A realidade virtual ainda possui uma grande barreira a ser ultrapassada: uma vez que não é possível tocar em um objeto, torna-se difícil sentir-se imerso naquele mundo. Mas isso pode se tornar uma limitação do passado muito em breve – e você não vai precisar usar macacões ultra tecnológicos ou aparelhos que parecem saídos de um filme de ficção científica das antigas.

Um projeto feito pela startup H2L, chamado UnlimitedHand, é um bom exemplo disso. Seu aparelho, atualmente juntando interessados no Kickstarter, parece um simples sensor háptico que é preso em seu antebraço com a ajuda de uma pulseira de borracha, captando suas ações e gerando reações quando um objeto virtual entra em contato com sua contraparte 3D.

As respostas hápticas, por sua vez, chegam em qualquer parte de seu braço; seja até mesmo na ponta de seus dedos. Assim, enquanto seus membros normalmente passariam por um objeto 3D tranquilamente, em um espaço virtual, o UnlimitedHand dá a impressão de que a pessoa tocou algo de verdade, como o vídeo abaixo mostra bem.

Mas como um aparelho preso em seu antebraço conseguiria fazer isso? É aí que entra a parte mais interessante: o acessório usa estímulos elétricos em seus músculos para literalmente controlar os movimentos de seus dedos. Isso não quer dizer, é claro, que você vai realmente ser empurrado ao tentar atravessar uma parede ou outro objeto; fazer isso, porém, geraria uma resposta para saber que está em contato com algo.

Interagindo com o mundo virtual

Não é preciso dizer que as aplicações que isso permite são muitas. “Integrando esta tecnologia ao nosso controle de jogos, efeitos como encontros corpóreos e ocasiões em que dano é infligido dentro dos games podem ser sentidos em pessoa”, exemplifica a equipe, em sua página do projeto. Outra possibilidade interessante é a de usar isso para que você possa jogar títulos musicais com instrumentos virtuais, no lugar de precisar comprar aparelhos para tal.

Gostou da ideia? Então imagine que, por utilizar um simples sistema Arduino, é possível adicionar suporte a essa tecnologia facilmente aos seus jogos, através de plugins Unity.

Obviamente, os games são só uma área em que isso pode ser utilizado: basta imaginar como seria controlar os braços de um autômato e poder sentir o mesmo que ele, ao segurar um objeto, para pensar como isso seria útil na robótica.

Tecnologia promissora, mas pouco acessível

Até aí, uma tecnologia como a do UnlimitedHand é bastante interessante. Um único fator pode colocar tudo isso a perder, infelizmente, jogando-a no limbo onde tantos outros acessórios promissores foram parar: seu preço.

Atualmente, o UnlimitedHand é consideravelmente salgado para sua carteira. Um kit com o acessório e as ferramentas de desenvolvimento apropriadas custa 248 dólares (R$ 1.020, em uma conversão simples), embora alguns sortudos a apoiar o projeto ainda possam conseguí-lo por 212 dólares (R$ 871).

Por um lado, é um valor alto, mas não tão absurdo, considerando se tratar de uma tecnologia tão inovadora. Agora junte a esse valor o preço de um par de óculos de realidade virtual, um computador capaz de trabalhar com tudo isso.

Tamanho valor, para a grande maioria, se torna inviável. E não estamos nem falando do gasto necessário para a criação de um sistema com sensores que estimulasse nosso corpo por completo, para realmente ficarmos imersos. É preciso notar que, com o passar do tempo, a tecnologia do UnlimitedHand pode se tornar extremamente barata e acessível ao público em geral. Mas até lá, não seria surpresa ver ele fracassar no mercado.

Mesmo com tantos pontos preocupantes, o projeto vem mostrando uma recepção bastante positiva: para você ter ideia, sua página no Kickstarter alcançou a meta de 20 mil dólares em apenas 22 horas e atualmente já passou dos 32 mil, com 58 dias restantes. Vamos torcer que o aparelho seja um sucesso, porque convenhamos que sentir o contato ou o dano sofrido em um game parece uma ideia bastante divertida.

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