Em uma entrevista concedida à NBC no último final de semana, o ex-analista de dados da Cambridge Analytica (CA) Christopher Wylie afirmou que o escândalo envolvendo o uso ilegal de informações obtidas sem consentimento de usuários do Facebook pode ser ainda maior.

Wylie, que ficou conhecido no último mês justamente por denunciar o caso à imprensa, afirma que mais de 87 milhões de pessoas podem ter sido atingidas pelo problema. Esse número representa o total de pessoas que serão avisadas pelo próprio Facebook sobre o uso indevido de seus dados para fins políticos pelo menos em dois países (EUA e Reino Unido), mas a situação teria contornos ainda mais graves.

“Há um risco genuíno de que esses dados tenha sido acessado por bom número de pessoas e estaria armazenados em várias partes do mundo, inclusive na Rússia, dado o fato de que o professor que gerenciou o processo de colheita de dados ia e voltava entre Reino Unido e Rússia”, suspeita o analista.

O professor em questão é Aleksandr Kogan, programador russo responsável pela criação do teste de personalidade usado como “porta de entrada” para obter as informações dos usuários. Por meio dele, Kogan obteve inicialmente o consentimento de quase 300 mil pessoas que realizaram os testes, alcançando dezenas de milhões de amigos desses usuários por consequência. Depois, ele violou os termos do Facebook e compartilhou tais informações com a CA.

87 milhões

O Facebook confirmou na última semana que 87 milhões de pessoas tiveram seus dados utilizados de forma indevida por parte da Cambridge Analytica. Ao todo, cerca de 70 milhões estariam nos Estados Unidos, com afetados também no Reino Unido, nas Filipinas e na Indonésia (1 milhão em cada) e ainda outras 310 mil pessoas na Austrália.

Apesar de afirmar que o problema pode ter uma extensão ainda maior, Wylie não dá qualquer dica dessa dimensão. Não deixa de ser surpreendente, porém, a possibilidade de uma violação de privacidade ainda maior.

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