Análise PlayStation 4

Esta é uma mudança de geração bastante atípica. Por mais que rumores e polêmicas sejam comuns com a chegada de novos consoles, o lançamento do PlayStation 4 e do Xbox One potencializou tudo isso e fez com que o público acompanhasse cada novidade dessa novela em tempo real. Sony e Microsoft viraram protagonistas de um reality show que serviu apenas para aumentar as expectativas quanto ao que estava por vir.

console

Depois de muita espera, eis que o primeiro competidor pela corrida da nova geração finalmente entrou em campo. E, com o PS4 em mãos, percebemos como o terceiro console da Sony envelheceu nestes quase sete anos de diferença entre os dois. Se o PS3 chegou ao mundo grande, pesado, caro e com visíveis problemas, desta vez, tudo está diferente. A Sony aprendeu muito bem a lição com os tropeços passados e traz um aparelho voltado a corrigir cada uma das falhas de seu sistema atual (quando falamos no preço, consideramos o mercado americano).

Mas será que o PlayStation 4 terá fôlego para aguentar os mesmos sete anos de seu antecessor? Se depender da empresa, talvez até mais que isso. A máquina ostenta um hardware poderoso construído com a ajuda dos desenvolvedores, além de trabalhar com uma arquitetura mais familiar aos programadores: o x86.

E diante de todo o hype criado em torno do console e da nova geração, resta a dúvida: será que o PS4 consegue ser poderoso o suficiente para suprir todas as expectativas? “A grandeza o espera”, diz a Sony, mas o que encontramos quando finalmente colocamos as mãos no aparelho?

Isso é o que nós vamos descobrir.

O visual do PlayStation 4 não lembra nem um pouco o desenho inicial do PlayStation 3. Felizmente, a Sony abandonou o formato “grill” do console anterior e criou uma plataforma elegante e com visual mais sóbrio e discreto.

Além disso, as duas metades — superior e inferior — parecem flutuar uma sobre a outra quando olhamos o console de frente. É justamente nessa parte discreta e inclinada que ficam as duas entradas USB frontais do console.

Outro detalhe interessante é a linha vertical que cruza toda a parte superior da plataforma. Na frente do console, essa linha é dividida em dois botões: Eject e Power. Em cima, ela acende e indica se o console está ligado, em espera ou com problemas.

O PlayStation 4 tem o design mais elegante de todos os consoles da Sony até hoje. O seu visual lembra um eletrônico tradicional e possui linhas que se adaptam facilmente a qualquer rack de eletrônicos sem chamar atenção demais.

Playstation 4

O conector HDMI foi o alvo de muitas reclamações. Diversas pessoas relataram que o conector, por algum motivo, parava de enviar o sinal para a TV. Felizmente, esse problema é simples de ser resolvido. Os consoles testados pelo BJ não apresentaram esse tipo de defeito e o sinal de vídeo funcionou perfeitamente desde o início.

hardware

O planejamento da nova máquina começou pouco tempo após o lançamento do PlayStation 3. Mais precisamente, cerca de um ano depois. A Sony colheu os frutos — doces e amargos — do lançamento do console e partiu para o projeto do PS4.

A empresa baseou o projeto do aparelho na parceria com os desenvolvedores, ou seja, ela se reuniu com os principais estúdios de jogos do mundo e perguntou em que tipo de máquina eles queriam trabalhar na próxima geração. Entre os principais requisitos estava um aparelho com memória unificada, ou seja, vídeo e sistema compartilhando os mesmos bits de dados.

Quem ficou a cargo de desenvolver CPU e GPU foi a AMD, que criou uma APU personalizada para o sistema. Dentro do chip estão oito núcleos da arquitetura Jaguar (x86) dividindo espaço com a GPU, uma versão modificada dos chips Radeon.

De acordo com a Sony, o chip gráfico do PlayStation 4 possui capacidade de processamento de 1,84 TFLOPS e é capaz de realizar a renderização de gráficos, física e muito mais. A GPU é baseada na arquitetura GCN — Graphics Core Next — da AMD. O chip possui 18 unidades de computação, o que resulta em 1152 Engine Shaders e 72 unidades de textura.

Os 8 GB de memória GDDR5 rodam a 5.500 MHz com uma banda de 256 bits, resultando em uma velocidade de 176 GB por segundo. Se compararmos essas especificações com as de um PC atual, temos uma máquina excelente, mas ainda mediana. A diferença é que, sendo um console, é possível otimizar 100% do código dos jogos para o hardware, permitindo criar games com efeitos visuais incríveis.

tabela especificaçoes


Parte interna

Mídia física e conexões externas

A mídia física principal do console continua sendo o Blu-ray, mas os jogos podem ser adquiridos por meio digital na PlayStation Store, já que a Sony prometeu dar mais destaque a essa apresentação, trazendo todos os seus lançamentos nos dois formatos simultaneamente — o que é uma ótima notícia para nós, brasileiros, que ganhamos uma opção mais econômica de adquirir nossos jogos.

Para a instalação dos games, o console traz um HD de 500 GB que pode ser substituído pelo jogador com facilidade (o PS4 não aceita armazenamento externo). Um dos recursos interessantes do sistema é a possibilidade de se jogar enquanto o jogo ainda é baixado — ou instalado a partir do disco.

Nós obtivemos ótimos resultados com esse sistema. O console prioriza o começo do jogo em questão e, dentro de alguns minutos, o título já está disponível para ser jogado — ou, pelo menos, uma parte dele. No caso de Knack, por exemplo, as primeiras oito fases foram liberadas inicialmente enquanto o restante ainda estava sendo transferido.

Outra grande novidade em termos de download é que, como o PS4 pode ser deixado em modo de espera, você não precisa mais deixar o video game ligado durante a madrugada quando comprar um jogo mais pesado. Os dados continuam sendo baixados mesmo em stand by, o que ajuda a economizar tempo.

Para conexão com a internet, existe um conector Ethernet e WiFi IEEE 802.11b/g/n que, infelizmente, trabalha apenas a 2,4 GHz.

A Sony deixou de lado as saídas analógicas do console e agora tudo é completamente digital. O PlayStation 4 suporta resolução HD (720p), Full HD (1080p e 1080i). O console também suporta telas de baixa definição sem problemas.

Ao contrário do PlayStation 3, que chegou com suporte a leitores de cartão, infravermelho e outros, o novo console da Sony traz apenas duas portas USB 3.0 na parte da frente. Tudo isso é parte da estratégia da empresa em deixar claro que o PS4 é feito para jogar.

O sistema de refrigeração do console é bastante eficiente. Mesmo com a fonte interna é possível ver que o cooler consegue retirar grande parte do calor dos componentes. A parte de trás do console tende a esquentar um pouco por causa disso, mas não chega a ser um problema.

Conexões de entrada

controle

O DualShock 4 não é somente um novo joystick; o modelo é resultado da evolução e da experiência da Sony com video games. Os traços não escondem sua origem: o aparelho segue a mesma linha dos modelos anteriores, mas com mudanças importantes — e muito bem-vindas. Uma delas é que agora ele pode, finalmente, carregar a bateria quando o console está em modo de espera.

Essa novidade é fundamental, uma vez que a autonomia de energia do controle foi cortada drasticamente em relação ao seu antecessor. Como ele recebeu algumas novas funções, isso passou a exigir mais da bateria, que agora dura uma média de oito horas entre uma recarga e outra contra as 30 do modelo anterior.

Além disso, sua pegada está muito mais ergonômica. Ele é levemente maior e mais comprido nas laterais, o que o torna ideal para quem possui mãos maiores. Além disso, ele também é um pouco maior e mais pesado, o que ajuda a acabar com a sensação de que estamos segurando um brinquedo, como acontecia com o controle anterior.

O layout dos botões permanece inalterado, com exceção do Start e do Select, que foram substituídos pelos novos Options e Share, respectivamente. A posição deles confunde um pouco no início, já que estávamos acostumados com botões mais centralizados, mas nada comprometedor. Questão de costume.

Dualshock 4

A parte central do joystick traz um touchpad clicável que promete ser um dos grandes diferenciais do novo DualShock. No entanto, mesmo com o fator novidade, a adição ainda não mostra muita utilidade prática nos jogos. O único título que utiliza esse recurso até o momento é Killzone: Shadow Fall, mas de maneira bem superficial e nada surpreendente, podendo ser facilmente substituído pelo D-Pad ou pelos próprios analógicos.

A textura do controle é mais áspera que antes e proporciona uma maior aderência às mãos, dando mais firmeza à pegada e evitando que ele escorregue.

Desgaste do analógico

Os dois analógicos estão levemente mais afastados e possuem um novo formato. A superfície convexa desses direcionais deu lugar a uma área côncava e com bordas mais salientes, o que garante mais firmeza na hora de jogar. Agora é mais difícil que o dedo “escorregue” para fora do analógico como acontecia no DualShock 3, já que o encaixe evita que isso aconteça — o que deixa o controle bem mais próximo daquilo que tínhamos no Xbox 360.

Apesar de melhores, alguns usuários relataram problemas com a resistência dos direcionais analógicos, mais especificamente com o revestimento de borracha que, por conta do uso constante, pode acabar rasgando.

Passamos vários dias jogando muitas horas seguidas e percebemos que a borracha já apresentava um pouco de desgaste, mas nada crítico ou preocupante. Desse modo, não podemos afirmar se ela vai ceder completamente a curto prazo.

O D-Pad possui o mesmo formato dos modelos anteriores, mas está um pouco maior que antes — principalmente nas extremidades — e encaixando melhor nos dedos do jogador.

O tempo de resposta dos comandos é perfeito. A Sony nunca decepcionou nesse sentido e não seria agora que a empresa deixaria algo como isso atrapalhar.

Barra Luminosa

A barra luminosa do controle é interessante para identificar os jogadores. Algo simples, mas eficiente. Dentro de alguns games, como em Killzone: Shadow Fall, por exemplo, a barra mostra a vitalidade do personagem: ela começa verde e vai alternando para amarela e vermelha conforme o dano aumenta.

O novo joystick possui ainda um sistema de alto-falantes que serve para aumentar a experiência dentro dos jogos, de maneira semelhante ao que a Nintendo trouxe com o Wii Remote. Além disso, o aparelho possui um jack de conexão P2 estéreo que permite a conexão de praticamente qualquer fone de ouvido comum, incluindo aqueles equipados com microfone, já que eles podem ser usados para bate-papo e gravação de vídeos de gameplay. A qualidade do som transmitida pelo controle é ótima e não deixa a desejar em nenhum momento.

Controlando com o Vita

Só que o PlayStation 4 não é a única arma da Sony para a nova geração, já que a empresa se aproveitou do hype criado em torno do console para agregar valor ao Vita, transformando o portátil em uma parte importante daquilo que a plataforma tem a oferecer. Não é à toa que muito do material de divulgação liberado nos últimos meses sempre colocou os dois aparelhos lado a lado.

A comunicação entre eles é feita de maneira bem simples e estável, o que ajuda bastante na hora de executar suas novas funções. É claro que isso depende da conexão envolvida, mas nada que vá exigir absurdos de sua redes.

A principal novidade relacionada ao Vita está no chamado Controle Remoto, que permite que você acesse praticamente todos os recursos do PS4 a partir da tela do portátil. Não se trata de algo inédito, já que esse tipo de comunicação existe desde o PSP, mas ele está funcionando muito melhor nesta nova geração.

Prova disso é que é possível executar praticamente todos os jogos diretamente da pequena tela sem que isso comprometa a qualidade do título. É claro que a parte visual vai ser comprimida no processo, mas as quedas na taxa de frames são pouco perceptíveis e não chegam a atrapalhar o desempenho da jogatina como um todo. No entanto, mais uma vez, isso vai variar de acordo com a estabilidade de sua conexão.

Playstation Vita

Apesar disso, o verdadeiro problema do Vita como controle remoto do PS4 é exatamente a adaptação dos comandos. O portátil usa o touchpad traseiro para emular alguns dos botões do DualShock 4 e isso faz com que tudo fique confuso e caótico.

Como é praticamente impossível não encostar no painel, é muito comum você executar uma ordem sem querer e se atrapalhar por completo. Em Killzone: Shadow Fall, por exemplo, qualquer toque acidental faz com que o personagem arremesse granadas pelo cenário — o que fez com que morrêssemos dezenas de vezes durante nossos testes.

A outra função do Vita com o PS4 é a chamada segunda tela. Entretanto, até o momento, não há nenhum jogo que utilize esse recurso.

Playstation Eye

câmera

Os planos iniciais da Sony eram incluir a câmera junto com o console, o que faria, inevitavelmente, que o preço aumentasse. A empresa não quis perder esse diferencial frente à Microsoft e decidiu comercializar o acessório avulso. Mas será que a ela é mesmo fundamental para ter uma experiência completa com o PlayStation 4?

Durante nossos testes, percebemos que não. Mesmo que o aparelho tenha evoluído consideravelmente desde o modelo anterior, disponibilizado para o PlayStation 3, ainda não percebemos uma utilidade real para ele, pelo menos por enquanto.

A sensação de mexer com a câmera é estar frente a uma versão um pouco mais simples do primeiro Kinect. A captação de movimentos é razoável, desde que não sejam feitos movimentos bruscos. Para piorar, o dispositivo não emite luz infravermelha, o que obriga você a manter a sala bem iluminada para que ela possa reconhecer os comandos.

Playstation Eye

Aplicativos

Para quem procura uma utilidade um pouco mais prática para a PlayStation Camera, o PS4 já vem com um aplicativo dedicado pré-instalado em seu sistema. Como apresentado pela Sony, o PlayRoom é um programa de realidade aumentada que usa o acessório para que você possa interagir com pequenos robôs de diferentes maneiras, seja brincando com eles, fazendo carinho ou distribuindo algumas bordoadas. Não se trata de nada grandioso e lembra muito os primeiros títulos para Kinect, que traziam uma experiência casual divertida à primeira vista, mas facilmente esquecida.

Além disso, o periférico pode ser usado também durante a transmissão de suas jogatinas. Assim, junto com a imagem do jogo, você pode exibir seu rosto durante o streaming e ainda usar o microfone da câmera para conversar com seu público em tempo real.

The Playroom

Comandos de voz

E, assim como o Kinect, a nova PlayStation Camera adiciona ao console a “facilidade” dos comandos por voz. O periférico consegue reconhecer muito bem as ordens do usuário, contanto que todo o ambiente esteja em silêncio. Se houver mais de uma pessoa no ambiente, conversas paralelas podem fazer com que o sistema não identifique a ordem, fazendo com que você tenha de repeti-la várias vezes até obter o resultado esperado.

As ações que a PlayStation Camera pode executar ainda são bem poucas, se limitando a entrar em um jogo específico, voltar à tela de início, selecionar o usuário e desligar o console. No entanto, de modo geral, o resultado foi bem satisfatório durante nossos testes, embora nada surpreendente.

interface

A interface do PlayStation 4 não parece exatamente um software completamente novo. Ela traz novidades, é claro, mas ainda lembra um pouco a tela de início do PlayStation 3. Assim como quase tudo no console, a Sony procurou melhorar o que era bom e eliminar o que era ruim, deixando tudo muito mais rápido e simples. Navegar na interface do PS4 é incrivelmente agradável.

Na primeira vez que ligamos o console, somos apresentados a uma tela de configuração inicial que exige a conexão física do DualShock 4 através da porta USB. Feito isso, um guia nos ensina passo a passo o que deve ser feito para deixar a máquina funcionando. Tudo é muito simples: depois de aceitar o imenso contrato, é possível ajustar a rede e a câmera do console.

Ao acessar a interface pela primeira vez, demos de cara com uma atualização de 323 megabytes. O update 1.51 não é obrigatório para acessar os aplicativos, mas é recomendável a sua instalação antes de começar a jogar.

A tela é dividida em menus horizontais, lembrando bastante a estrutura do XMB do PS3, mas muito mais simplificado e lógico. A primeira “camada” mostra opções de sistema, como notificações, painel de configurações, lista de troféus etc. Já o segundo nível mostra a lista de softwares instalados no console. Tudo é mostrado em ícones, incluindo games, aplicativos e até mesmo o navegador de internet.

Ao selecionar um jogo, a interface muda para uma tela especial em que é possível ver informações específicas do game como troféus, notícias e expansões disponíveis. Desse modo, não é preciso perder tempo procurando esses mesmos dados em outras áreas.

A navegação na interface está muito rápida. Você pode entrar e sair de um jogo em questão de segundos. Checar troféus, visualizar seu perfil e interagir com amigos são ações que você pode fazer enquanto o jogo fica em segundo plano, podendo ser retomado com a mesma agilidade — o sonho de todo jogador de PS3.

Um dos benefícios da nova interface do console é a possibilidade de se alterar opções de vídeo e som sem precisar sair do jogo. A troca de usuários também ficou mais eficiente e rápida, e agora permite que você baixe seu perfil temporariamente no console de um amigo e o delete quando for embora.

Entretanto, não é mais possível utilizar contas compartilhadas. Por mais que não haja mais um limite de aparelhos ativados, o conteúdo só pode ser acessado pelo usuário que o adquiriu, acabando de uma vez por todas com as compras conjuntas.

Interface do console

O PlayStation 4 traz uma tela de configurações especiais, que pode ser acessada ao pressionar o botão de força por cerca de 7 segundos (com o console desligado). Essa opção permite que você faça diversas alterações no sistema do console caso encontre algum problema com o funcionamento da plataforma.

No modo de segurança é possível restaurar as configurações de fábrica, reinstalar o sistema operacional ou até mesmo alterar a resolução de tela para 480p caso o seu televisor não possua suporte a imagens em alta definição.

psn

Outra grande aposta da Sony com o PlayStation 4 é a de transformá-lo em uma espécie de plataforma social. Para isso, a PSN deixou de ser apenas um serviço para agrupar seus amigos e passa a funcionar como uma rede social de verdade, permitindo que você acompanhe suas atividades e interaja com eles.

Essa função é bem parecida com aquilo que a própria Sony fez no PlayStation Vita, listando quais games eles começaram a jogar e quais troféus conquistaram. A diferença é que, com o PS4, isso é ampliado e você tem uma visibilidade e diversidade bem maiores do que no portátil, já que, mais do que simplesmente visualizar essas atualizações, você tem mais opções de participação.

Além disso, a Sony estreitou as relações do console com outras redes, como Facebook e Twitter. Com isso, o console não só envia informações sobre seu desempenho para amigos fora da PSN como também agrupa alguns dados nas duas plataformas.

Porém, essa socialização ainda exige algumas burocracias bobas. Por mais que seus amigos já estejam com o console e compartilhando todo o progresso de seus títulos, é preciso enviar uma nova solicitação para que essas atualizações sejam exibidas. Assim, se você tem uma centena de contatos, prepare-se para enviar novos pedidos para aproveitar as funções do PS4 de verdade.

psn
share

Considerado uma das maiores novidades do PlayStation 4, o botão Share do controle é uma ótima ferramenta para facilitar a vida de quem quer compartilhar imagens e vídeos de seus jogos, ampliando as funcionalidades sociais da plataforma. A tecla fica posicionada entre o D-Pad e o sensor de toques, próximo de onde se localizava o Select no DualShock 3 — o que faz com que seja bem comum pressioná-lo esperando executar outra tarefa.

Apesar dessa confusão inicial, fruto da falta de hábito, sua utilização é realmente bem simples. Como o console está constantemente capturando sua jogatina, um simples toque no botão faz uma captura da tela e ainda armazena os 15 últimos minutos de jogo. É possível definir o ponto de início da gravação a partir de um clique duplo, otimizando o seu tempo.

controle ps4

As imagens e vídeos registrados ficam todos armazenados no console e podem ser visualizados em seu perfil. Tudo é muito bem organizado, dividindo o conteúdo por jogo e por tipo de material. E para aqueles que gostam de se mostrar ao mundo, essas capturas podem ser enviadas para o Facebook e Twitter caso você tenha associado suas contas. Há até mesmo ferramentas de edição para que você recorte e compartilhe somente um trecho específico.

No entanto, o ponto mais atraente do Share é o sistema de transmissão de partidas ao vivo. Por meio de serviços como Twitch e Ustream, você pode realizar o streaming de seus jogos e ainda interagir com outras pessoas, que podem estar acompanhando tanto do PS4 quanto de qualquer outro dispositivo.

O console traz várias opções bem interessantes para o streaming, como a visualização de comentários na tela, utilização do microfone — que pode ser conectado à saída de som do DualShock 4 — e de câmera para quem possui a PlayStation Camera. Com isso, sua imagem e a do jogo são exibidas simultaneamente durante a transmissão.

controle ps4

Só que nem tudo é alegria e o recurso comete alguns deslizes. Um exemplo disso é que o usuário não consegue manipular o material capturado com total liberdade. As imagens e vídeos armazenados podem ser acessados apenas pelo console e não há como enviá-los para um computador e editá-los, restringindo consideravelmente o uso de quem esperava fazer grandes produções com seus jogos.

Outro ponto é que o PS4 armazena tudo, inclusive aquilo que não estava em seus planos. Como as opções de edição e transmissão são acessadas pelo botão Share, você sempre vai salvar os últimos minutos de jogatina para chegar às configurações desejadas. Com isso, usuários menos atentos podem acumular alguns giga de vídeos inúteis no HD.

jogos

A Sony não apresentou muitas novidades no lançamento do PlayStation 4. A lineup inicial é pequena, com apenas dois títulos exclusivos: Killzone: Shadow Fall e Knack. Se considerarmos Resogun, de distribuição exclusivamente digital (e gratuito para membros da PS Plus), temos três títulos únicos do console. Todos razoáveis, mas nenhum blockbuster que vai obrigá-lo a comprar o aparelho neste primeiro momento.

Além disso, os gráficos dos novos games não são tão diferentes da geração anterior, com apenas uma ou outra exceção. Mas isso não significa algo necessariamente ruim, pois mostra que estamos bem avançados em termos técnicos. Ainda, por se tratar da leva inicial de jogo, é de se esperar uma melhoria gradual nos próximos anos.

Lineup de lançamento

A principal novidade desta geração são os detalhes e efeitos especiais. Em Need For Speed Rivals, por exemplo, é possível ver a poeira grudar no carro, assim como gotas de água que escorrem pelo capô de forma independente. O jogo também mostra recursos de física muito mais elaborados — principalmente quando destruímos parte do cenário.

Em Killzone: Shadow Fall, temos efeitos de partículas e uma iluminação tão realista que até mesmo os mais céticos em relação ao poder da nova geração devem se impressionar, sem contar as expressões faciais de cair o queixo. Os gráficos impressionam muito em algumas cenas, principalmente em uma das áreas iniciais do jogo em que é possível perceber os efeitos de luz volumétrica entre as árvores refletindo na água e nas pedras molhadas próximas a um rio que corre em um dos cantos do cenário.

Killzone Shadowfall

Mas é claro que nem tudo está perfeito. Ainda em Killzone, podemos perceber algumas falhas simples mas aparentes, como a presença de texturas em baixa resolução em alguns pontos isolados do ambiente. Em momentos de movimentação intensa, também é possível perceber uma queda na taxa de framerate. Algo pequeno, mas perceptível aos mais técnicos. Já nos momentos de mais ação, o clássico blur de movimento mostra que o desfoque não foi esquecido nesta mudança de geração.

Porém, esse tipo de situação é perfeitamente aceitável nessa primeira leva de jogos, já que o prazo de desenvolvimento e a falta de conhecimento da nova plataforma acabam por tornar a vida dos desenvolvedores um pouco mais difícil. Além disso, como havia sido anunciado anteriormente, alguns dos desenvolvedores só foram descobrir o verdadeiro poder do PS4 durante seu anúncio oficial. Até então, muitos deles trabalhavam com 4 GB de RAM, e somente com a apresentação do console que eles foram descobrir que ele usava, na verdade, 8 GB GDDR5.

Fifa 14

Ainda assim, temos alguns títulos que surpreendem. É o caso de FIFA 14, que mostra mais uma vez ao mundo que o principal ponto de destaque desta nova geração são os detalhes. Se a movimentação dos personagens não teve muita alteração desde o PlayStation 3, o gramado recebeu um tratamento todo especial, ficando muito mais próximo da realidade: ele ganhou volume e se movimenta de acordo com os passos dos jogadores. A torcida também recebeu uma nova modelagem e, finalmente, deixou de ser um amontoado de cartazes coloridos que faz barulho a cada gol.

Tudo isso é cortesia do novo motor gráfico utilizado pela EA. A Ignite Engine é dedicada a fazer com que esses detalhes deixem a partida ainda mais realista. A ambientação criada pela nova torcida e as pequenas partículas dentro de campo apenas ajudam a recriar a emoção que vemos nos campos reais também nos video games.

Por fim, temos o até então desconhecido Resogun, um dos títulos mais divertidos do PS4 até agora e aquele com a proposta mais diferente desta lineup inicial. Ele não chega a ser nenhuma obra revolucionária em termos gráficos, mas se destaca exatamente por ser quase uma demonstração técnica do potencial do console em termos de processamento de dados com cálculo de física e voxels. A proposta do jogo é bem simples e desafiadora — e é exatamente por isso que se torna tão viciante.

Vale a pena?

Vale a pena?

A nova geração já começou para a Sony, mas ainda de maneira tímida. O PlayStation 4 é realmente uma máquina poderosa e repleta de funcionalidades interessantes, mas que deixa a desejar naquilo que é fundamental: os jogos.

Desde que foi anunciado, a empresa falou que o console seria centrado exatamente nos games e nas novas experiências que o hardware iria oferecer. No entanto, agora que o PS4 finalmente chegou ao mercado, a realidade que encontramos é bem diferente — o que pode frustrar os entusiastas e os fãs que estavam confiantes com o sucesso inicial da plataforma.

Com poucos títulos que realmente façam a diferença, a Sony entra na guerra ainda sem mostrar suas armas. Killzone e Knack são os únicos grandes exclusivos, mas ainda não impressionam.

O mesmo acontece com os lançamentos multiplataforma, como FIFA 14 e Need for Speed Rivals, em que é possível perceber a evolução gráfica, mas sem que nada seja impressionante ou revolucionário. É uma mudança de geração que acontece nos detalhes.

Playstation 4 e Dual Shock

No entanto, esse mau começo não significa que o console seja ruim — longe disso. A Sony se preocupou em corrigir todos os problemas que marcaram a história do PS3 e melhorou e muito seu sistema em praticamente todos os aspectos, seja em termos de especificações ou recursos. Seu potencial é nítido, mas não é bem explorado.

O problema do PlayStation 4 neste primeiro momento é que ele ainda não traz nenhum incentivo que justifique a migração. Independente do console que você tem, saiba que a nova geração da Sony ainda não mostrou para o que veio. Não vimos a grandeza que nos foi prometida e mantemos a esperança de que ela apareça na próxima leva de títulos. Enquanto isso não acontece, continuamos esperando.

Redação: Vinícius Karasinski e Durval Ramos Fotografias e design: Diogo Saito, Bruna Fujie e Homero Meyer Ilustrações: Aline Sentone e André Tachibana