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Igrejas viraram data centers? Templos religiosos usam apps como ferramentas de vigilância

Novo documentário da MIT denuncia igrejas dos EUA que usam plataformas de dados e IA para vigiar e perfilar fiéis vulneráveis.

Avatar do(a) autor(a): Amanda Fleure

schedule08/09/2025, às 18:55

updateAtualizado em 03/03/2026, às 08:29

As igrejas estão se transformando em data centers, e a fé, em um produto monitorável. É o que indica um novo documentário de investigação jornalística da MIT, que expõem como templos religiosos nos Estados Unidos estão usando plataformas de dados e IA como ferramentas de vigilância e proselitismo político. Longe de ser uma novidade inocente, essa tecnologia visa rastrear e perfilar indivíduos vulneráveis, como pessoas endividadas, com problemas de saúde mental ou vícios, para atraí-las e, em última instância, radicalizá-las.

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O app Gloo, cuja empresa é chefiada pelo ex-gerente executivo da Intel, Pat Gelsinger, supostamente vendem sistemas que analisam dados dos fiéis, como frequência de cultos, doações e até palavras-chave em pedidos de oração. As informações são cruzadas com dados externos, como histórico de crédito e hábitos de consumo, pra criar um perfil espiritual de cada pessoa. Com isso, as igrejas conseguem enviar mensagens personalizadas e campanhas de doações. 

Algumas igrejas chegam a usar reconhecimento facial para monitorar quem entra e sai. O objetivo é auxiliar as igrejas a se conectarem, se engajarem e conhecerem seus membros em um nível mais profundo. No entanto, o enfoque subjacente é um pouco mais sombrio. Ela permite que igrejas, grandes e pequenas, coletem dados sobre seus congregados para construir perfis detalhados de suas vidas, incluindo problemas pessoais e financeiros. Esse modelo, que trata os fiéis como "clientes" a serem engajados, levanta sérias questões sobre a privacidade e a natureza da confiança na fé.

Ide e pregai o… algoritmo?

Gloo igreja church fé
A Gloo pretende construir um perfil “rico e maior do que qualquer impressão superficial”, afirma (Imagem: CBN). 

A tática de vigilância tem como alvo a população mais suscetível. A plataforma, acessível a milhares de igrejas em todo o país, permite identificar áreas geográficas com altas taxas de divórcio, dependência de opioides ou dificuldades financeiras. A justificativa oficial é oferecer ajuda, mas a denúncia aponta que a verdadeira intenção é monetizar a vulnerabilidade dos fiéis por doações e, sobretudo, convertê-los a uma agenda política radical. A tecnologia de dados, que pode parecer uma ferramenta de "ajuda", na verdade, se torna um mecanismo de recrutamento, minando a autonomia e a privacidade dos indivíduos.

A crescente adoção dessas ferramentas de vigilância nas igrejas está alterando fundamentalmente a relação entre os fiéis e suas comunidades. O que antes era uma conexão baseada na confiança e na fé agora é mediado por algoritmos. A eficiência prometida por essa abordagem tecnológica, onde a fé é gerenciada por métricas de engajamento, ameaça a essência das relações interpessoais e comunitárias que são o pilar de muitas religiões. 

Construção de comunidade ou estratégia mercadológica?

fé igreja oração
Fiéis rezam em igreja nos Estados Unidos (Imagem: Vineyard USA). 

A Gloo, uma das principais empresas no mercado de "faith-tech", busca inserir o setor religioso na era do conhecimento algorítmico. A companhia se apresenta como a principal plataforma para conectar o "ecossistema da fé", e seu modelo de negócios tem atraído um investimento de milhões de dólares. No entanto, as evidências sugerem que essa abordagem tecnológica não é neutra. Ao coletar informações pessoais e comportamentais dos fiéis, a plataforma cria um perfil "muito mais rico do que qualquer impressão superficial", permitindo que as igrejas otimizem a "missão" por meio da análise de dados.

O uso de IA para "ajudar" os fiéis levanta uma questão crucial sobre a moralidade da tecnologia e sua aplicação em questões de fé e ética. Enquanto a Gloo afirma que sua tecnologia é "alinhada a valores bíblicos", críticos questionam se uma ferramenta sem alma pode realmente oferecer uma orientação espiritual legítima. A perigosa convergência entre fé e vigilância, tem o potencial de minar a autonomia dos indivíduos e transformar a igreja em um instrumento de poder e controle. 

Para mais informações sobre como a tecnologia está moldando o futuro das instituições e da sociedade, continue acompanhando as notícias do TecMundo.

Perguntas Frequentes

Como as igrejas estão utilizando tecnologia para monitorar seus fiéis?
As igrejas nos Estados Unidos estão usando plataformas de dados e inteligência artificial para rastrear e perfilar indivíduos. Isso inclui o uso de sistemas que analisam dados como frequência de cultos, doações e palavras-chave em pedidos de oração, além de cruzar essas informações com dados externos, como histórico de crédito e hábitos de consumo.
Qual é o objetivo das igrejas ao coletar dados dos fiéis?
O objetivo declarado é auxiliar as igrejas a se conectarem, se engajarem e conhecerem seus membros em um nível mais profundo. No entanto, o enfoque subjacente pode ser mais sombrio, visando atrair e, em última instância, radicalizar indivíduos vulneráveis, como pessoas endividadas ou com problemas de saúde mental.
Quais tecnologias específicas estão sendo usadas pelas igrejas para vigilância?
Algumas igrejas estão utilizando reconhecimento facial para monitorar quem entra e sai dos templos. Além disso, aplicativos como o Gloo, liderado pelo ex-gerente executivo da Intel, Pat Gelsinger, vendem sistemas que analisam dados dos fiéis para criar perfis espirituais personalizados.
Quais são as implicações éticas do uso de tecnologia de vigilância por igrejas?
O uso de tecnologia de vigilância por igrejas levanta preocupações éticas significativas, especialmente em relação à privacidade dos fiéis e ao potencial de manipulação de indivíduos vulneráveis. A coleta e análise de dados pessoais para fins de proselitismo político e radicalização são questões particularmente preocupantes.
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