ampla de divulgação da conta destinada aos usuários adolescentes. A rede social também destacou que esse tipo de promoção não viola a nova legislação.
Confira a nota da Meta na íntegra:
"A ação em questão faz parte de uma campanha educativa mais ampla da Meta sobre as proteções das Contas de Adolescente do Instagram, como restrições de contato por desconhecidos, controle de tempo de uso e configurações de privacidade mais rígidas por padrão. Iniciativas como essa estão previstas no ECA Digital, ao estabelecer que plataformas promovam a educação quanto ao uso seguro de seus serviços”.
Em uma atualização recente, o Instagram liberou a ferramenta que possibilita controlar as recomendações de conteúdos. Saiba como funciona o recurso nesta matéria.
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