Com o anúncio do PlayStation 4 Pro na última quarta-feira, 7, em pleno feriadão no Brasil, o HDR finalmente ganhou o centro dos holofotes. O recurso, que ainda não está consolidado em todos os televisores, gera dúvidas aos usuários, digamos, menos “tecnófilos”. Qual a relação dessa função com o 4K? Se uma TV tem 4K, ela automaticamente traz HDR? A resposta a esta última pergunta é não, e nós tentamos explicar, nesta matéria, as dúvidas que giram em torno da primeira questão.

Primeiramente, convém ressaltar que essa não é a primeira vez que um console oferece suporte ao HDR. O Xbox One Slim, por exemplo, lançado há um mês nos EUA e em outros mercados do mundo (nada no Brasil por enquanto, infelizmente), já conta com o recurso. Como a Sony preconizou esse aspecto sobre diversos outros quesitos técnicos – e tornou o HDR o maior destaque do PS4 Pro, talvez –, a discussão que norteia a tecnologia tomou conta das rodas.

Na verdade, o HDR não é algo exatamente novo. No universo das fotos, por exemplo, a tecnologia já é aplicada há algum tempo – e vale frisar aqui que não se trata da mesma coisa das TVs. Em fotografias, o HDR se resume à combinação de múltiplas imagens com diferentes exposições para criar uma única vista que “simula” um maior alcance dinâmico.

Para ilustrar o conceito: HDR nas fotos é um equilíbrio de duas imagens numa terceira mais balanceada

HDR nas TVs: o que é?

É a nova “menina de ouro” dos televisores. É uma tecnologia que representa quase que o mesmo “boom” do HDTV, só que não com o mesmo impacto, naturalmente, porque hoje nossos olhos estão mais “modernos” do que antigamente. A percepção que temos do visual de imagens em movimento (ou estáticas, que seja) ficou mais exigente, e isso acontece de forma lenta, gradativa. Nossos cérebros internalizaram as novidades. A filtragem de tudo o que ocorre à nossa volta, quando falamos em experiência audiovisual, é mais rápida.

Os dois fatores mais importantes de uma exibição que estiver diante de nossos olhos na TV são a taxa de contraste e a precisão de cores. O primeiro fator diz respeito ao quão iluminada ou escura a tela pode ficar e o balanço entre as duas coisas. O segundo fator representa, basicamente, a fidelidade que as cores vistas no display têm com relação às da vida real.

A equalização entre esses elementos é tão importante que, se uma TV em resolução 4K não estiver bem calibrada, ela pode ser inferior a uma imagem em 1080p bem ajustadinha. Pois é. Os “olheiros” de plantão sabem exatamente como isso funciona.

Por haver mais brilho e equalização otimizada de pontos claros e escuros, o HDR consegue trabalhar melhor as cores da tela como um todo

E é aí que entra o HDR, sigla em inglês para “High Dynamic Ranging”, ou, em português, “Grande Alcance Dinâmico”. O objetivo do recurso é alargar o alcance dinâmico de forma a alcançar um ponto de equilíbrio entre o valor mais escuro e o mais claro de uma imagem. Em outras palavras, o intuito da técnica é representar, precisamente, áreas mais claras em trechos iluminados diretamente por uma fonte de luz até áreas mais escuras, isto é, em sombras.

Por haver mais brilho e melhor equalização de pontos claros e escuros, o HDR consegue trabalhar melhor as cores da tela como um todo – afinal de contas, a própria sigla entrega isso, ser uma mecânica “dinâmica” que tenha um grande alcance. Traduzindo, o resultado é uma tela com cores mais ricas, vívidas e fiéis às que vemos no mundo real, ao nosso redor, ao vivo.

As cores de uma imagem em HDR vs. aquelas do mundo real: proximidade máxima

4K é uma coisa, HDR é outra

Conforme já ressaltado nesta matéria, o HDR não é um recurso “embutido” em todos os televisores 4K, como muitos devem pensar. A função é tão inédita nas TVs que, para que se tenha uma ideia, só modelos de 2016 em diante estão começando a integrar o HDR em abundância, ainda que seja possível encontrar essa especificação em linhas lançadas anteriormente.

O grande lance é que o mecanismo esteve “escondido” em diversos aparelhos. O que queremos dizer é que as fabricantes não davam muita bola para isso por causa da carência de conteúdo em HDR. Agora entra outra vertente dessa tecnologia, importantíssima na mesma medida: o conteúdo. Sobre o qual dissertamos mais adiante.

O HDR faz parte do hardware da televisão. Você pode ter um display 4K, 5K, 8K ou o que for. Se o HDR não estiver dentro das especificações, não há como usufruir de conteúdo adaptado para o recurso. Isso é uma programação de fábrica que deve ser feita desde o início, com inserção de chip e tudo. Portanto, é importante observar se o HDR vem no televisor que você almeja comprar e não associar o recurso como uma característica “automática” do 4K. Aliás, qualquer PS4 será compatível com o recurso por meio de atualização de firmware.

O HDR tem que existir nos dois lados: TV (hardware) e conteúdo (software)

Assim como o 4K, o HDR precisa existir em ambas as partes. Vejamos: para que o seu House of Cards rode em 4K, a TV deve ter a tecnologia e a Netflix também deve oferecer esse conteúdo na resolução. Se um dos dois lados não estiver em conformidade, tudo cai para 1080p.

O mesmo serve para o HDR. E, atualmente, há pouco volume de materiais audiovisuais que contem com o recurso, assim como TVs. Com o aumento da produção de conteúdos assim e da demanda, as fabricantes de TVs e os estúdios de filmes, games e afins devem ampliar seu cardápio de HDR.

PS4 Pro e HDR: o sobressalto da tecnologia

Portanto, se você pensa em adquirir um PS4 Pro e quer usufruir de jogos em 4K/HDR, tenha em mente que o seu televisor precisa ser certificado com a função. Do contrário, você vai visualizar imagens apenas em 4K, o que, por si só, já representa um salto considerável na qualidade – mas é claro que, com o HDR, o impacto é maior aos olhos.

Se o conteúdo em 4K é escasso atualmente (apesar da crescente biblioteca do Netflix na resolução), a quantidade de coisas em HDR é ainda mais tímida. Os jogos precisam ser programados com esse recurso em mente; há todo um reposicionamento dos estúdios, das empresas, dos profissionais atuantes no setor.

O acervo inicial do PS4 Pro é promissor: títulos como Horizon: Zero Dawn, Call of Duty: Infinite Warfare e Final Fantasy XV são alguns dos que estão na (ainda enxuta) lista de jogos compatíveis com o HDR. E tem isso: é preciso se lembrar de que há uma seleção de jogos que vão rodar no HDR, não qualquer um. É necessário ter o console que suporta HDR e, por fim, uma TV que possua o HDR. Já existem, aí, três elementos envolvidos para o pleno funcionamento da tecnologia.

É preciso ter algum HDMI especial pro HDR?

Você não precisa se preocupar com o cabeamento que já utiliza nos seus aparelhos eletrônicos. Os conectores HDMI atuais aguentam o HDR numa boa. A fonte do sinal (leitor de Blu-ray em 4K ou o próprio PS4 Pro, que seja) e a TV devem ter certificação HDMI 2.0a para transmitir os metadados. Tal configuração já existe amplamente nas linhas de televisores recentes.

Mesmo que você tenha uma LCD meio antiga, tudo deve transcorrer normalmente. É claro que, quanto mais velha for sua TV, pior será a imagem, certo? Até porque ela não será 4K e muito menos terá HDR.

Ao contrário da conectividade 1.4, a transição do 2.0 para o 2.0a é feita através de firmware, não havendo limitação de hardware. Praticamente qualquer televisor que tenha 4K e HDR vem com essa certificação de fábrica. Ainda assim, se você for minucioso com detalhes, verifique essa informação junto ao fabricante.

Final Fantasy XV está na lista dos jogos inicialmente otimizados para o PS4 Pro

Lembre-se: calibragem é tudo

Nós já mencionamos, nesta matéria, a importância de se haver uma boa calibragem para que sua TV extraia, ao máximo, a imagem sendo exibida. Você pode ter um foguete de pixels na sala, mas de nada adianta se não souber controlá-lo.

O segredo está nos detalhes, principalmente no jogo entre luz e sombra. Não exagere no gamma e também não adote a mania de deixar a nitidez (ou “sharpness”, em inglês) zerada. Isso embaça a imagem. Da mesma forma, não maximize o contraste, ou o branco vai sobrepor o preto, determinado pelo brilho.

Nunca esteja satisfeito com a imagem diante de seus olhos. Busque as correções, mexa, teste combinações, gaste um tempo com a calibragem periodicamente

Indo além, se você for meticuloso, pode ser interessante configurar cada paleta de cores individualmente (verde, magenta, azul, amarelo, vermelho etc.) a fim de encontrar um ponto de equilíbrio. Enfim, os ajustes finos devem ser realizados com carinho e esmero pelo dono da TV, e essa é uma preocupação constante.

A dica deste humilde redator é: nunca esteja totalmente satisfeito com a imagem diante de seus olhos. Busque as correções, mexa, teste combinações, gaste um tempo com a calibragem periodicamente. Você vai se surpreender com os resultados cada vez que dá aquela mexida nas opções de imagem.

E se eu tiver uma TV 4K, mas sem HDR... O PS4 Pro vai ficar legal, certo?

O HDR tem o propósito de preservar os detalhes que podem ser perdidos com os pixels em movimento. Em suma, ele otimiza a resolução que estiver vigente no momento da jogatina.

O recurso existe em alguns modelos 4K no mercado, inclusive no Brasil, mas não em abundância. E eles não custam uma Ferrari. Como já dito aqui, o HDR em si precisa estar no hardware da televisão, isso é tudo. O aparelho da Samsung que você confere clicando aqui, por exemplo, tem 40 polegadas, é 4K e oferece o HDR por R$ 2.549. Já este da LG tem 49 polegadas, também 4K e com HDR por R$ 3.429.

Há modelos simples, intermediários e avançados com o HDR

No lado do consumidor, a parte importante a ser observada é se o modelo vem com o HDR ou não – e a limitação, atualmente, é que há poucas opções com o recurso por aí. As linhas previstas para aportarem no Brasil até o final deste ano devem, em sua maioria, contar com a função.

Isso significa que o seu investimento naquela TV 4K bacanuda da Black Friday no ano passado foi para o espaço? Você nem sequer se lembrou do HDR e o aparelho não tem o recurso, certo? Não se sinta órfão e jamais arrependido – quase todos estão no mesmo barco. Se você tem uma TV 4K, especialmente no Brasil (onde tudo é mais caro, infelizmente), sinta-se privilegiado. Ainda que ela não tenha HDR, o PS4 Pro vai rodar os jogos maravilhosamente bem no seu display – com imagens mais bonitas, mais vibrantes e mais vivas, mesmo sem a pitada do HDR.

Confira as especificações técnicas completas do PlayStation Pro clicando aqui. O console será lançado no dia 10 de novembro deste ano por US$ 399 (ou R$ 1.376 em conversão livre baseada na atual cotação do dólar). Como estão suas expectativas? Conte para nós na seção destinada aos comentários, logo abaixo.

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