No ano passado, a marca brasileira Quantum apresentou seu primeiro smartphone no mercado, o Quantum GO. Aquele produto tinha um monte de coisas interessantes, e o seu preço o fazia valer a pena. A versão mais básica custava menos de R$ 800, mas o seu sucessor, o Quantum FLY, não sai por menos de R$ 1.299.

Isso porque a fabricante reposicionou seus produtos e agora tem dois novos celulares o Quantum MÜV, mais básico, e o FLY. Por este ser o mais potente da empresa, a propaganda em torno dele tem praticamente anunciado o dispositivo como “o grande top de linha com preço de intermediário”. Realmente o preço é de um intermediário, mas será que ele é mesmo um top de linha? Descubra nesta análise.

Desempenho

O que mais pesa a favor do título de “top de linha” para o Quantum FLY é o processador deca-core Helio X20 da MediaTek e os 3 GB de RAM. Fora isso, temos uma carcaça premium com acabamento em alumínio e tela com vidro curvado nas bordas. Em teoria, dá para dizer sim que é um top de linha. Na prática, entretanto, a história é um pouco diferente.

Pudemos notar várias vezes quedas de frames e alguns pequenos engasgos

O smartphone tem um desempenho abaixo do esperado e não consegue rodar alguns dos jogos mais pesados e populares da Google Play, como Asphalt 8, da Gameloft. Esse título nem mesmo é ser executado, dando a entender que estamos de frente a alguma incongruência de software. Outros jogos mais elaborados, como Modern Combat 5 conseguiram ser executados sem maiores problemas, mas pudemos notar várias vezes quedas de frames e alguns pequenos engasgos. Algo parecido aconteceu com Horizon Chase.

Entramos em contato com a marca para saber mais a respeito desse problema com o Asphalt 8, e a empresa disse que está trabalhando junto a Gameloft para resolvê-lo. Entretanto, não foram dados detalhes sobre a falha ou um prazo para correção.

Em benchmarks, entretanto, ele se sai melhor do que isso. Os números são sempre bem altos e deixam seus concorrentes da mesma faixa de preço comendo poeira. Mas do que adianta todo esse poder de fogo se, quando chega a “hora do vamos ver”, o FLY não consegue levantar voo da forma como era esperado?

A fabricante deve liberar alguma correção através de uma atualização de software em algum momento. Contudo, da forma como está hoje, ele não pode ser considerado um top de linha no campo do desempenho. É no máximo um intermediário um pouco mais avançado.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Quantum FLY a cinco aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6, Basemark X, GFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

3D Mark (Ice Storm Unlimited)

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

AnTuTu Benchmark 6

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Basemark X

O Basemark X tem como foco principal mensurar a qualidade gráfica dos dispositivos. Baseado na engine Unity 4, o app aplica testes de alta densidade, mostrando qual dos aparelhos se sai melhor na execução de jogos. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

GFX Bench (T-Rex HD)

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Vellamo Mobile Benchmark

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

No campo do design, o novo smartphone da Quantum bate um bolão. Não dá para dizer que este é um aparelho feio. Ele tem um perfil bem fino e leve e ainda possui um estilo sóbrio e elegante. Isso quer dizer que não há nenhum elemento chamativo demais para prejudicar a coesão visual da carcaça e tudo foi posicionado da forma mais simétrica possível.

Na parte de trás, temos uma tampa de alumínio com a logo da empresa e um espaço para o leitor de digitais. Acima e abaixo dessa tampa existem duas faixas de plástico para as antenas, e a superior abriga a câmera, o flash e uma abertura para um microfone. A saída para fones de ouvido fica em cima, os botões de volume e energia, na lateral direita, e o slot para SIM e cartões de memória, no lado oposto.

É possível usar dois chips de operadora ou um apenas chip junto com um cartão de memória

Vale destacar que é possível usar dois chips de operadora (um micro e um nano) ou um chip e um cartão de memória. Decisão muito infeliz da fabricante que conhece todo criticismo que a Samsung e sua linha Galaxy A enfrentam no país por conta de fazer exatamente a mesma coisa nesse sentido. Afinal, não dá para usar os dois chips e um cartão ao mesmo tempo.

A escolha dos materiais, por sua vez, foi bem acertada, dando um aspecto bem premium ao dispositivo. Ele tem um vidro com bordas curvas, e a tampa de alumínio possui acabamento fosco atrás. Infelizmente, a moldura é toda de plástico.

Esse smartphone é teoricamente o substituto do Quantum GO no mercado, mas tem uma aparência completamente renovada. O FLY se parece mais com os modelos P8 e P9 da Huawei, enquanto o GO era bem inspirado na linha de design dos celulares da Sony.

Tela

A tela desse modelo conta com uma diagonal de 5,2 polegadas (13,2 cm) e resolução Full HD, o que lhe garante uma densidade de pixels de 423 ppi. Isso é o suficiente para oferecer uma boa qualidade na reprodução das imagens e eliminar qualquer tipo de efeito de pixelização. O display é relativamente brilhoso, e você não deve enfrentar problemas para ver o conteúdo sob sol forte.

É uma boa tela, mas para um telefone intermediário, e não para um top de linha, como a Quantum prefere anunciar. Isso fica claro quando notamos que a iluminação do LCD interfere na reprodução de cores: elementos em preto ficam meio acinzentados e cores mais vivas — como azul, amarelo e vermelho — apresentam um aspecto meio esbranquiçado quando comparamos os tons do Quantum FLY aos de um top de linha propriamente dito.

Ainda assim, a tecnologia IPS consegue tornar os ângulos de visão bem amplos, e não há distorção das cores ao olhar o celular na mesa ou na mão de outra pessoa.

Software

O Quantum FLY roda o Android 6.0 Marshmallow, e a fabricante já comentou que pretende liberar uma atualização para o Nougat 7.0 em breve. Entretanto, não foram informadas datas mais precisas.

De qualquer forma, estamos aqui falando de um Android bem limpo. Talvez apenas a Motorola entregue hoje uma interface mais fiel à original do Robô. A Quantum fez algumas personalizações nos ícones do sistema e também adicionou alguns poucos apps, configurações e atalhos.

Talvez apenas a Motorola entregue hoje uma interface mais fiel à original do Robô do que a Quantum

Nada disso deve incomodar o usuário de alguma forma, e a experiência geral é muito boa. Tudo é muito responsivo, e existe um botão para limpar a memória RAM quando você abre o gerenciador de tarefas. Contudo, é necessário ressaltar novamente que pode existir algum problema de software que torna o desempenho do Quantum FLY ruim para games e apps mais exigentes. Isso não deveria acontecer em um smartphone com processador de dez núcleos e 3 GB de RAM. Em atividades cotidianas, entretanto, não enfrentamos qualquer problema nesse sentido.

Câmeras

Os sensores do FLY possuem 16 e 8 MP na parte traseira e na dianteira, respectivamente. Ambos são acompanhados de flash, sendo o de trás dual-tone. É possível fazer boas fotos com essas câmeras, mas é preciso ter paciência. O foco automático é muito lento, e, até quando você toca nos elementos da imagem para direcionar o foco a algum item específico, o sensor sofre para conseguir tornar a imagem nítida.

Mesmo fazendo tudo certo, você ainda corre o risco de obter imagens com aquele efeito ghosting, que mostra alguns “fantasmas” ao redor dos contornos das fotos. Basta abrir uma imagem feita pelo FLY no PC e dar zoom para conferir. A velocidade de captura também não é muito boa, o que torna esse aparelho uma opção inferior para fotografar entre os dispositivos da categoria.

O software de captura tenta compensar essas fragilidades oferecendo várias opções de filtros, personalização, modos e capturas com gestos. Contudo, elementos como o HDR deixam as imagens muito distorcidas.

Bateria

O chip de 10 núcleos e os 3 GB de RAM consomem muita bateria

A célula de energia do FLY conta com 3.000 mAh, mas a autonomia do aparelho não é lá grande coisa. Com uma capacidade dessa, o dispositivo que tem uma tela Full HD poderia muito bem durar pelo menos um dia e meio longe das tomadas, mas não é esse o caso. O chip de 10 núcleos e os 3 GB de RAM consomem muita bateria e fazem com que o FLY tenha uma autonomia mediana para a categoria dos intermediários.

Em um teste executando continuamente vídeo em Full HD, com brilho da tela no máximo e WiFi ligado, conseguimos fazer o FLY durar 5 horas e 33 minutos em uma carga completa. Considerando o tamanho da bateria, esperávamos pelo menos mais uma hora. Entretanto, isso é o suficiente para que você consiga usar o celular um dia inteiro de forma mista sem se preocupar muito.

Extras

Esse dispositivo conta com rádio FM e a possibilidade de usar dois chips de operadoras de uma só vez. Esses recursos normalmente são muito apelativos para o consumidor brasileiro que está em busca de um intermediário, mas vale destacar que não há TV digital no Quantum FLY.

Ele possui um leitor de impressões digitais na parte de trás que aumenta a segurança

Em contrapartida, ele possui um leitor de impressões digitais na parte de trás que aumenta a segurança e torna o desbloqueio da tela mais prático. Contudo, notamos em nossos testes que ele é consideravelmente lento para acordar o dispositivo quando identifica o dedo do usuário.

Por outro lado, o processo de cadastro de digitais é bem simples e rápido. O contra aqui é a falta de NFC para acompanhar esse sensor biométrico. Assim, você não tem a possibilidade de fazer pagamentos com esse dispositivo.

Podemos mencionar também a qualidade do som do aparelho, que conta com um alto-falante mono na parte de baixo. Ele consegue um bom volume, mas gera muitas distorções e vibrações. Os fones de ouvido, seguindo na contramão, são bons tanto em som quanto em qualidade de construção, assim como os demais acessórios.

Vale a pena?

Este certamente é um smartphone atraente para o consumidor brasileiro, que preza muito pelo custo-benefício. Pagando à vista, é possível comprar um Quantum FLY por até R$ 1.299, o que é um valor interessante considerando seu design premium e especificações parrudas. O problema é que essas especificações infelizmente não se traduzem em desempenho real para games mais pesados, o que é um tanto decepcionante.

Tem 32 GB de armazenamento interno, o dobro da média nessa categoria

Por outro lado, ele consegue fazer praticamente tudo o que um intermediário da mesma faixa de preço faz e tem 32 GB de armazenamento interno, o dobro da média nessa categoria.

O que nos preocupa é o fato de a marca anunciar o FLY como um “top de linha com preço de intermediário” quando isso não é verdade. Não queremos dizer que o aparelho é uma droga ou coisa parecida, uma vez que isso também não é verdade. Ele é um intermediário, e a empresa poderia abraçar essa característica para não decepcionar seus consumidores.

Por tudo isso, o FLY é mais uma boa opção para quem não curte o software da Samsung (encontrado em modelos como Galaxy A5, A7 e J7) e também não está a fim de comprar um Moto G4 Plus por conta do design pouco atraente. O FLY é bonito e tem o suficiente para ser um bom intermediário.

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