Desde que se iniciaram os rumores de que o PlayStation 4 vai receber uma revisão de hardware (chamada de 4.5 ou 4K), o enfoque dado pela mídia se concentra na possibilidade do futuro aparelho de reproduzir conteúdos na resolução Ultra HD. No entanto, outro quesito pode ser mais importante na hora de oferecer uma experiência de jogo mais completa: o suporte a imagens em HDR.

Fato é que são poucas as chances de que uma possível nova versão do video game realmente vá conseguir trabalhar com o formato 4K de forma nativa. Quem acompanha o mercado de PCs sabe que nenhuma placa de vídeo individual disponível no mercado consegue lidar facilmente com a tecnologia, especialmente durante a reprodução de games a 60 quadros por segundo.

Embora haja indícios de que isso vai se tornar realidade com a nova geração de placas da AMD (Polaris) e NVIDIA (Pascal) vá tornar isso possível, é improvável que elas vão ser aplicadas a consoles de mesa em um futuro próxima. Isso porque as GPUs mais potentes devem custar entre US$ 500 (R$ 1,7 mil) e US$ 600 (R$ 2,1 mil), o que tornaria inviável adotá-las em uma plataforma do tipo.

Questões técnicas

A versão atual do console da Sony é capaz de trabalhar com a resolução nativa de 1080p, ou 1920x1080 pixels. Isso significa que, a qualquer momento, o console tem que exibir um total de 2.073.600 pixels na tela ao mesmo tempo — algo que o hardware atual tem dificuldade em fazer a 60 quadros por segundo.

Já a resolução 4K (3840x2160 pixels) trabalha quatro vezes essa quantia (8.294.400 pixels), o que exige um hardware muito mais potente, especialmente quando estamos falando de jogos eletrônicos. Mesmo que a próxima iteração do console seja equipada com uma GPU duas vezes mais poderosa que a atual, é improvável que a Sony aposte em um produto que trabalha com o Ultra HD de forma nativa.

O PS4K deve usar técnicas de upscale para atingir a resolução 4K

Assim, há grandes probabilidades de que o “PlayStation 4K” trabalhe com a resolução nativa de 1440p, algo viável para um console de mesa. Os 3.686.400 pixels do formato permitiriam aos desenvolvedores trabalhar com uma quantidade maior de detalhes, que passariam por um processo de upscale para funcionar em telas 4K.

No entanto, não deve ser esse incremento visual que deve “saltar aos olhos” dos consumidores que optarem por um upgrade. O maior avanço técnicos trazido pela versão revisada da plataforma de mesa deve ser o suporte nativo à exibição em HDR, tecnologia que vem ganhando espaço entre fabricantes de telas.

HDR

A sigla, que significa “High Dynamic Range” (Grande Alcance Dinâmico) já é conhecida entre os adeptos dos vídeos e fotografias, mas ainda atua de maneira discreta na área dos jogos eletrônicos. Muito disso graças a uma restrição de codec que finalmente está prestes a ser abandonada.

Até mesmo as melhores telas de alta definição disponíveis no mercado estão restritas a trabalhar com a tecnologia Rec.709, aprovada em 1990. A alternativa mais recente a ela é a Rec.2020, aprovada em 2012 para telas 4K e 8K, que conta com suporte à tecnologia HDMI 2.0 e dá adeus aos métodos antigos de entrelaçamento e só trabalha com o scan progressivo de imagens.

As vantagens do HDR são fáceis de observar

O Rec.2020 também é definido por um espaço de cores de 10/12-bits, enquanto o Rec.709 era limitado a espaços de 8-bits. Na prática, isso significa que é possível trabalhar com uma quantidade de cores muito superior: mais de um bilhão de tons, em relação com os 16 milhões disponíveis anteriormente — e é ai que entra o HDR.

As técnicas de grande alcance dinâmico disponíveis no mercado vão permitir a criação de cenas muito mais bonitas e ricas em detalhes do que as vistas atualmente. Em teoria, o novo formato permite trabalhar com intervalos de iluminação que vão de 0.0001 nit até 10 mil nits — efeito que é mais bastante visível e chamativo.

O HDR é a nova aposta da indústria em matéria de qualidade de imagem

Segundo a Microsoft, uma das maiores apoiadoras da tecnologia HDR, a diferença é maior do que a transição do 1080p para o 4K. A companhia confia tanto na tecnologia que pretende adicionar o suporte nativo a ela em uma atualização para o Windows 10 programada para algum momento de 2017.

No entanto, ao menos no mundo dos consoles, o apoio da AMD ao novo padrão é o mais importante. Isso porque a companhia é responsável pela produção do chip gráfico do PlayStation 4, o que aumenta consideravelmente as chances de que uma possível revisão técnica do console ganhe suporte a imagens com grande alcance dinâmico.

Adaptação relativamente simples

Obviamente, os consumidores só vão conseguir se beneficiar do HDR caso os desenvolvedores adotem a tecnologia em seus jogos. A boa notícia resulta do fato de que o processo de adaptação é relativamente simples: segundo a Microsoft, será necessário menos de uma semana de trabalho para que a solução seja empregada — muito disso decorre do fato de que muitos dos dados necessários já são gerados, mas não podem ser mostrados.

Os televisores compatíveis vão ficar conhecidos pela marca Ultra HD Premium

A má notícia é que, conforme você pode ter imaginado, será preciso possuir uma televisão com suporte a HDR para aproveitar da novidade. Caso a compra do possível PlayStation 4K faça parte de seus planos e você ainda não tenha uma TV 4K, pode ser uma boa ideia esperar um pouco antes de adquirir um produto da categoria.

Produtos compatíveis com a solução devem exibir o símbolo UHD Premium, escolhido pelas fabricantes da categoria participantes da UHD Alliance. Haverá duas categorias nesse sentido: o Padrão 1, que contempla displays de LED (0,05 nits a 1000+ nits) e o Padrão 2, adequado a telas OLED (0.0005- 540 nits).

Caso os rumores estejam certos, o PlayStation 4K (ou 4.5) deve chegar às lojas no primeiro trimestre de 2017, época em que uma quantidade maior de displays 4K UHD deve ser disponibilizada ao público consumidor. Caso a Sony seja a única a apostar na ideia, ela pode ter uma vantagem bastante grande em relação às concorrentes Nintendo e Microsoft no que diz respeito à qualidade de imagem — resta esperar pelas notícias dos próximos meses para descobrir como essa história vai se desenrolar.

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